Comparativo Grand Siena x Voyage x Versa

por Gustavo Henrique Ruffo / Fotos: Leo Sposito - publicado na edição nº 57 (set/2012)

O eleitorado anda descrente. Não é por menos: em toda eleição, os candidatos prometem investir em educação,  combater a corrupção e melhorar a saúde e a segurança. E quase tudo segue como antes. São raros os políticos coerentes e íntegros. Deixamos o comparativo entre políticos para o site politicos.org.br (consulte antes de votar). Mas comparamos carros, que também prometem cuidar de sua família com economia, espaço e desempenho. Entre eles, estes três sedãs querem se candidatar à vaga da sua garagem. Qual deles faz por merecer seu voto? É a pergunta que pretendemos responder a seguir.

Fiat Grand Siena

Se existe um candidato que cresceu diante do eleitorado é o Fiat Grand Siena. Até de nome ele mudou, para marcar sua nova ideologia. Havia muito o que melhorar, apesar do sucesso. Excluindo o Chevrolet Classic, um candidato com público fiel, o Grand Siena foi o sedã pequeno mais vendido em 2011. Mas as pesquisas indicavam que o Voyage o deixaria para trás neste ano.

O Siena tinha interior apertado, pecava no acabamento e, apesar de pertencer ao partido governista, líder de mercado, o apoio não era suficiente para que ele continuasse em destaque. Mesmo com o porta-malas de 500 litros. O problema foi ele ter crescido pouco.Apesar dos 2,51 m de entre-eixos, o Grand Siena não gosta de levar a claque ao comício. Ele oferece espaço pior que o do Versa no banco traseiro. O Voyage também é assim, mas tem 4 cm a menos de entre-eixos, um mundo de diferença para um joelho que fica ralando no encosto do banco dianteiro.

Fiat Grand Siena

À direita

O Grand Siena só não pode se queixar da aparência, atual e atraente, o que ajuda a explicar suas vendas. Como um terno bem cortado, as linhas da carroceria atraem a atenção do povo para o postulante. Só quem olha mais de perto nota que a lanterna traseira dá ao carro um ar meio tristonho, especialmente à noite, quando elas, acesas, se destacam.

O fato de a Fiat ser da situação pode explicar algumas tendências de direita deste sedã. Volante e pedais são deslocados para este lado, o que contribui para a sensação de desajuste do carro com o motorista. É uma certa falta de jeito, apesar do esforço dele em agradar, como se nota pelo acabamento mais bem cuidado, mas ainda em defasagem se colocado diante do que os concorrentes apresentam.

Fiat Grand Siena

Sua assessoria é competente, com retrovisores amplos e que oferecem boa visão do trânsito, mas o acesso a ela é problemático. O botão da regulagem elétrica fica perto da coluna dianteira, distante das mãos do motorista, que tem de se esticar para chegar até ele. A alavanca de câmbio sofre do mesmo problema de distância, com uma quinta marcha que é preciso jogar para engatar. À direita.

Fiat Grand siena

É bem assessorado e boa-pinta, apesar da traseira tristonha

Difícil lidar e de direita: volante pra direita, pedais pra direita...

É bom rapaz, mas tem candidato melhor no mercado

Na corrida eleitoral, o que o Grand Siena mostrou é que é discreto, com o nível de ruído mais baixo a 120 km/h. Apesar do motor de concepção moderna, o câmbio retrógrado o atrapalhou em acelerações e retomadas. Os freios, de boa modulação, não são tão eficientes quanto os do VW, o que certamente o ajudaria a evitar alguns choques desnecessários com adversários e sociedade. Mas foi no consumo que ele se deu pior. Na convenção, abusou do álcool na cidade e na estrada e ficou para trás.

O porta-malas, que sempre foi grande, ganhou espaço extra, mas nada  extraordinário em comparação com o dos demais candidatos. Ajudaria se tivesse perdido as dobradiças “pescoço de ganso”, mas elas continuam ali, roubando espaço, como os “assessores” que seguem candidatos bem-sucedidos. O Grand Siena é um deles. Mas não o melhor. 

VW Voyage

Ele lutou pelo Pró-Álcool e já foi o sedã pequeno mais eleito pelos compradores. Nada complicado em uma época em que a marca tinha a liderança absoluta do mercado, quase uma ditadura de 1958 a 2001. Isso coloca o Voyage dos anos 1980 quase como um sedã-biônico. Mas o partido do ABC Paulista colocou o cara na geladeira e só o pôs de novo na ativa em 2008, em tempos não tão tranquilos. Em 2002, a Fiat assumiu a liderança, encerrando a da Volks, que nunca mais repetiu o resultado. Como se vê, o Voyage não retornou em cenário seguro. Mas chegou para provar seu valor, algo que ele reforça agora, com a nova identidade visual da marca e mais itens de série.

VW Voyage

Carisma

A versão Comfortline custa R$ 40.890. É a mais cara da linha e já vem, de série, com air bags dianteiros, ABS, direção hidráulica, regulagem do volante em altura e distância e vidros verdes, entre outros itens. Poderia parecer um preço excelente, comparado ao dos concorrentes, mas não quando se confronta a lista de qualidades deles todos. O Comfortline não tem ar-condicionado, rodas de liga leve, alarme, computador de bordo, retrovisores e vidros traseiros elétricos nem CD Player. Ou aquecimento. Se você quiser estes itens, vai ter de pagar um por fora.

