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Guerra dos mundos
Nem moto, nem jet ski, nem carro. Mas muito divertido
EDUARDO BERNASCONI FOTOS JOÃO MANTOVANI
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| Câmbio na mão e corte de rotação lá em cima: 180 km/h de máxima |
Nem moto, nem carro: o Can-Am Spyder é um triciclo divertido e que empurra bastante. Repleto de eletrônica, motor em V e mais de 100 cv, proporciona proezas com a segurança de que não vai faltar equilíbrio.
Veículos com três rodas no Brasil têm um passado que merece ser esquecido. Os triciclos que circulavam nas ruas eram ensaios de design bizarros, com motor de Fusca (nada contra o saudoso boxer que vinha nos VW), duas rodas atrás e uma na frente, pneus desproporcionais. Não, não estamos falando dos ATVs, que só rodam em ambientes fechados ou em competições.
Apesar de o Can-Am Spyder não ser considerado triciclo pela fabricante Bombardier Recreational Products (BRP), ele tem três rodas - duas na frente e uma na traseira. A marca prefere chamá-lo de roadster, mas nós preferimos considerar o modelo como um triciclo mesmo. A BRP também faz jet ski, snowmobile e quadriciclo. E fabrica os motores Rotax, fornecidos para motos BMW e Aprilia.
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| A transmissão aguenta abusos: a correia é de borracha com carbono |
JUST FOR FUN
O motor deste Spyder, bem a propósito, é um Rotax, dois cilindros em V, com 998 cm³, capaz de levar quem está em cima dele aos 100 km/h em pouco mais de 4 segundos e beirar os 180 km/h. Pode não parecer um desempenho incrível, mas acredite: é um brinquedo muito divertido, o verdadeiro "for fun". Além dos 106 cv a 8.500 rpm e 10,6 mkgf de torque (6.250 rpm), o câmbio semiautomático de cinco marchas mais ré, de trocas super-rápidas, colabora muito.
Uma pequena alavanca junto à manopla esquerda faz que se utilize o polegar para passar marchas para cima e o indicador para reduzi-las, com direito a punta-tacco eletrônico. Caso o piloto deixe, as marchas são reduzidas automaticamente, quando a rotação atinge 2.500 rpm. A ré é item obrigatório.
A eletrônica não dá espaço para vacilos. Com os dois eixos e três rodas é fácil abusar e tirar uma das rodas dianteiras do chão, em curvas rápidas. Aí que entra o controle eletrônico de estabilidade, para que ninguém saia voando. Em curvas, a sensação nem de longe lembra a de uma moto, mas a de um jet ski misturado com quadriciclo.
Outra diferença em relação às motocicletas: não se coloca o pé no chão para nada.
FUMAÇA BRANCA
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| O Spyder tem 1,50 metro de largura: não serve para motoboys |
Para frear, nada de manete no guidão. O freio combinado é acionado pelo pedal no lado direito. São dois discos na dianteira com pinças de quatro pistões e um na traseira com um pistão. Sistemas como ABS (antibloqueio) e EBD (distribuição eletrônica) também fazem parte do pacote de segurança. Quem quiser tirar onda, pode apertar o pedal do freio e acelerar ao mesmo tempo para fazer um pouco de fumaça queimando o pneu traseiro (255/50 R15; na dianteira são aro 14, 165/65).
Motor e câmbio têm sua força transferida para o pneu sarado com uma correia emborrachada, reforçada com carbono. Ou seja, a transmissão é silenciosa, assim como o escape unilateral. Na gringa, pode-se comprar um escape mais livre, que rende cerca de 5 cv extras. Mas não há falta de desempenho. É preciso peito para proezas em cima do Can- Am, mesmo que o equilíbrio não seja condição fundamental.
Para ficar satisfeito com o Spyder, não pode se esperar entrar em corredores no trânsito e ganhar tempo com ele, porém há funcionalidade com um porta-malas na dianteira, o prazer de um conversível e o estilo de um veículo exclusivo.
A BRP está vendendo o modelo semiautomático por R$ 79.500 e a versão com câmbio convencional, com trocas como em uma moto, por R$ 73 mil. |
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