fechar X

Por João Anacleto // Fotos: Divulgação

Sempre foi fácil para quem é Viciado em Carro se apaixonar por um Subaru WRX. Força, torque e potência de sobra concentrados em um sedã, à primeira vista, comum. Tudo amparado pela magia escondida na tração integral. Era a fórmula mais equilibrada que você poderia querer para gargalhar ao volante sem ter de despejar fortunas em uma concessionária de marca alemã. Mas nem tudo eram flores. A suspensão dura demais, a vedação deficiente para os roncos do motor boxer e o câmbio, mesmo o automático, bruto para um carro civil o afastaram de quem não queria só um carro esportivo. Faltava refinamento, um espaço interno mais aconchegante e mimos que qualquer sedã de R$ 150 mil, com duzentos e tantos cavalos teria.

75%

Hoje o WRX é capaz de agradar aos dois lados. Sim, há uma parte dos puristas que jamais perdoarão um câmbio CVT tracionando tamanha lenda automotiva. No outro sentido deve ser por isso que ele ganha cada dia mais adeptos ao redor do mundo, e no Brasil também. Segundo a Caoa, importadora do carro, houve um acréscimo de 75% nas vendas nos dois primeiros meses de 2017 frente ao mesmo período de 2016.

A parte mais importante, que trabalha sobre o capô, se mantém firme na tradição monárquica dos icônicos motores boxer. O 2.0 16V, de quatro cilindros contrapostos, equipado com um turbo, rende 270 cv de potência e 35,7 mkgf de torque. Só como comparação, aquele Corolla que você tanto admira e que acha um carro honesto traz um 2.0 16V – também com câmbio CVT – que gera 153 cv e 20,3 mkgf de torque, ao preço de R$ 114.990. O WRX sai por R$ 142.700. E não precisa ficar com dúvidas do quanto estes R$ 27.710 sairão baratos na relação custo/benefício (se preferir troque o benefício por alegria, diversão ou prazer que também cabe).

Subaru WRX

Se antigamente ninguém comprava um WRX pelo acabamento interno, essa história também mudou. Os plásticos estão bem trabalhados e a forração de couro dos bancos evita materiais sintéticos. É de gado mesmo. A posição de dirigir permanece irrepreensível, assim como a pegada do volante e a clareza dos instrumentos. Há bom espaço para três pessoas no banco traseiro e o porta-malas abriga até 460 litros de bagagem. A vedação acústica está melhor do que nunca, o que é bom para a maioria, mas irrita quem gostava de sentir o motor boxer soprando desvairadamente.

Faz falta uma central multimídia? Faz. Mas você pode compensar o entretenimento com o monitor no topo do painel que lhe informa sobre a gestão do carro. Dá até para ver o quanto de pressão a turbina gera, entre outras funções. Junte isso ao desenho estonteante do lado de fora, daqueles que impede que se passe despercebido e pronto. O melhor carro por esse dinheiro é todo seu.

SENHORINHA

Ao volante a experiência de brutalidade se dá de maneira mais contida e você pode escolher como a curva de torque vai aparecer sob o toque do acelerador. Há três modos de condução. Na mais branda, a Inteligent (SI), os 35,7 mkgf se dividem gradativamente pela aceleração, no modo Sport (S) chegam um pouco antes das 3.000 rpm e no modo Sport Sharp (S#) ele mantém toda a força concentrada a partir das 2.100 rpm. Mas isso não lhe faz sentir medo.

O CVT alivia a carga desnecessária de adrenalina e, ainda que consiga dividir a entrega em 8 marchas, impede trancos incômodos ou sustos. Mesmo com a certa demora em entender qual engrenagem deve usar com o seu pé cravado no assoalho, ele vai de 0 a 100 km/h em meros 6,1 s e chega aos 240 km/h de velocidade final. Tais números esclarecem que o Subaru não ficou pior como parte dos entusiastas sugere. Seu desempenho se mantém no mesmo nível de sempre, algo que já vale nossa reverência. A diferença é que hoje uma senhorinha pode guiar um desses por anos e anos sem saber o que ele significa. Basta não provocá-lo. O WRX é um grande cachorro manso, que só mostra os dentes se você lhe puxar os lábios. E, claro, você sempre vai puxar. 

Subaru WRX

Leia também
Comente!*