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Segundo degrau
Eles acomodam a família, a bagagem e o ego do motorista. A um preço acessível
Adriano Griecco Fotos João Mantovani

Quem é mais exigente: o dono de uma 599 GTB Fiorano ou o de um sedã equipado com um popular 1.0? Acertou quem pensou na segunda opção - o dono da Ferrari sabe que suas expectativas serão mais do que correspondidas a bordo do esportivo; já o dono de um 1.0... Ah, esse espera um senhor acabamento, espaço de sobra para as crianças e para a bagagem, um desempenho fantástico (mesmo com o ar-condicionado ligado) e ainda quer pagar pouco por tudo isso. E pobre do carro que gastar mais do que o divulgado pelas fábricas (ou pelas revistas como a C/D): é telefonema para o SAC na certa. E descartaremos o item quebras imprevistas para evitar congestionamentos nas linhas telefônicas dos fabricantes.

Mas, mais exigentes que você, somos nós. Por isso, convocamos o novo Chevrolet Prisma, que acaba de ganhar motor 1.0, para a briga com seus três maiores rivais. E decidimos levar a avaliação para (mais) outro lado: o do prazer ao dirigir. Ou seja, além de agradar o seu bolso, oferecer espaço e valentia no trânsito (bebendo o frugal), os sedãs aqui comparados ainda têm de agradar pelo acerto de suspensão e contornar curvas com alguma dignidade. Quem dá tudo isso por menos? Vamos aos resultados.

lugar - Ford Fiesta Sedan 1.0

Gostamos
Suspensão, ergonomia, direção

Pode melhorar
Muito peso para pouco torque

Conclusão
Quem disse que motor não é fundamental?

O Fiesta Sedan é o segundo modelo mais caro deste comparativo. Custa R$ 32.055 e não traz sequer a direção hidráulica de fábrica. Nem o desembaçador traseiro e a terceira luz de freio, itens de série no Prisma Maxx, que é R$ 3.255 mais em conta que o Ford. Com essa relação custo/benefício, sugerimos que você passe para a próxima página e conheça melhor o nosso terceiro colocado.

Brincadeira, leitor. O Fiesta tem suas qualidades. E não são poucas. É o carro a ser batido em ergonomia e vida a bordo. Em outras palavras, ele é quem melhor vai acomodar a sua família, já que conta com quase 2,50 metros de entre-eixos - o Siena, o pior, tem 12 cm a menos. O porta-malas, de 478 litros, também está de bom tamanho e só perde para o do Fiat, que tem 22 a mais. E, mais do que isso, o Ford agrada pela sua posição de dirigir, com a alavanca de câmbio ligeiramente mais alta, facilitando as trocas de marcha. Os engates são precisos e têm certa suavidade.

Para este ambiente ficar melhor, só falta um motor mais esperto

Ainda no posto de comando, o Fiesta continua sendo referência - o Voyage chegou perto, é verdade - quando o assunto é acerto de suspensão e refinamento do sistema de direção. Na prática, ele foi quem melhor lidou com o asfalto ruim das ruas que cercam a C/D e com as curvas recém-recapeadas de uma pequena estrada que liga os municípios de Itapecerica da Serra com Embu-Guaçu, no interior de São Paulo.

Quem - ou o que - impediu um melhor desempenho do Ford neste comparativo foi o motor. O Zetec Rocam, de 73/71 cavalos andou menos que os outros 1.0 em todos os testes de desempenho. E não é só isso. No dia a dia, o fato do Fiesta ter o menor torque dos quatro, 9,3 mkgf com álcool, e ser o mais pesado obriga o motorista a reduzir constantemente as marchas, a fim de jogar o giro do motor mais para cima, próximo à rotação de torque máximo (4.750 rpm). A situação se agrava se você ousar ligar o ar-condicionado. Que pode ser comprado sozinho ou em um pacote (nossa sugestão, se nos permite) que custa R$ 5.200 e vem acompanhado de direção hidráulica, travas e vidros elétricos.

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Edição 23
 

 
 

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