Comparativo Honda Civic 2.0

Por Carlos Cereijo / Fotos: Leo Sposito - publicado na edição nº 62 (fev/2013)

O suor escorreu frio durante 19 dias seguidos. Os concorrentes estavam nervosos, a disputa era acirrada . O mundo assistia, roendo as unhas, à final épica. Depois de um desempate por tie-break, Viswanathan Anand levou US$ 1,5 milhão. Glórias ao indiano que ganhou o título mundial de... xadrez. Viu? Até um esporte que parece sereno rende emoções fortes. Então, não torça o nariz para estes sedãs. Por trás desses semblantes pacatos, há emoção e rivalidade. Eles disputam um mercado em crescimento no Brasil. A jogada é do Honda Civic, que ganha motor 2.0 para encarar Toyota Corolla Altis, Chevrolet Cruze LTZ e Renault Fluence Privilège. Quem vai dar xeque-mate na concorrência?

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Toyota Corolla Altis

Ele é o campeão de vendas do segmento há quatro anos seguidos no Brasil. Em 2012, foram mais de 56 mil unidades vendidas no País. Pensou em sedã, o Toyota vem logo entre as primeiras opções. Então, o que o Corolla está fazendo na rabeira do comparativo? Já vamos falar disso. Antes, temos de ver os pontos fortes deste enxadrista.

Sim, ele tem cara de tiozão. Mas os números mostram que o Corolla 2.0 pode correr lado a lado de muito garoto por aí. Se não fosse o antiquado câmbio automático de quatro marchas, o sedã conseguiria números de retomada próximos aos do Civic 2.0. Porém, perdeu pontos por isso. Pelo menos ele consegue se segurar, os freios mostraram disposição na pista. Além disso, o Toyota é o jogador mais silencioso do quarteto.

Toyota Corolla Altis

O Corolla não faz nenhuma jogada errada, mas vai perdendo peças no tabuleiro aos poucos. O preço é um dos mais salgados, somente mais em conta do que o Civic EXR. Portanto, era de se prever uma enxurrada de equipamentos. Sim, o esperado está lá: ar-condicionado digital, bancos de couro, sensor de chuva, ABS, air bags, direção elétrica, Bluetooth, entre outros. No entanto, ele não oferece tecnologias que são de série nos concorrentes: GPS integrado ao painel e controle de estabilidade. São itens que estão disponíveis até em automóveis de segmentos inferiores. É como se a Toyota jogasse xadrez no tabuleiro, enquanto o resto do mundo usa iPads.

Toyota Corolla Altis

Cuide da rainha

Ao acelerar o Toyota, não consigo notar nada de errado. Ótimo. Mas será que é possível se divertir por isso? Não. O Corolla quer tanto isolar os ocupantes que deixa uma sensação impessoal quando está rodando. A suspensão filtra bem o piso, mas a consequência é um acerto molenga, alérgico às mudanças rápidas de trajetória. A direção com assistência elétrica progressiva varia pouco, ficando ainda leve em movimento, enquanto o Cruze, por exemplo, já está mais firme. Você não vai perder o controle do carro numa curva, longe disso, mas vai ter menos sensação do que está acontecendo durante a manobra.

toyota corolla altis

Silencioso e rápido

Preço e interior de "madeira"

Precisa entrar na era iPad

O status de rodar por aí com um “Corollão” é inegável. Ele construiu um nome no País, o que é parte do segredo de seu sucesso. Porém, dê uma olhada no interior do Altis. Diga, com sinceridade, você prefere o acabamento imitando madeira ou uma tela com GPS? Você pagou mais de R$ 80 mil neste sedã e o interior não transmite luxo. Os plásticos do console têm rebarbas e a textura é barata. Nada vai quebrar, mas seus amigos não vão babar nem um pouco quando entrarem nele.

Assim como a rainha no xadrez, o Corolla é uma peça forte. Versátil e capaz de chegar a várias partes do campo de batalha. No entanto, neste comparativo, o Altis abriu brechas e foi derrubado. Você pode até ser um enxadrista experiente, mas jogar com a rainha desprotegida é um risco que pode custar caro. Agora temos de esperar a próxima jogada da Toyota marcada para o segundo semestre, quando chega a nova geração do sedã. Vá para a página dois e saiba qual foi o terceiro colocado do comparativo.