Peugeot 207 XR 1.4 Solução caseira para correr atrás do prejuízo
LUCAS LITVAY FOTOS JOÃO MANTOVANI
No meio do caminho havia uma pedra - que, no caso da Peugeot, se chamava alto custo de produção. Estamos em 2005 e chega o momento do 206, com seu premiado design felino, ir à sala de cirurgia. Na Europa, após sete anos com a aparência inalterada, o modelo seria substituído em 2006 pelo 207, um carro maior, mais moderno e mais sofisticado. Enquanto os franceses batiam o martelo, no Brasil a discussão era outra - quanto custaria fabricar o mesmo carro por aqui? Feitas as contas com os fornecedores, chegou-se à seguinte conclusão: um 207 à moda francesa deveria ser vendido por cerca de R$ 50 mil, quase o preço de um 307 argentino, para cobrir o investimento. A discussão não levou mais de três meses: o projeto foi abortado antes do nascimento.
Painel do 207 tem a base do 206, mas o desenho é inspirado no do francês. Botão de vidro segue no console
E agora, José? A concorrência mudou, o custo aumentou e o investimento caiu. Com números que não fechavam, a solução oferecida pela Peugeot do Brasil não foi tão poética: a marca sugeriu à matriz um facelift para dar sobrevida ao 206. As vendas seguiam muito boas, mas sem o mesmo fôlego de antes. Seria a estratégia correta? Os franceses tinham dúvidas. Mas em uma reunião em Paris, em setembro de 2005, foi decidido que o carro ganharia contornos do 207 europeu e manteria a base atual. Uma equipe de 150 pessoas entre engenheiros, designers e estrategistas ficou por três anos na ponte aérea entre o Rio e a capital francesa.
Finalmente, no começo de 2008, com um investimento infinitamente inferior, o carro ficou pronto. Surgia outro problema: que nome dar à criança? "Fizemos uma pesquisa para escolher o nome do veículo", diz Laurent Tasté, presidente da Peugeot brasileira. "Recebemos dezenas de sugestões dos clientes. Mas duas coisas ficaram claras na pesquisa. A primeira, que o nome dos carros da marca Peugeot está associado a números. A outra é que o consumidor dizia que o 206 e o novo veículo não eram o mesmo carro. Decidimos então batizá-lo de 207, pois ele ficou com a cara da família 7."
SAI NOME E ENTRAM LETRAS
Com a chegada da opção sedã do 207 que terá o nome de 207 Passion, a Peugeot mudou a nomenclatura de suas versões de acabamento. Saem de cena nomes afrancesados como Presence e Feline e entram em seu lugar letras. As escolhidas foram XR para a opção 1.4 e XS para a 1.6. A ação não é inédita. Na década de 90 a Peugeot usava letras para designar as versões de acabamento.
Na Argentina, onde também será produzido, o hatch receberá o sobrenome Compact. Lá, o 207 de nova geração, importado da França, será vendido a partir de julho. Por aqui, 206 e 207 conviverão na mesma loja - o 206, com motor 1.4 e câmbio manual, será o carro de entrada da marca: sem ar ou direção custará menos de R$ 30 mil.
PARA FRANCÊS VER
Mas, afinal, o 207 nacional é um carro novo? A resposta é não. A plataforma, as dimensões e o conjunto mecânico são praticamente os mesmos do 206. Pode-se dizer que o nosso 207 seja uma evolução do 206 e que do 207 europeu o brasileiro só compartilha o nome. Veja: o nacional é 20 centímetros menor que o francês. Ao vê-lo e ao dirigi-lo, a sensação é de que estamos em um 206 melhorado.
Mas vamos esquecer isso por enquanto e nos concentrar no seguinte ponto: o novo 206, ou melhor, o "207 Brasil" (como o carro será apresentado nos anúncios), tem qualidades para incomodar a concorrência. Até o fechamento desta edição a Peugeot não havia divulgado o preço, mas a opção de entrada com motor 1.4 Flex, que já vem com ar-condicionado e direção hidráulica, deverá custar cerca de R$ 34 mil.