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TORA! TORA! TORA!
A Nissan dispara o míssil Sentra SE-R Spec V para incendiar o mercado de carros esportivos no Brasil
EDUARDO HIROSHI FOTOS WAGNER MENEZES/M2

Nissan Sentra SE-R Spec V
Honda Civic Si
VOCÊ NÃO É OBRIGADO A ENTENDER O SIGNIFICADO do título desta reportagem. Nem largar a revista para descobrir no Google que "Tora! Tora! Tora!" foi o código que os japoneses usaram para iniciar o ataque à base americana de Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941. Traduzida ao pé-da-letra, tora significa tigre. E está formada a analogia: o que você verá neste comparativo é a investida de dois tigres japoneses, cada qual ao seu modo, empenhados em marcar território. O que as feras pretendem é abocanhar o pouco explorado naco de mercado local dos esportivos que cabem nos bolsos mais apertados. A equação é básica: lucro e prestígio para quem fabrica, diversão e prestígio para quem compra.
Até aqui, o Honda Civic Si dominava o pedaço: era a única opção de sedã quatro portas nervoso. Era - já que, a partir de mais alguns meses, passará a dividir forças com o Nissan Sentra SE-R Spec V que, por enquanto, apenas está sondando a área. A Nissan diz que não tem planos de trazer o carro, que a única unidade disponível é para estudos de mercado e et cetera. Traduzindo o dialeto, o carro virá, pois a marca sabe que este tipo de modelo fará bem para a imagem da empresa, ainda muito associada aos utilitários 4x4. E quem afirmar que o preço do SE-R estará próximo dos R$ 99.500 cobrados pelo Si, corre o sério risco de estar certo.
Bem, mas o que fazer com um carro que nos foi cedido pela marca por alguns dias "apenas para sondar o mercado"? Convocar o outro tigre e colocar as duas feras na arena para brigar, é claro! Prepare-se, pois: o que o amigo verá a seguir é apenas uma prévia do que teremos nas ruas nos próximos meses.
LUGAR Honda Civic Honda Civic Si
GOSTAMOS
Aparência, estabilidade, acabamento

PODE MELHORAR

Desempenho, lista de equipamentos

CONCLUSÃO

Ágil como um tigre na hora do ataque

Dirigir um Civic Si é um permanente exercício de autocontrole. É um daqueles carros que exige que o motorista pise fundo no pedal direito - no caso, um acelerador tipo prancha, colado no assoalho, como nos esportivos de antigamente. Ao girar a ignição, o painel acende em vermelho, não no azul relaxante do Civic normal: sinal de que há um coração nervoso prestes a disparar. Os bancos com largas abas laterais e revestimentos de camurça, como nos carros de competição, o belo volante de três raios e a ótima posição de dirigir completam o ambiente.
Pé no fundo, o carro ganha velocidade rapidamente. Quando o conta-giros chega às 6.000 rotações, faixa em que a maioria dos carros começa a perder fôlego, o Civic dá um pequeno coice: é o momento em que o comando variável do motor entra em ação, mudando o regime de cruzamento das válvulas. A potência máxima de 192 cavalos é atingida a 7.800 giros, um pouco antes da faixa vermelha que começa em 8.000 rpm. A potência específica é de 96,1 cv/l, relação típica de carro turbinado. Como comparação, o Sentra tem 81 cv/l.
O comportamento do carro é referência. Um exemplo: o fotógrafo Wagner Menezes pediu para que entrássemos forte em uma curva fechada. O Civic não saiu do foco das lentes, dobrou com tranqüilidade e equilíbrio. O Sentra saiu desfocado: o Nissan entrou na curva brigando com o motorista, exigindo correções no volante para manter o traçado e o nariz apontado para o raio da curva. O comportamento neutro do Honda é mérito da suspensão traseira independente, da calibragem mais dura de molas e amortecedores e da maior rigidez da carroceria.
Como o Sentra não tem controle de estabilidade, deixamos o sistema do Civic desligado. E, como última observação, as fotos foram feitas na pista de testes da GM, em Indaiatuba, onde a C/D testa seus carros cercada de segurança. Se você tentar fazer este tipo de gracinha na rua, suas chances de se dar mal são grandes. Melhor evitar.

Equilíbrio x força bruta

O Civic é um carro cheio de virtudes. Por isso foi uma surpresa vê-lo terminar em segundo lugar. O Sentra, com seu motor 2.5, chegou na frente na maioria das provas de desempenho e freou melhor - dois fatores que pesaram bastante na soma das notas (veja, a propósito, o que a Honda fala sobre a eficiência dos freios do Si na seção de cartas).
Outro ponto que pesou contra o Si foi a lista de equipamentos. Ele tem dois air bags, contra seis do rival, o computador de bordo tem funções limitadas (dois hodômetros, temperatura externa e marcador de consumo). O Civic também não tem teto solar, um opcional no SE-R. Em compensação, o Honda oferece controles de tração e de estabilidade de fábrica - o Sentra só tem o de tração oferecido como opcional.
No comparativo, o Civic demonstrou ser o mais equilibrado para quem gosta de andar rápido. Mas a força bruta do Sentra SE-R falou mais alto. Imagine um pega entre os dois carros em um circuito sinuoso de baixa e média velocidade e é provável que o Honda chegue na frente. Saia da pista e emparelhe os dois em uma estrada aberta e reta: o Si levaria vantagem no primeiro quilômetro, mas depois perderia fôlego e ficaria para trás.
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Edição 23
 

 

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