|
 |
Comparativo Separados na maternidade
Filhos da PSA, Peugeot 307 e Citroën C4 compartilham plataforma e mecânica, mas no dia a dia são bem diferentes
Eduardo Hiroshi Fotos João Mantovani
Pesquisas do Departamento de Saúde dos Estados Unidos revelam que, a cada mil partos naquele país, 32 são de gêmeos. Estes, por sua vez, podem ser bivitelinos (concebidos a partir de dois óvulos distintos, que representam 92% dos casos) ou univitelinos (os 8% restantes, que surgem a partir de um único óvulo, resultando em duas crianças idênticas). Calma, você está lendo a Car and Driver, não a Scientific America. Só colocamos isso aí porque estamos comparando dois modelos bivitelinos aqui: 307 e C4, automóveis concebidos a partir de uma base comum do grupo PSA, a sociedade entre Peugeot e Citroën. Os dois carros compartilham a plataforma, o motor e o câmbio. Mudam a carroceria e alguns itens de acabamento. Esqueça os clones da extinta Autolatina - como os Ford Verona e Versailles e seus "irmãos" Volkswagen Apollo e Santana. Aqui, o trabalho foi muito bem-feito: de longe, ninguém diria que, por baixo, eles são (quase) iguais.
2º LUGAR - PEUGEOT 307 2.0 FELINE
PREÇO INICIAL: 68.500 |
O 307 nasceu antes do C4. Para ser preciso, foi lançado na França em 2000, como sucessor do 306, e chegou ao Brasil um ano depois. Já o C4 foi apresentado mundialmente em 2004 e desembarcou aqui em 2006 - isso sem falar na versão 4 portas, lançada em março passado. Dá para dizer que o Peugeot "saiu primeiro" da barriga da mãe (pergunte a um gêmeo a diferença que isso faz) e isso o torna figura conhecida em nossas ruas e estradas.
Mas ainda é bom circular por aí com ele - quem olha sabe que se trata de um automóvel moderno (e a Peugeot o re-estilizou em 2005) e com algum refinamento. É diferente, por exemplo, de rodar com um Golf, que é ótimo ao volante, mas sua aparência está tão cansada quanto um atleta de fim de semana ao final de uma São Silvestre.
Mas é importante saber que, na Europa, o sucessor do 307 já está nas ruas. Aqui, a Peugeot desconversa e nega a intenção de trazer o novo, mas modelos camuflados já foram vistos nas cercanias de Porto Real, onde fica a fábrica brasileira do grupo PSA. O futuro do 307 está ameaçado? É provável. Se você estiver pensando exclusivamente em valor de revenda, é mais prudente escolher o recém-lançado C4.
Mas há outros aspectos para considerar. No desempenho, por exemplo, a vitória é do 307. A diferença é visível. Enquanto o Citroën chega a 191 km/h e acelera de 0 a 100 km/h em 12,3 segundos, o Peugeot consegue, respectivamente, 196 km/h e 11 segundos. Nas retomadas, nova vantagem para o 307.
A superioridade do 307 na pista não tem explicação fácil. Os dois utilizam o mesmo motor 2.0 16V, que tem 151 cv com álcool. A diferença fica por conta da calibração da central eletrônica (ou ECU), para que um tenha uma aceleração mais suave (C4) e o outro ofereça respostas mais fortes (307). Se você olhar na ficha de teste, vai descobrir que o Peugeot testado é dois quilos mais pesado que o Citroën (embora, pelos dados oficiais, a diferença seja de 76 quilos a favor do C4). O Citroën também tem menor área frontal e melhor aerodinâmica (na Europa, a PSA divulga Cx de 0,29 para o C4 e 0,33 para o 307).
Uma possibilidade estaria no câmbio. Ambos usam as mesmas relações de marchas, mas o diferencial do Citroën é um pouco mais curto (3,57:1 contra 3,48:1). Esta configuração deveria favorecer as acelerações e prejudicar a velocidade final, mas só a segunda metade desta tese se concretizou.
Outra explicação plausível estaria na quilometragem dos carros cedidos - o 307 estava com 2.205 quilômetros no hodômetro, contra 742 quilômetros do C4. Outra: considerando as tolerâncias que toda linha de montagem apresenta, pode ser que este Peugeot estivesse acima da média.
Para os entusiastas, então, qual a vantagem entre um e outro? É aqui que aparece o ajuste fino de cada marca. Para a Peugeot, o hatch deve ter uma pegada mais esportiva, enquanto no Citroën a prioridade passa a ser o conforto.
Um desavisado não vai perceber que os dois carros possuem a mesma base. Dentro desta filosofia, o Peugeot dá mais prazer ao motorista: o carro é um pouco mais firme na suspensão, transmitindo maior sensação de controle. No entanto, esta diferenciação fica mais no campo das sensações. No teste de aceleração lateral, eles empataram com 0,78 g.
Diferenças sensíveis, mesmo, ficaram nas frenagens - a 100 km/h, o 307 precisou de 5,9 metros a menos para parar do que o C4 - e na direção, que tem a mesma relação (14,6:1), mas a assistência eletrohidráulica favorece a suavidade ao volante do Citroën, deixando-o bastante leve. Até demais, particularmente. Acredite: viajar ao volante do Peugeot é melhor. Mas se você for de carona, escolha o C4.
Até aqui, pelo que você leu, deve estar curioso para saber por que o C4 venceu este comparativo. A resposta está no jeito que o Citroën trata seu bolso.
 |
| Se o desempenho for a prioridade, escolha o 307, que também tem suspensão um pouco mais firme. No entanto, em troca da vitalidade na pista, ele exige mais visitas ao posto de combustível |
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >> |
 |
|