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A lei do mais sóbrio
Tolerância zero para quem bebe
Luís Perez Fotos: Zé Amaral

Com a lei que passou a vigorar em 19 de junho, o motorista flagrado com teor alcoólico igual ou maior a 0,30 mg/l, pode ser multado em R$ 955, ter a habilitação suspensa por um ano e o carro apreendido. E, como criminoso, pode passar de seis meses a um ano na prisão. Teores abaixo deste índice, de 0,1 mg/l a 0,29 mg/l, apenas livram o infrator da cadeia, mas não da multa, da suspensão da carteira e da apreensão do veículo. O limite, de 0,6 mg por ml de sangue, é um dos mais rigorosos do mundo. É a lei seca, ou tolerância zero, sancionada pelo governo na tentativa de reduzir o índice de mortes no trânsito. Na primeira semana de vigência da tolerância zero, 300 motoristas foram detidos, 26 dos quais só na cidade de São Paulo, por apresentarem álcool no sangue. Eles foram pegos no teste do bafômetro - aparelho que indica o nível de teor alcoólico por litro de ar expelido.

Dados do Ministério da Saúde apontam que 28 mil brasileiros morrem - ou provocam mortes - em acidentes por excesso de álcool. Reverter este quadro exige ações radicais. O problema é que, como todo ato de radicalismo, a lei criou brechas. Quem, por exemplo, borrifar extrato de própolis na garganta, fazer bochecho com anti-séptico bucal ou comer bombom recheado de licor, corre o risco de ser preso, caso o policial siga à risca o que determina a lei. Nosso repórter fez a experiência: se tivesse sido pego em uma blitz (que começou a se intensificar País afora), provavelmente ele não estaria aqui para contar a história. Veja seu relato.

Bochecho com alto teor
"Você não estaria apenas preso. Estaria morto!", comentou um policial ao checar o visor digital do etilômetro (que o povo batizou de bafômetro) apontando 1,75 miligrama por litro de ar expelido. E eu não havia tomado nenhum porre, mas acabado de fazer bochecho com Listerine, um dos mais conhecidos produtos de higiene bucal à venda no varejo e com 21,6% de álcool em sua composição. É comum encontrar este tipo de anti-séptico nos banheiros de muitos restaurantes. O teste foi feito nas dependências do 34º Batalhão da Polícia Militar de São Paulo, responsável pelo trânsito na cidade. Se eu tivesse soprado o bafômetro em uma blitz...

"Você teria de conversar com o policial e explicar que usou o anti-séptico", disse o major Ricardo Fernandes de Barros, comandante interino do 34º BPM. E eu seria obrigado a aguardar de cinco a vinte minutos para fazer outro teste, tempo mais que suficiente para que o álcool contido no produto se dissipasse da mucosa bucal. Cinco minutos depois, nova baforada no etilômetro e o resultado: 0,10 mg/l. Outros cinco, o índice cairia a zero.

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