VW Voyage 1.6

Ele tem carisma, vidros verdes e é fácil de lidar

Tem a tendência de cobrar um por fora

Cobra, mas faz

Pena. Apesar do jeito arcaico de fazer negócio que ele propõe, o Voyage é um sujeito carismático. Recebe bem e faz você se sentir à vontade nos bancos da frente, que oferecem excelente apoio lateral. O volante tem regulagem de altura e de distância, coisa que nenhum outro candidato oferece. Os comandos estão em ótima posição, a não ser os dos vidros traseiros, que ficam acima do rádio. Só falta o pino de travamento das portas, que ele limou por ter travamento elétrico – economia que pega mal.

Na hora de cuidar da família, porém, ele faz linha-dura. Não dá muito espaço para pernas ou para a cabeça de quem vai atrás e o porta-malas é apenas compatível com o dos demais candidatos. Mesmo para o motorista falta espaço, uma restrição que explica o fato de ele e o Grand Siena empatarem em conforto na traseira: o Fiat permite que o banco dianteiro vá mais para trás.

VW Voyage

O motor do Voyage é o mais antigo do trio, com oito válvulas e pouca sofisticação. Mas o tempo de mercado dá a ele uma cancha que os outros não conseguem mostrar na pista. O VW é o que acelera melhor até os 100 km/h (o Versa se sai melhor daí em diante) e o que retoma melhor, na maior parte das vezes. Ao frear, ele é o candidato mais comedido, parando nos menores espaços. Também bebe pouco.

Se tem tantas qualidades, por que o Voyage perde? Para começar, esse negócio de cobrar por fora não pega bem: ou tem equipamentos ou não tem. Carro cheio de opcionais penaliza o cliente, que perde dinheiro na hora da revenda. E o Voyage salga a conta por qualquer obra a mais. A linha-dura com a família também atrapalha um candidato eminentemente familiar. Por fim, ele é meio de falar alto, mas isso é apenas um detalhe diante dos outros pecados que comete. O Voyage discursa renovação, mas acaba sendo mais do mesmo.

Nissan Versa

Este candidato é daqueles que se cansaram da política de preços das fabricantes nacionais. Mexicano naturalizado, ostenta plataforma de campanha tão simples que poderia ser comparada à de um administrador de empresas: fazer mais com menos.

Por R$ 41.290, ele seria o concorrente mais caro a estacionar em sua vaga, mas não é. Seria: para se equiparar a ele em itens de série, os demais concorrentes custam de R$ 3 mil a R$ 7 mil a mais.

O caso é que este mexicano indignado com os preços brasileiros só conseguiu entrar em um partido pequeno (Nissan) e ainda sem tanta tradição por aqui. Se não tem o mesmo carisma do Voyage, nem o mesmo apelo de beleza física do Grand Siena, ele não desagrada. E não se apoia nisso para encantar os compradores. O Versa promete espaço, segurança para levar o eleitorado e não esbanjar dinheiro.

Nissan Versa

Desenvoltura

A família é o foco de atenção. Ela conta com bom porta-malas e espaço interno que nenhum dos concorrentes consegue igualar ou até chegar perto de oferecer. Não há como não se sentir à vontade dentro dele. Poderia haver mais espaço para a cabeça, mas o que existe não é ruim. Nos bancos traseiros há Isofix, que serve para prender as cadeirinhas de crianças pequenas e deixá-las sempre bem protegidas. O cuidado com os adultos está em air bags dianteiros e ABS, que ajudam o bom motorista a defender melhor os interesses de seus correligionários.

nissan versa

Nenhum outro candidato cumpre mais o que promete. Nem cobra menos

Sua assessoria é ruim de serviço

Ficha limpa

Nos comícios, o Versa mostra desenvoltura. Acelera o ritmo com rapidez, para não cansar a audiência, dá boas paradas, para manter o suspense do discurso, e muda o rumo da conversa com agilidade. Só não tem a mesma desenvoltura do Voyage, que tem mais tempo de política, mas fica bem próximo dele. Sua direção, elétrica, é sensível, fala bem com seu eleitor e ajuda o sedã a economizar. Apesar de não ser abstêmio, o Versa não dá vexame com um tanque de álcool. É o sujeito que sabe beber (veja os resultados na tabela a seguir).

Nissan Versa

O que atrapalha o Nissan são alguns assessores. Os retrovisores externos têm braços curtos e mostram ao motorista só o óbvio, sem revelar pontos cegos nas manobras de mudança de faixa. Isso pode tumultuar o governo do Versa, com o risco de bater com lideranças concorrentes e de ter de costurar acordos na oficina. Na equipe de apoio, os bancos têm assentos curtos, que não sustentam as coxas do motorista e deixam tudo por conta da poupança popular.

O jeito novo de fazer negócio oferecido pelo Versa, com um preço relativamente atraente pelo conteúdo que oferece, o excelente espaço interno e o motor moderno, com comando variável de válvulas e que bebe pouco, fazem dele uma excelente pedida para quem procura um candidato honesto e realmente preocupado com seu bem-estar. Já estava na hora de aparecer alguém assim.

Tabela Grand Siena x Voyage x Versa
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