BMW M2

Por Jack Baruth // Fotos: Evan Klein e Matt Ierney

Você não pode mentir para a montanha. Você pode mentir para seus amigos com fatos e dados, revelações e discussões. Você pode mentir para a pista com potência absurda, pneus com metros de largura e câmbio de dupla embreagem. Mas você não pode mentir para a montanha. E nesta sexta-feira de manhã é para a montanha que estamos indo.

A California Route 74 vai de Palm Desert até as montanhas de Santa Rosa, nos EUA, e é toda feita de curvas com raio decrescente e uma montanha-russa de retas e curvas depois do Coachella Valley Vista Point. A maioria das sinuosidades é cega, com uma parede de rochas manchadas na parte interna e quedas de centenas de metros além do acostamento de terra no papel de Caríbdis (se você não sabe o que é Caríbdis, vá ao Google depois de ler esta reportagem). Surgindo entre os dois demônios e atirando pedras penhasco abaixo está nosso comboio de BMW. Cupês, todos eles, rudes e com aparência atrofiada, capôs longos e porta-malas curtos, e grades “duplo rim” entre quatro faróis circulares. Assoviando e pipocando com o movimento da válvula borboleta no coletor, rotações subindo e descendo daquele jeito ligeiramente imperfeito que aponta a presença humana no comando, em vez da perfeição clínica dos câmbios modernos que trocam marchas sozinhos.

BMW M2

MÁQUINA DE PILOTAR

Há quase 50 anos, o BMW 2002 ganhou status de Deus do Olimpo nesta montanha e em muitas outras como ela, convertendo toda uma geração de entusiastas dos roadsters britânicos com sua inédita combinação de solidez bávara e caráter encrenqueiro. Depois de um leve tropeço com o anêmico 320i de 1977, a BMW encontrou o ouro com a geração seguinte, batizada de E30. Embora o 325i de seis cilindros tenha roubado milhões de corações e inspirado uma categoria de competição imensamente popular, foi o M3 de quatro cilindros que serviu como justificativa para o slogan auto atribuído de Máquina de Pilotar Definitiva.

Com para-lamas monstruosos tirados diretamente dos carros de pista de turismo europeus e um escandaloso spoiler traseiro, o M3 era movido por um 2.3 de 16 válvulas e comando duplo que entregava 195 cv, número impressionante na época. Embora o BMW M1 dos anos 1970 tenha sido o primeiro carro a ostentar o emblema tricolor da BMW Motorsport, foi o M3 de 1988 que tornou esse emblema famoso. Nos anos seguintes, os caras de Munique se voltaram em direção aos mercados de sedãs de luxo, SUVs e carros elétricos em uma tentativa de maximizar o volume de produção e lucratividade. A BMW agora fabrica desde utilitários de sete lugares a supercarros híbridos com portas “tesoura” e minivans altinhas.

BMW M2

Se você quiser um sucessor autêntico para aquele icônico M3, contudo, suas escolhas estão limitadas aos cupês da Série 2. Reunimos os melhores deles para uma odisseia escrita por nós mesmos: o 228i, o M235i e o novo M2 irão encarar algumas das melhores estradas da Califórnia antes de acelerar forte na pista particular de testes do Thermal Club, próximo a Palm Springs. No fim, traremos nossos cupês para a montanha. E tentaremos ser imparciais para eleger o nosso favorito.

Para tornar as coisas mais interessantes, trouxemos algumas lendas para o jogo. Uma vez no Thermal Club, nosso trio irá enfrentar um M3 E30 restaurado de acordo com as especificações originais. Também conseguimos um 1M Coupé restaurado pela fábrica na cor laranja metálica normalmente associada ao modelo. A Série 1 M, uma carta de amor em forma de edição limitada da Divisão M para seus fãs mais ardorosos, foi vendida com ágio desde o momento em que foi lançada, em 2011. Se qualquer um dos Série 2 conseguir impressionar em meio a estes carros, ele será motivo de considerável aclamação por nossa parte. E significativa celebração também, porque todos nós gostaríamos de poder entrar em uma loja e comprar um BMW novo que realmente entrega seu melhor.

BMW M2

PRIMEIRO DIA: DE LOS ANGELES A PALM SPRINGS

O carro esperando estacionado em frente ao aeroporto de Los Angeles é um X5 M novinho. Para o caso de precisarmos, este SUV – convocado para levar nossas malas e equipamento fotográfico – é um lembrete perfeito do que a BMW está fazendo muito bem hoje em dia. Uma enorme potência alistada em prol da superação de peso substancial. Capacidade de processamento de dados suficiente para mapear o genoma humano. Uma paleta de texturas cuidadosamente selecionada para o interior. Câmbio automático como equipamento de série. Ele não precisa se esforçar para ser mais rápido que praticamente qualquer BMW já vendido antes da virada do milênio, incluindo o poderoso supercarro M1. 


 

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