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Auto Union 1000 Sp 1960
Linhas americanas, alma alemã: uma saborosa receita de esportividade
ARNALDO KELLER
FOTOS PAULO KELLER


FOTOS PAULO KELLER

O motor de três cilindros e 1 litro de capacidade cúbica rende 55 cv. A potência específica é alta - uma das características dos motores dois tempos, como este. O problema é que em baixas rotações o motor está mais morto do que vivo: a potência só dá as caras em giro alto e, quando ela aparece, já vem com tudo, como os antigos motores turbinados com aquela angustiante espera para o motor encher. Isso nos obriga a trocar de marcha o tempo todo para manter a rotação lá em cima.

Os amantes desse tipo de motor não ligam para isso. E sabem como fazer o equipamento render. Saber, eu sei - mas não me deito na cama sonhando com motor dois tempos em carros ou em motos: para o dia a dia prefiro motores mais elásticos.

FOTOS PAULO KELLER
O 1000 Sp tinha melhor acabamento que um Karmann Ghia. E era mais caro do que o rival da VW

Só há uma maneira de resolver a questão: descer a lenha no Auto Union 1000 Sp 1960 pertencente ao diretor do Auto Union DKW Club do Brasil, Eduardo Pessoa de Mello. O pó-pó-pó do dois tempos vira um contínuo rá-rá-rá!, uma vibração gostosa toma conta do ambiente, o carro me surpreende com boa aceleração e a coisa fica bem divertida. Lá fora, nosso colega John Lamm andou no Tipo D; aqui, aceleramos o 1000 Sp (de Speciale).

É a nossa maneira de homenagear os 100 anos da Audi e os 30 anos do Auto Union DKW Club do Brasil.

FOTOS PAULO KELLER
NO TOTAL, FORAM FEITOS 11.645 EXEMPLARES

AO ATAQUE
O Auto Union 1000 é baixo (1,32 metro de altura), o banco é baixo, mas macio, a ergonomia é boa, há bastante espaço para quem viaja na frente e há muito vidro ao nosso redor. Estar ao volante, portanto, é arejado e gostoso. A alavanca de câmbio é na coluna de direção, uma posição não muito esportiva, mas que funciona e amplia o espaço no assoalho. São quatro marchas, com a primeira engatada quando se puxa a alavanca para junto do volante e a erguemos. As hastes dos pedais penetram na parede corta-fogo.

FOTOS PAULO KELLER
As linhas e o volante de três raios transpiravam esportividade. O 1000 Sp trazia prazer ao dirigir, mas seu motor só rendia bem em altas rotações
FOTOS PAULO KELLER
Bancos confortáveis, intrerior espaçoso e uma excelente revista

É virar a chave, pressionar o acelerador um pouco e apertar o botão de partida. O carro não costuma pegar de pronto - e ao acordar é preciso acelerar mais fundo para limpar suas goelas. Depois disso você pode deixar a rotação cair que o motor se mantém na cadência do dois tempos. Em marcha lenta, a primeira metade do curso do acelerador provoca pouca reação do motor. Mas pise um pouco mais e o giro subirá além da conta. O dois tempos não permite aquele controle de sintonia fina de um quatro tempos bem afinadinho: ele só respira bem quando parte para o ataque. Aí a coisa é com ele mesmo.

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Edição 26
 

 
 

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