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Por Fabrício Samahá // Fotos: Bruno Guerreiro

Foi uma grande notícia: desde os anos 1960, com o Karmann Ghia, o Brasil não tinha um conversível novo. Isso mudou em abril de 1985, quando a Ford lançou o Escort XR3 Conversível, mais uma opção de seu carro mundial, que aparecera dois anos antes. Com bom trabalho de estilo pela Ford europeia, ele mantinha o tratamento estético do XR3 hatch — faróis auxiliares de neblina e de longo alcance e rodas 14” com pneus 185/60. Se de frente não se distinguia do modelo fechado, a traseira usava lanternas menores e verticais, as mesmas da perua lançada na Europa, para que a pequena tampa do porta-malas pudesse abrir até o para-choque. Era o sonho de consumo do jovem nos anos 1980, conhecida como a década perdida. 

A capota de lona com acionamento manual, alemã, tinha boa qualidade e vidro traseiro, em vez do plástico usado em esportivos de pequena produção, que logo perdia transparência. Uma barra transversal ligava as colunas B, fortalecendo o monobloco e havia como reforços sob o assoalho. Adaptação da carroceria e a aplicação da capota ficavam a cargo da Karmann Ghia — em São Bernardo do Campo (SP), assim como a própria Ford na época.Por dentro ele era um XR3 comum na parte dianteira, incluindo o pequeno volante e o painel com conta-giros, mas o banco traseiro foi reduzido a dois lugares para acomodar a estrutura da capota nas laterais. Após liberar as travas junto ao para-brisa e recolher o teto, o dono da versão conversível desfrutava de uma sensação que sempre foi incomum na indústria nacional.


OITENTA E TRÊS

Era bom que o clima do carro fosse despojado, porque se você quisesse acelerar para valer... Sob o capô estava o motor CHT 1.6 a álcool, evoluído do 1.3 do primeiro Corcel (1968), com comando de válvulas no bloco e potência de apenas 83 cv. Nem as cinco marchas curtas do câmbio alegravam o Escort, que pesava cerca de uma tonelada, 70 kg a mais que o modelo fechado.

Depois de pouco mais de um ano com o desenho original, na linha 1987 o modelo conversível foi remodelado seguindo o europeu, com linhas arredondadas e para-choques envolventes de plástico. Não havia mais faróis de neblina, mas os de longo alcance permaneceram sua marca. O interior trazia formas mais suaves no painel. O motor, com pequenas alterações, fornecia 86 cv.

AJUDA ALEMÃ


Foi a associação da Ford com a Volkswagen na Autolatina, entre 1987 e 1995, que rendeu injeção de ânimo aos XR3: hatch e conversível ganhavam em 1989 o motor AP 1.8 do Gol GTS, com 99 cv (álcool). Agora a Ford tinha um esportivo à altura do próprio GTS e do Kadett GS, da Chevrolet. Ao lado de para-choques na cor da carroceria, o modelo 1990 recebia acionamento eletro-hidráulico da capota. Dois anos depois vinham bancos dianteiros Recaro, direção assistida e a opção de amortecedores com controle eletrônico — primazia do XR3 fechado entre os nacionais.

O Escort 1993 vinha todo novo com maiores dimensões, plataforma inédita e linhas em sintonia com o europeu. No XR3 os faróis de duplo refletor dispensavam os de longo alcance, mas os de neblina estavam de volta. Dessa vez, modelos fechado e aberto compartilhavam as lanternas traseiras. Abrir a capota revelava um novo interior com volante ajustável em distância (primeiro no Brasil) e rádio com toca-CDs e equalizador gráfico. Bancos Recaro permaneciam um opcional desejado.

O motor também mudava: era o mesmo AP 2.0 a gasolina com injeção (ainda analógica, Bosch LE-Jetronic) e 116 cv do Gol GTI. Suspensão traseira com eixo de torção — antes era independente McPherson — e freios a disco nas quatro rodas eram outras novidades. Essa geração durou até o modelo 1995, que trazia novas rodas, opção de motor a álcool com 122 cv e injeção digital FIC. Com o mercado aberto aos importados, o interesse pelo conversível nacional — não mais único, pois competia com o Kadett GSi — havia diminuído e a Ford encerrou sua produção.  


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