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Land Rover Defender 110
De volta ao Brasil, o trator escalou mais um degrau
LUCAS LITVAY FOTOS JOÃO MANTOVANI

À frente, uma parede – três grandes pedras com areia e água. Estou ao volante do quarto jipe da caravana e noto que o barro levado pelos pneus dos que seguem na dianteira começa a se acumular no obstáculo, deixando as pedras mais escorregadias. Estamos no meio do nada, no extremo oeste da reserva natural de Jalapão, sertão do Tocantins, local com densidade demográfica menor que a da Floresta Amazônica. Aqui estamos: eu, a parede e o Land Rover Defender 110 que, depois de três anos, retorna ao Brasil como imigrante britânico.

Na primeira tentativa, as rodas patinam. Forço o pedal do acelerador, o ronco seco do motor sobe acompanhando o conta-giros, mas a agulha do velocímetro permanece imóvel: o carro não anda, mas a fumaça do diesel queimado escurece o céu. Até chegar ao obstáculo, havia rodado três horas por sobre pedras, areia, barro e valas, e agora chegou a hora de avaliar a reduzida do jipe. O engate requer alguma técnica e muita força. Saio em segunda para preservar o equipamento e o maior desafio do percurso se transforma em uma mureta para este trator com roupagem de jipe. Havia ainda outro recurso, uma carta na manga que deve ser descartada em casos extremos – o bloqueio do diferencial central. Não foi este o caso.

O Defender ganhou mais energia com o novo motor e com a nova caixa de transmissão de seis marchas
Os 49 graus (entrada) e os 35 graus (saída) ainda são referências

para-o-que-der-e-vier”, o Defender ganhou fama de o mais valente desbravador de aço já produzido. É a condução de quem se embrenha no deserto ou nas savanas africanas. Quando a rainha da Inglaterra saía para as caças às raposas, esse era – e eventualmente ainda é – o seu transporte. Há 60 anos mantém-se praticamente imutável e agora, nesta geração, o jipe tomou um banho de loja. Calma: ele não virou um Discovery. Continua sendo um trator sem pretensões de conforto. O espaço ao volante continua minguado, o motorista segue sentado rente à porta e sem apoio para o pé esquerdo e o revestimento acústico não funciona. É mais provável que o árido Jalapão vire mar que o Defender um utilitário-esportivo. A Tata, que comprou a marca, não deverá mudar um parafuso do modelo.

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