FORD FOCUS 2.0 GHIA Quase um volvo? Nem tanto
O hatch argentino usa a mesma base do C30. Mas ainda é um (bom) Ford
BIA FIGUEIREDO FOTOS João Mantovani
OLÁ, MENINOS!
Nem bem comecei minha carreira de correspondente internacional da C/D e consegui dar uma escapada de dez dias para o Brasil. Foi ótimo - além de rever a família e os amigos, dirigi um carro que me despertava muita curiosidade, o Ford Focus.
Não entendia por que a maioria dos jornalistas (incluindo o pessoal aqui da revista) falava tão bem dele. Também me intrigava o fato de o Focus ganhar a maioria dos comparativos contra carros que eu julgava excelentes.
As revistas europeias vivem elogiando o modelo - que, a propósito, é praticamente idêntico ao carro fabricado na Argentina (o Focus americano não tem nada a ver com o europeu). Será que o Focus é tão bom assim? Vamos conferir.
gostei
Ergonomia, chassi, Equipamentos
pode melhorar
Preço, estilo da traseira, curso da alavanca de câmbio
conclusão
Um grande carro. Com preço de carro grande
Parente de Volvo
Passei alguns dias com o hatch Ghia, topo de linha, 2.0, câmbio manual. E logo à primeira vista notei alguns detalhes de estilo parecidos com os do Volvo, como o forte vinco na tampa do motor e a linha de cintura bem marcada.
Seria estranho, caso esses carros não tivessem laços de família: o Focus usa a mesma plataforma do Volvo C30 (a marca sueca ainda pertence à Ford). Mas falta a ele o refinamento do carro sueco. O Focus ainda é um Ford - talvez o modelo mais acertado da marca no Brasil.
O desenho mudou muito, sem mudar quase nada - a essência do hatch foi mantida, mas com uma forte pincelada de modernidade. Bom, porque eu já tinha enjoado do antigo que, aliás, deve deixar de ser fabricado no fim do ano.
Gostei do estilo, mas bem que a Ford poderia ter mexido um pouco mais na traseira do carro. Será que mantiveram aquelas linhas de propósito, como a Volkswagen faz com as colunas traseiras do Golf? Acho que é por aí. Por dentro, temos um carro com bom acabamento, muitos acessórios e, como na versão antiga, com uma ergonomia bem- estudada.
Com tanto capricho, esperava um volante - afinal, é a peça que faz a ligação entre o homem e a máquina - mais transado. Também achei que o pessoal de estilo poderia quebrar um pouco mais a cabeça para criar um sistema de controle de som mais compacto, menos feio e menos confuso que este: o módulo fica preso à coluna de direção, atrás do volante, e lembra muito os módulos de som dos carros franceses. Para a gente, seria mais prático encontrar os comandos nos raios do volante.
Quente ou frio
O som, fornecido pela Sony, é de excelente qualidade - e o rádio tem dez canais de memória, entrada para MP3 e um visual bem legal: à noite é iluminado por luz vermelha. A saída do MP3 fica escondida no porta-trecos do apoio de braço.
O quadro de instrumentos, formado por dois segmentos circulares, não apresenta ousadias. E isso é ótimo: nada como o básico fundo preto, algarismos brancos e agulhas vermelhas.
Não cansa os olhos e não causa confusão visual. Só achei o velocímetro otimista demais - escala até 240 km/h? O quadro é completado por dois círculos menores dos indicadores de temperatura e do nível do combustível. No centro, uma janela com informações do computador de bordo.
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