No limite Três pilotos aceleram nossos esportivos em Interlagos para descobrir qual o melhor nas retas, nas curvas e nas arrancadas
LUIZ GUERRERO FOTOS CLAUDIO TEIXEIRA E JOÃO MANTOVANI
Honda Civic Si (192 cavalos) e Volkswagen Golf GTI (193 cavalos) são os carros nacionais mais rápidos que você pode comprar. É pouco, mas é o que temos até a chegada, no fi m do ano, do Fiat Punto 1.4 Turbo (155 cavalos). Ainda assim é muito pouco para uma oferta de cerca de 200 versões de automóveis nacionais ou do Mercosul.
Mas se é o que temos, por que não aproveitar ?
Reunimos os três carros em Interlagos com a seguinte proposta: descobrir qual seria o mais rápido em retas, o mais rápido em curvas e qual deles chegaria antes na arrancada até 400 metros, a prova do quarto de milha. A Racing Crono, de São Paulo, instalou os sensores de cronometragem na Reta Oposta e no miolo do circuito, entre as curvas do Laranjinha e do Bico de Pato e nos cedeu os relatórios com os resultados. Para a prova de arrancada, as medições foram feitas no antigo Retão do circuito, um trecho hoje desativado, mas com bom asfalto. E, para baixar os tempos, convidamos três pilotos - Giuliano Losacco (JF Racing), Daniel Serra (Red Bull Racing) e Norberto Gressi Filho (Nova/RR Competições) - que disputam a Copa Nextel de Stock Car e também o campeonato de GT3.
Os pilotos revezaram-se ao volante dos carros para três voltas rápidas no circuito e para três tomadas no quarto de milha. Ao fi nal, eles deram suas opiniões a respeito do comportamento de cada um dos esportivos e elegeram os preferidos. Roberto Manzini, da escola de pilotagem que leva seu nome, não dirigiu nenhum carro, mas teve participação importante no desafi o: ele cedeu o espaço de sua escola na pista em uma tarde nublada de segundafeira. Também deixou à nossa disposição a sua equipe de apoio.
As fábricas, por sua vez, mandaram seus carros da forma como saíram da linha de montagem, sem nenhum preparo especial. E vale dizer que, se você está sentindo falta de um carro neste teste, saiba que convidamos o Lobini, um esportivo artesanal com motor de 180 cavalos, para participar do pega. Mas a fabricante não demonstrou interesse no convite. Importados? Fora de cogitação.
Fiquemos, portanto, com nossos três foguetinhos de bolso. Depois de quatro horas na pista, a conclusão foi surpreendente: nem sempre o motor mais forte levaria vantagem em uma prova que alinhasse os três carros no mesmo grid. Ou nem sempre o melhor conjunto consegue os melhores tempos. Você vai entender a lógica nas páginas seguintes.
Se não beber gasolina premium, o GTI perde força
A suspensão do GTI é fi rme para rodar na cidade. Mas, levada ao limite na pista, mostrou-se macia: a carroceria balança muito. O motor quatro cilindros turbo só libera 193 cavalos com gasolina de 98 octanas - com combustível comum, a potência cai para cerca de 185 cavalos. A ergonomia (foto ao lado) mereceu elogios, mas não a relação do câmbio de cinco marchas
Nossos melhores esportivos têm carroceria quatro portas decoradas com discretos adesivos e apêndices aerodinâmicos. E, entre eles, é um sedã que desperta maior interesse dos alunos e dos instrutores do curso de pilotagem. É o Civic Si preto, não a novidade pintada de vermelho estacionada em um dos boxes de Interlagos - o Punto Turbo. Apesar de portar mecânica defi nitiva, cuja alma é o motor quatro cilindros 16V turbo de 155 cavalos trazido da Itália, o carro é considerado protótipo pela Fiat, não uma versão de série. Até o lançamento, previsto para o fi m do ano, o Turbo terá componentes exclusivos - por enquanto ele é montado com rodas de 17 polegadas do Stilo e com o kit esportivo disponível para o Punto Sporting. Tem cara de mau, mas deve fi car mais bravo ainda.
Um curioso pede para abrir o capô, examina o motor, checa a posição da pequena turbina Garret junto ao cabeçote, pergunta a potência e se lembra do Uno Turbo. Daniel Serra, o Serrinha, que ganha a vida guiando um Stock de 480 cavalos, assume o volante do Fiat, ajusta o banco (também emprestado pela versão Sporting) e acelera em ponto morto. O turbo começa a atuar por volta dos 3.000 giros, mas o som que sai do escapamento é civilizado. Alguém acorda o V8 de um Maserati Coupé estacionado ao lado e ouve-se algo parecido com um trovão. Difícil acreditar que ambos os carros têm a mesma origem.