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Competição
Picape extrema
A L200 Triton RS foi construída com um único objetivo: voar baixo nas pistas de rali
Luiz Guerrero Fotos João Mantovani

Tem cara de Triton, mas não se engane: a RS é um carro de pista feito com estrutura tubular, suspensão independente e motor a álcool

Impressão minha ou este carro não é nem um pouco traseiro? Pista de testes da Mitsubishi, interior de São Paulo (no mesmo circuito de terra em que mostramos o Evo IX de rali, C/D 8). E neste exato instante, a situação é por demais embaraçosa: depois de uma escapada de traseira, o motor da picape L200 Triton RS se apaga, a alavanca de câmbio não se move.

Há um barranco a uns dez centímetros do para-choque dianteiro e uma valeta calçando a roda traseira. Tento me acalmar antes de gritar por socorro.

Quase 150 km/h em 800 metros de reta (na terra, meu amigo) É muito rápido!

Casca fina

A L200 Triton RS é um carro de competição construído pela Mitsubishi Motors do Brasil para a disputa da nova categoria da Mitsubishi Cup. Da picape que lhe empresta o nome, foi mantida apenas a aparência, moldada em uma casca de fibra, e alguns componentes mecânicos.

O chassi é tubular e a suspensão (apoiada por dois amortecedores Ohlins e duas molas Eibach em cada roda) é independente. O diâmetro das rodas foi mantido (16 polegadas), mas os pneus 265/70 da Triton original foram trocados pelos Pirelli Scorpion Rally 235/85. O desenvolvimento durou dois anos.

"É um projeto específico para a Mitsubishi Cup", conta Guilherme Spinelli, o Guiga, tetracampeão de rali cross-country, bi do Brasileiro de Velocidade e agora diretor de Competições da Mitsubishi Motors do Brasil. Foram feitas 15 RS, dez das quais correm nas sete etapas da Cup.

A construção primorosa indica que muito dinheiro foi investido no projeto. Da mecânica original foram mantidos a caixa de redução e os freios dianteiros. As rodas traseiras ganharam discos ventilados e a caixa manual de cinco marchas é da Eaton.

O V6 de 3,5 litros foi convertido para beber álcool pela preparadora gaúcha Dakar, que remapeou a central eletrônica e trocou os pistões originais por outros de cabeça plana para aumento da taxa de compressão. A potência foi de 200 cv (5.000 rpm) para 247 cv (5.200 rpm) e o torque de 31,5 mkgf (3.500 rpm) para 40,8 mkgf (4.200 rpm).

A taxa ficou nos 11,5:1 (o motor a gasolina tem 9:1). A RS é 520 centímetros mais curta e 125 centímetros mais larga que a L200 Triton. Não é grande, mas seu porte impressiona - mais ainda por causa dos quase dois metros de largura e da bela combinação de prata e vermelho da pintura. Em marcha lenta, o V6 trabalha liso a 2 mil giros, produzindo rosnado de cachorro grande pela saída lateral do escapamento. "Parece um pit bull", notou o diretor de arte da C/D, Paulo Sapata.

Em comum com a Triton, apenas as hastes na coluna de direção. Piloto tem o básico, como o conta-giros com indicação da melhor faixa, velocímetro digital, shift-light e indicadores de fluidos. Navegador conta com cronômetro, velocímetro, rádio e equipamento de navegação. No console central, a chave geral e a tecla de ignição. Bancos concha e cintos de 4 pontos são obrigatórios
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Edição 23
 

 
 

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