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Opel Insignia 2.0 Turbo 4x4
O Vectra deles é (muito) mais carro
Luiz Guerrero Fotos Divulgação

Podia ser mais atraente na dianteira. Mas o conjunto compensa

Pensamos em algumas maneiras de começar esta avaliação do Opel Insignia, o carro que substituiu o Vectra. A mais elementar seria comparar o que os europeus têm - e o que nós temos. Não vamos por esta linha por uma razão: o que há de comum entre o Insignia e o Vectra vendido no Brasil são o número de rodas e o volante circular. O Vectra, por mais atraente que possa ser para muitos, estacionou no tempo; o Insignia é o que a Opel chama de "evolução do sedã". A inveja é condenável. Mas, neste caso, nossa inveja é justificada: o Insignia é um excelente automóvel.

Na época da avaliação, começo de maio, a Opel ainda era controlada pela GM (a marca seria incorporada pela Magna Steyr semanas depois), os funcionários do escritório em Paris, onde o carro nos foi entregue, temiam pelos seus empregos e não havia previsão de lançamento do Insignia OPC (de "Opel Performance Center") de 325 cv (finalmente confirmado para o segundo semestre). Por isso, tivemos de nos contentar com a versão quatro cilindros 2.0 turbo de 220 cv, tração integral e câmbio manual de seis marchas. E a nos preocupar com o futuro da Opel e dos seus colaboradores - uma preocupação que, esperamos, seja infundada.

Bufe você também

Reconhece-se um parisiense pela maneira com que bufa. E uma maneira de aperfeiçoar a técnica é dirigir no rush da capital francesa. Não basta encher os pulmões pela metade e deixar o ar escapar por uma fresta da boca: é preciso mostrar-se irascível, entrar decidido nas rotatórias, não se intimidar com as fechadas dos taxistas, conter o ímpeto de atropelar os turistas que se arrastam à sua frente com as bicicletas de aluguel e ignorar os motociclistas que passam a meio dedo do seu retrovisor. Há, claro, a possibilidade de você ralar a pintura do Aston Martin que circula no ponto cego ou afundar a traseira do Bentley que para de repente à sua frente. Mas em pouco tempo, você estará bufando como um francês. Da capital.

(Na seção "0 a 100", no começo da revista, mostramos o mapa da nova ordem mundial da indústria automobilística: se você ainda não leu, dê uma espiada).

Seja como for, o futuro do Insignia parece promissor. O carro, que nasceu para o mercado europeu, deve ser fabricado nos Estados Unidos ou no Canadá. Brasil? Improvável, mas nunca se sabe.

Paralelas

Veja as fotos e acredite em nós: as imagens não mostram o melhor do carro - a beleza sutil. O Insignia não tem a mesma elegância de um Mercedes CLS ou a agressividade de um BMW Série 5, mas irradia personalidade. É o tipo de carro que não circula anônimo pelo trânsito. A dianteira... Bem, vamos observar o carro pela lateral: os vincos nas portas não são tão acentuados como as fotos sugerem - o efeito é produzido por uma combinação de luz e sombra criada com o propósito de realçar a linha de cintura. Some a solução ao teto curvo apoiado por colunas delgadas, como em um cupê, e você terá a sensação de que o Insignia é um carro que está sempre em movimento. A nova geração do Astra, esperada para o fim do ano (na Europa, que fique bem claro), terá desenho parecido.

A criação foi assinada pelo chefe de design da então GM Europe, o londrino Mark Adams, 48 anos, ex-Ford. A definição também é dele: "arte escultural aliada à precisão alemã". Há carros mais esculturais e certamente com volumes mais precisos. Mas vá até a página seguinte e note a composição da traseira - sim, você pode ver uma escultura a partir deste ângulo. O conjunto gera Cx de 0,27.

Há duas configurações de carroceria, ambas parecidas - sedã, ou três volumes, e notchback, o dois volumes cuja tampa do porta-malas é integrada à vigia traseira. E já foi lançada a variação perua, a Sports Tourer, de linhas menos refinadas que as do sedã.

Olhos abertos

A menos que você seja um sujeito desligado, vai passar algum tempo dentro do Insignia tentando identificar formas em comum com o desenho externo. O formato do painel, que a Opel diz ter sido inspirado na pá de uma hélice, é o mesmo do conjunto dianteiro. E os puxadores das portas têm o mesmo estilo dos vincos aplicados nas portas dianteiras. Veja o módulo que abriga a tela do computador de bordo e você estará vendo a grade dianteira. Isso tem um nome: capricho.

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Edição 23
 

 
 

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