Comparativo Grand Siena

por Gustavo Henrique Ruffo / Fotos: Marcos Camargo - publicado na edição nº 52 (abr/2012)

O Fiat Grand Siena chega para disputar preferências com uma linha de sedãs que inclui de JAC J3 Turin a Renault Logan. Em sua primeira prova de fogo, no entanto, elegemos o Chevrolet Cobalt e o Nissan Versa como seus dois principais adversários. Motivo? São os lançamentos mais recentes, fazem parte de uma subcategoria (a dos compactos premium) e têm preço equivalente. A referência em nossos comparativos, o VW Voyage, não foi convidado porque muda em breve. Na pista, o recém-chegado mostrou apetite. Mas será que ele chegou onde queria? É o que você verá nas páginas a seguir.

Comparativo Grand Siena

O Cobalt representa, com o Cruze e com a S10, a retomada da GM – um dos motivos que nos levaram a distinguir o carro como um dos Ten Best 2012. O sedã é inegavelmente mais moderno que o Corsa Sedan mais recente e tem muitas qualidades, entre as quais espaço interno e acabamento esmerado. Mas, no confronto direto com Fiat Grand Siena e com Nissan Versa, não se destacou: ficou em terceiro, poucos pontos atrás do Grand Siena.

chevrolet cobalt

Espaço e conforto de carro grande

Preço de carro grande, motor de carro pequeno

Se custasse menos, seria melhor

Há duas razões para o Cobalt não superar estes adversários diretos. A principal é o preço da versão LTZ, a mais salgada do comparativo. O carro vem bem equipado na versão topo de linha (o único opcional é a pintura metálica, que soma R$ 903 ao preço), mas a diferença para o Versa SL, mais bem equipado, representa pouco mais de R$ 3 mil. Mesmo para esta categoria, a um passo dos sedãs médios, é bastante dinheiro. A outra razão é motor.

 

Comparativo Grand Siena

A engenharia da GM se esforçou para manter um carro do porte do Cobalt na casa dos 1.072 kg de peso, mas os 102 cv do motor Econo.Flex 1.4 não são suficientes para a massa do carro. Os números de desempenho mostram isso: o Chevrolet ficou na lanterna na maioria das provas que exigem vitalidade do motor. A contrapartida, porém, não veio: o consumo. Ele só se saiu razoavelmente bem na cidade, mas ficou atrás na estrada. No futuro, o modelo ganhará um quatro-cilindros com mais disposição, o Econo.Flex 1.8, baseado no mesmo da atual Meriva, mas com cerca de 130 cv e foco em economia. Isso dará nova vida ao carro. A torcida é para que a GM não eleve o preço do modelo na mesma proporção do ganho de cavalaria. O câmbio de cinco marchas, por sua vez, tem bom escalonamento, engates sem problemas e curso adequado da alavanca. Mas não consegue fazer milagres diante de um motor de pouca potência.

Comparativo Grand Siena

Gamma II

Construído sobre a plataforma Gamma II (a mesma do Sonic e dos futuros Spin, a PM7, e Enjoy, o mini-Captiva - veja em Segredos), o Cobalt tem rodar sólido e é obediente se você não quiser entrar com pressa em curvas. Foi feito para oferecer conforto e isso fica claro pelo acerto de suspensão, mais para o macio que para o esportivo. Não deixa saudades, no entanto, do Corsa Sedan, que usava a base do Corsa de terceira geração. E está anos-luz à frente do Agile, que se apoia em plataforma ainda mais antiga, a do Corsa B.

Como o hatch, o Cobalt não é referência em estilo. Neste item, importante fator de vendas, o time de designers da Fiat se deu melhor: o Grand Siena é, de longe, o mais atraente entre os três. Por dentro, a situação de inverte. Embora o Chevrolet tenha o painel de instrumentos mais simples entre os três (o cluster é formado por conta-giros analógico e velocímetro digital), a sensação a bordo é mais agradável, nem tanto pelo espaço, mas pelo material de acabamento. Simples, mas caprichado. Poderia ser melhor, caso o carro saísse de fábrica com vidros verdes, que amenizam a temperatura interna. Melhor ainda se o Cobalt custasse menos.

Comparativo Grand Siena

O Fiat Grand Siena está maior do que o Palio, é verdade. Só não está maior do que o Cobalt ou do que o Versa. Também não tem um motor tão econômico quanto o do Nissan ou um porta-malas tão espaçoso quanto o do Chevrolet. O que ele consegue é ser mais atraente que os outros dois. O fato de custar menos e de ser mais forte que o Cobalt deu a ele o segundo lugar neste comparativo.
Com seu motor 1.6 de 117 cv (etanol), o mais forte entre os três carros testados, o Grand Siena poderia ter estreado com ampla vantagem em desempenho. O problema é que ele é um peso-pesado, com 1.141 kg, gordura que comprometeu seus números de aceleração, retomada e consumo. Em contrapartida, revelou-se o mais eficiente em frenagem.

