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Mitsubishi Pajero Sport Flex
O japonês nascido em Goiás trocou o saquê pela cachaça
Carlos Cereijo Fotos João Mantovani

Os ingleses bebem gim; os alemães, cerveja; os americanos, bourbon; os paraguaios, uísque... No Brasil, a bebida que representa a cultura do País é a cachaça. Mas qualquer que seja a bebida, a recomendação é 1- moderar e 2- não misturá-las. Em ambos os casos, o resultado pode ser desastroso e a enxaqueca, terrível. Com os motores, dá-se o contrário: desde 2003, a meta das fábricas é desenvolver motor que misture gasolina e álcool em qualquer proporção, cuidando para que o dono do carro não tenha dor de cabeça ao dar partida nas manhãs frias.
O passo mais recente é o Mitsubishi Pajero Sport Flex produzido em Catalão, Goiás. Ele renega a origem nipônica do saquê e pode beber puro álcool brasileiro. É o segundo veículo da linha a receber a tecnologia – o primeiro foi o Pajero TR4, em 2007. A novidade custa R$ 109.990, R$ 10 mil a menos que a versão a diesel, que continua sendo produzida.
Japão, Brasil
O utilitário-esportivo passou a carregar na dianteira o primeiro motor V6 bicombustível do Brasil (o primeiro V6 flex do mundo foi o motor E93 da GM americana, em 2006 ). O V6 também é o motor flex de maior capacidade cúbica, 3,5 litros. É o mesmo bloco do motor a gasolina, que foi aposentado, mas com algumas modificações internas promovidas no Japão: os pistões, a sede de válvulas e os anéis são novos.
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Com álcool, o motor tem sede: prepare-se para completar o tanque a cada 300 km |
No Brasil, os engenheiros da Mitsubishi e Magneti Marelli remapearam a central eletrônica de injeção, além de substituir componentes sensíveis à corrosão do álcool: bicos injetores, corpo de borboleta e galerias de combustível receberam tratamento. Para compensar o maior consumo, o tanque agora tem 90 litros, 15 a mais que o antigo, e é construído com plástico mais resistente. As mangueiras de combustível foram trocadas e o bocal de combustível foi niquelado.
CONVERSA DE BÊBADO
O câmbio automático de quatro marchas recebeu uma nova central eletrônica e passou a processar informações da central do motor sobre o combustível a ser queimado. Segundo a fábrica, essa conversa faz que o câmbio se adapte à mistura e aproveite melhor a potência e torque de cada faixa de rotação. No entanto, o câmbio mostrou certa euforia em alguns momentos da avaliação. Com o acelerador a meio curso, as centrais entendiam que o motorista provocava o kick down (a manobra de afundar o pé no acelerador para antecipar reduções de marcha nas caixas automáticas) e o câmbio selecionava uma marcha menor, causando trancos. Suspeitamos que o diálogo entre as centrais estivesse regado a cachaça, mas um dos engenheiros disse que o câmbio se adapta à maneira do motorista dirigir e pode provocar reduções antes do fim do curso por entender que você quer uma direção mais esportiva.

O motor é mais silencioso que marido chegando em casa depois da cerveja com os amigos. Os 205 cv de potência gerados com álcool conseguem carregar bem os 1.885 quilos do utilitário-esportivo. Se o câmbio colaborasse mais, o modelo teria mais harmonia.
Na trilha de terra batida o Pajero Sport Flex reencontra suas raízes. A suspensão absorve bem os solavancos e passa a sensação de robustez. No trajeto de nossa avaliação o modelo passou com calma. Alguns trechos exigiram engatar a reduzida, procedimento fácil. Num erro de julgamento, coloquei o carro numa valeta mais funda e com pouca aderência, mas o Mitsubishi cuidou de tudo e me salvou de um embaraço maior. Os novos pneus ATR também colaboraram para isso com seu melhor desempenho off-road. Em aclives existe o recurso A/T, acionado por um botão no painel. Ele impede que o carro desça a ladeira de ré quando você está no meio da subida.
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