Mercedes x Bentley

Por Tony Quiroga // Fotos: Sean C. Rice

Meu pai comprou um Cadillac Eldorado conversível novinho em 1976. A GM apresentou o carro como o último dos grandes conversíveis, uma majestosa despedida que parecia ter sido projetada para transportar misses, autoridades e figurões em um futuro cada vez mais distópico no qual a gasolina era racionada. Com carroceria, capota e bancos vermelhos, era equipado com todos os opcionais, incluindo injeção eletrônica, farol alto automático, tudo elétrico e uma cobertura rígida para o compartimento da capota quando recolhida. Era uma barcaça de 5,7 m que pesava 2.370 kg e era movido por um V8 de 8,2 litros, que ficava sob um capô tão longo que era possível pousar um Airbus A380 sobre ele. Não dá para dizer que a Cadillac deixou seu conversível partir gentilmente naquela boa noite escura.

O que ninguém imaginava em 1976 era que os conversíveis de luxo ainda existiriam 40 anos mais tarde, muito menos como carruagens de mais de 500 cv feitas para fazer o mesmo tipo de coisa que aquele Cadillac fazia. Em um mundo em que o petróleo voltou a ser barado e as linhas de automóveis crescem continuamente. O carro de desfile voltou com tudo. Usar um conversível enorme e beberrão para declarar sou rico e mereço isto voltou a ser possível sem que seja preciso recorrer ao mercado de clássicos.

Depois de um hiato de quatro décadas, a Mercedes voltou a fabricar conversíveis grandes. Antes que você diga algo, não estamos considerando os conversíveis da Classe E porque eles não ofereciam toda essa opulência. Em nenhuma dimensão, exceto talvez em relação à qualidade de construção, ele se iguala a este conversível da Classe S. Oferecido em três versões, o conversível da Mercedes é um tiro revestido de couro em direção ao Bentley Continental GT conversível. Atualizações constantes mantiveram o Bentley de 12 anos tão relevante quanto qualquer carro de US$ 200.000.

Mercedes x Bentley

Quando se conduz um comparativo entre carros assim caros, a lógica é superada por coisas mais básicas. A Cadillac certamente não estava pensando logicamente quando escolheu um V8 de 8,2 litros. Assim como as velhas estrelas que crescem tanto que acabam entrando em colapso, o gigantesco motor da Cadillac, em seu último ano, produzia apenas 190 cv (215 cv com injeção eletrônica) e 49 mkgf de torque, números que a Mercedes pode superar com um motor diesel turbo de 2,1 litros. Mas com dois turbos e mais de 500 cv cada, estes V8 modernos certamente remetem àquele excesso da Cadillac.

A Bentley e a Mercedes oferecem motores maiores, de 12 cilindros, mas escolhemos as versões V8 porque aumentar o número de cilindros também aumenta o peso, a complexidade e o custo sem melhorar a experiência de condução, em nossa opinião. Bem, às vezes a lógica supera a emoção, mesmo no mundo sem lógica dos conversíveis grandes.

No lado da Mercedes selecionamos o AMG S63 de 585 cv, que irá enfrentar o Continental GT V8 S conversível de 527 cv. O V8 turbo 5.5 da Mercedes é o contraste perfeito para o V8 turbo 4.0 da Bentley porque este não é exatamente um motor Bentley, mas a mesma unidade encontrada em uma série de Audi, o que faz deste duelo uma espécie de guerra por procuração entre as marcas rivais alemãs.

Estes carros de luxo com teto de tecido e duas portas podem impressionar aqueles que não têm casas de veraneio e iates, mas como o Eldorado dos anos 1970 há uma magia sedutora em um conversível de luxo confortável, cheio de tecnologia e embalado por um vibrante e borbulhante coração V8. 

Mercedes x Bentley


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