Comparativo Grand Siena

Apesar de ser melhor de dirigir do que o Palio, o Siena ainda compartilha com o hatch o apreço pelo conforto. Isso é bom, mas é ruim: é como se sentar em um bom sofá que afunda e provoca dores nas costas depois de um tempo. Distante de uma cadeira Herman Miller Aeron, que oferece equilíbrio entre boa vida e saúde. A almofada mole do Siena vem da direção assistida além do desejável em velocidades altas. A 120 km/h, máxima permitida em nossas estradas, o volante fica leve quase a ponto de ficar bobo. Neste passo, o importante é ter direção firme e não facilidade de manobra.

Comparativo Grand Siena

Encaixe

Se é leve além do ponto, a direção do Siena apresenta uma vantagem: oferece o menor diâmetro de giro entre os rivais, qualidade fundamental para manobras em pequenos espaços. A suspensão, ainda que macia, encara bem o piso, é comunicativa e muito menos ruidosa que a do Versa. Em suma, atende bem à proposta familiar do sedã.

Fiat grand siena

É o mais bonito da turma

A direção é quase boba em alta

Bom para quem topa menos espaço por mais estilo

Por dentro, o espaço no banco traseiro é o menor dos três. A cabeça bate no teto e os joelhos forçam o encosto do banco dianteiro, caso esteja muito recuado. O acabamento deixa a desejar: no carro avaliado, havia peças mal encaixadas. Talvez um problema de início de produção.

Apesar de ser menor que o Cobalt, o Siena tem mais motor e consome quase o mesmo. Anda mais e bebe igual, em resumo. Se não traz CD Player com Bluetooth nem vidros elétricos nas portas traseiras, de série no Cobalt, o Siena vem, básico, com detalhes de carros mais luxuosos. Oferece vidros verdes, abertura interna da tampa de combustível, vidros um-toque e antiesmagamento na dianteira e rodas de liga-leve de aro 16, não oferecidas no Cobalt nem como opcionais.

Por fim, ele é mais barato do que o Chevrolet, um fator fundamental em um segmento em que fama ou aparência contam menos do que uma excelente relação custo-benefício. Equipado com os mesmos itens de série do Cobalt (veja na tabela de resultados), sai sutilmente mais barato. E vem mais completo.

Comparativo Grand Siena

Lançado em novembro do ano passado, o Nissan Versa tem, hoje, fila de espera de 120 dias. Isso significa, entre outras hipóteses, que o custo-benefício do sedã é imbatível na categoria. É certo ainda que o modelo não vem sendo importado em quantidade suficiente para atender à procura e, por fim, é muito provável que a Nissan esteja abrindo mão de parte do lucro para ganhar participação de mercado. O fato é que o Versa tem se revelado excelente opção para quem busca um sedã compacto.

Comparativo Grand Siena

Nissan versa

Tem preço e desempenho

Não é campeão de estilo

Custo-benefício: eis a palavra mágica

Trazido do México, o Versa SL chegou custando menos que o modelo intermediário do Cobalt, o LT, e oferecendo bem mais: ar, direção elétrica, vidros nas quatro portas, ABS, EBD e air bags dianteiros. É ainda o único sedã do segmento a oferecer fixações Isofix para cadeirinha de bebê.

O interior incomoda pelo excesso de plástico de aparência rígida, embora as peças sejam bem encaixadas e cubram toda a superfície – no Siena, parte do aço da lataria fica exposta. Se tem 2 cm a menos de entre-eixos em comparação com o Cobalt, o espaço interno parece ser mais amplo, por conta do emprego de encostos de bancos mais delgados. Como no Siena, o teto pode incomodar a cabeça dos passageiros mais altos.

Comparativo Grand Siena

Traseira x dianteira

O estilo não encanta: é um carro sóbrio em demasia e meio fora de proporção. A dianteira parece ter sido feita por uma equipe que não conversava com o time encarregado de fazer a traseira. Melhor, portanto, assumir o volante. Com suspensão de bom compromisso entre conforto e esportividade, o Versa aceita que você entre mais forte em curvas sem o risco de transformar o carro no tapete mágico do Aladim. O motor, um 1.6 de origem Nissan bem disposto, é tão animado quanto é econômico. Dá para fazer 9 km/l com ele no etanol, uma primazia antes dedicada apenas a modelos 1.0, sem ter de abrir mão do prazer de acelerar. Por fim, o câmbio tem engates rápidos e macios, melhores que os de seus concorrentes, e a direção é firme na estrada e leve na cidade. Seu pecado é esterçar pouco, o que exige algum trabalho nas manobras.

Ainda que venha com bom conteúdo, o Versa peca por não oferecer vidros verdes, por ter bancos de pouco apoio para as coxas, o que pode cansar mais rápido em viagens longas, e por dever regulagem de distância do volante – item só oferecido pelo Volkswagen Voyage (que ficou fora do comparativo porque está prestes a mudar). A Nissan oferece três anos de garantia para o Versa e preços fixos de revisão. Mas o número de concessionárias do fabricante é menor que o de Chevrolet e de Fiat.

Comparativo Grand Siena
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