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Passat CC V6
Cupê executivo (ou sedã esportivo?)
As definições não importam. O que você precisa saber é que o CC foi feito para quem gosta de dirigir
Eduardo Hiroshi Fotos João Mantovani

Na avaliação do Mercedes-Benz Classe E Coupé, nosso colega Stanislas Larroumet argumenta o seguinte: se o Classe C parece pouco e o Classe E é conservador demais, a solução é o cupê. A mesma lógica pode ser aplicada para o Passat CC: se o Jetta é pouco e o Passat executivo demais, a saída se chama "comfort coupé". Bom para os olhos, o CC também faz bem para a alma: embora toda a base mecânica seja derivada do sedã Volkswagen, o carro é uma delícia.

A Volkswagen cobra caro por isso: a versão V6 com tração integral, única disponível, sai por R$ 174.290, ou R$ 33.200 a mais que o Passat sedã. Mas se você sair em busca de outro modelo com a mesma proposta de estilo, prepare o bolso: o Mercedes-Benz CLS sai a partir de R$ 310 mil. Vale a pena? Bem, meu amigo, se você procura um carro de estilo, não precisa de espaço no banco traseiro e gosta de dirigir, a resposta é sim. Mas não custa continuar lendo esta reportagem antes de empenhar o seu apartamento, passar em uma loja VW e negociar o preço do carro com o vendedor.

Komfort? Não, comfort

A ideia de um sedã com jeito de cupê não é inédita - foi adotada pela primeira vez nesta década justamente com o Mercedes CLS, que, por sua vez, repetiu um conceito dos tuneiros americanos dos anos 1950 com seus chopped roof, os sedãs com teto rebaixado.

No caso do Passat, Comfort Coupé significa cupê confortável, e não tem nada a ver com o CC dos franceses (que vem de coupé cabriolet, usado pela Peugeot e pela Renault para designar seus sem-teto). O CC alemão é construído na mesma base do Passat sedã, mas a carroceria é 5,5 centímetros mais baixa (1,44 metro no total). Melhorou a estabilidade, porque o centro de gravidade ficou mais baixo, e a aparência, que ficou elegantemente agressiva. Mas apenas isso: o Cx (ou coeficiente de penetração aerodinâmica) piorou em comparação ao Passat (0,29 contra 0,30) e o acesso aos dois postos do banco traseiro é um convite a um galo na cabeça.

O CC é 3,4 centímetros mais comprido que o sedã, 3,5 centímetros mais largo e praticamente manteve a distância entre-eixos. E vamos parar por aqui com as comparações, porque estamos falando de outro carro: faróis, grade, para-choques e lanternas são exclusivos do CC. As portas não têm molduras nos vidros e as rodas são de 18 polegadas com pneus 235/40 (no estepe, inclusive).

Quatro por quatro

Se você não faz a mínima ideia de quanto são 5 centímetros, veja o gabarito que preparamos ao lado. É pouco, mas o suficiente para dificultar o acesso aos bancos dianteiros de quem tem mais de 1,75 metro de altura. Mas, uma vez acomodado ao volante, dificilmente se quer sair do carro. Na traseira, a queda acentuada do teto pode fazer muita gente viajar de cabeça baixa - como referência, tenho 1,63 metro de altura e o teto ficou a 6 centímetros da minha cabeça. Para compensar, os assentos traseiros têm uma cavidade de 7 centímetros de profundidade.

O CC leva quatro pessoas - a porção central do banco traseiro é ocupada por um largo descansa-braço que oculta um porta-objetos com dois porta-copos. Tudo isso nos leva a concluir que o melhor lugar do CC é o banco do motorista, embora todos os passageiros aproveitem o acabamento esmerado e a qualidade de construção. O quadro de instrumentos usa iluminação branca, no lugar da habitual azul-Volkswagen.

Na minha opinião

Há tempos, me tornei um cidadão calmo. Quando eu era mais jovem, tinha um Prêmio 1.5 S, que sofria nas minhas mãos - eu esmerilhava o pobre Sevel sob o capô. Hoje, ando devagar, cedendo passagem e colaborando com o trânsito. Até eu encontrar o Passat CC. Esqueçam das linhas e do primoroso acabamento interno. Isso é figuração. Fiquei impressionado com o vigor dos 300 cv do V6. As trocas de marcha realizadas pelas borboletas no volante são rápidas e instigantes. A competência do sistema de tração também. Esse é o grande trunfo do CC: as sensações. Você até pode não estar tão rápido, mas tem essa sensação. Seja pelo torque jogando você contra o banco nas arrancadas e retomadas, seja pela aderência nos contornos de curva. Ainda bem que esses carros só ficam uma semana aqui na redação.

Adriano Griecco
Editor da C/D

A alavanca do freio de mão convencional foi substituída por um botão, à esquerda da coluna de direção, a disposição dos comandos é típica VW e a posição de dirigir é baixa, embora o banco do motorista tenha ajuste de altura. A visibilidade é boa para frente e para os lados, mas para trás é melhor confiar mais nos sensores de estacionamento do que nos retrovisores.

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Edição 23
 

 
 

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