Seu carro será assim. Será? A pergunta parecia simples: qual configuração de carroceria será lançada daqui a 10 anos?
SUELI OSÓRIO
Dois estudos de tendência de design feitos a pedido da C/D: Acima, a cápsula imaginada pela equipe da VW. Abaixo, o estilo proposto pela Ford
O BMW X6, lançado em abril (C/D 6), inovou ao enxertar o corpo de um cupê em uma carroceria tipicamente de SUV, dentro de uma configuração batizada de Sports Activity Coupé. Houve o mesmo tipo de espanto quando os franceses da Matra recriaram, no começo dos anos 80, o conceito de monovolume (atribuído à americana Stout, com o Scarab, em 1936) ou quando a Subaru cruzou formas de perua com utilitárioesportivo que resultaram na Legacy Outback no início dos anos 90.
Mas o que vem por aí? Qual o estilo que predominará nos próximos 20 anos? O que está hoje nas telas dos computadores - e que em quatro anos será visto nas lojas? São perguntas que não têm respostas objetivas. "Há uma forte inclinação para os carros compactos, os city-cars, com carroceria monovolume", afirma Carlos Eugênio Dutra, diretor de Desenvolvimento de Produto da Fiat do Brasil. Os monovolumes, explica Dutra, são mais altos, favorecem o espaço interno e, em conseqüência, podem transportar mais passageiros ou maior volume de carga. Ele também acredita que a moda retrô, muito forte nos últimos anos, deva diminuir.
O futuro,segundo Luiz Alberto Veiga
"Os carros que estarão nas ruas em 2020 terão formato de cápsulas para um ou dois ocupantes e contarão com um pequeno porta-malas", prevê Gérson Barone, chefe de Design da Volkswagen do Brasil.
O trânsito impraticável das cidades, no entender de Barone, determinará o surgimento de microcarros desse tipo para transporte individual em bolsões de aluguel. "Seriam veículos facilmente recicláveis, de manutenção barata e construção simples."
Mas o designer também aposta na personalização cada vez maior do automóvel. "Espera-se que o carro tenha componentes de fácil intercâmbio, como faróis, lanternas e pára-choques e que as fábricas ofereçam revestimentos internos, como capas de bancos, para que o comprador monte o veículo conforme seu gosto pessoal." Painéis virtuais, como em um desktop de computador doméstico, e cores mutantes da carroceria por meio de cargas elétricas, fariam parte do pacote.
Será? Há estudos neste sentido, mas Luiz Alberto Veiga, Chefe de Design para a América do Sul da Volkswagen, não acredita em mudanças radicais no automóvel. De seu estúdio em Wolfsburg, na Alemanha, sede mundial da marca, Veiga diz que o carro que ele está desenhando hoje será derivado dos segmentos já conhecidos atualmente.
"Se a gente voltar na história, verá que as carrocerias de hoje não são muito diferentes das de 20 anos atrás. O que já começou a acontecer é o uso de carrocerias clássicas em veículos com aplicações diferentes. Não me espantaria se visse uma elegante limusine como um crossover ou uma minivan extremamente esportiva."
João Marcos de Oliveira Ramos, gerente do Departamento de Design da Ford América do Sul, fala em flexibilidade. "As configurações tradicionais devem mudar para atender a essa tendência." Os sedãs, por exemplo, durante décadas tiveram configuração similar, mas nos últimos anos passaram a oferecer banco traseiro rebatível e deslizante sobre trilhos, o que resultou em flexibilidade parecida com a das peruas. "A idéia é que configurações ou atributos de certas carrocerias venham a se unir gerando novos conceitos. Tudo isso embalado por um desenho diferenciado." Mas que tipo de desenho? Nada radical, por enquanto, afirma Carlos Eugênio Dutra. "Acho pouco provável que haverá mudanças significativas nas formas dos veículos dentro de dez ou 15 anos, embora acredite que os estilos tendam a se misturar." O que pode acontecer, segundo ele, é o resgate das linhas esportivas.