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smart fortwo
Ele é diferente de tudo o que você já viu em um carro. Ou quase tudo
Cassio Sporleder

Fotos João mantovani

É necessário um toque de gênio – e muita coragem – para ir na direção da simplicidade, dizia a frase de Albert Einstein estampada na toalha de papel do almoço durante a apresentação do smart em São Paulo. Mas a frase que vem à minha cabeça após um dia guiando a novidade da Mercedes é outra, não cunhada por Einstein, mas consagrada por suas teorias: tudo é relativo. Veja-se o caso do smart fortwo (sim, a marca e o nome do carro são grafados em letras minúsculas), única versão que estará disponível por aqui, com preço de R$ 57.900. Por um lado, parece muito dinheiro para um carro de apenas 2,69 m de comprimento e 84 cv de potência, entregues por um três cilindros turbinado com 999 cm³ e montado sobre o eixo traseiro. Basta uma olhada na lista de itens de série, contudo, para explicar, ao menos em parte, esse valor: controle de estabilidade, ABS, controle de tração, quatro air bags, câmbio manual automatizado e teto solar na versão cupê, além dos equipamentos já esperados nessa faixa de preço, como ar-condicionado e trio elétrico.

É nessa relação tecnologia/preço que a Mercedes aposta para vender inicialmente 500 unidades no Brasil, por meio de dois smart centers, como foram batizadas as lojas da marca, ambas em São Paulo. Não serão os primeiros carros que estarão circulando no Brasil: cerca de 70 unidades importadas independentemente já circulam em nossas ruas – eram comercializadas por valores na casa dos R$ 100 mil. Em 2010, o plano de expansão inclui filiais no Rio, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre.

Pop star
Mas como é guiar o smart fortwo? A resposta curta é: depende. A questão se resume às expectativas do motorista em relação à missão de um carro – visto, pela maioria dos consumidores brasileiros, como algo capaz de carregar quatro passageiros, motorista e alguma bagagem, e apto a cobrir grandes distâncias. Nesse caso, a expectativa vira decepção, como uma ex-namorada já me disse. Avalie o smart fortwo dentro do paradigma tradicional, e a frustração é provável, não pelas características intrínsecas do carro – apenas dois lugares, porta-malas minúsculo, potência reduzida – mas pelo preço: uma vasta gama de opções bem mais potentes e espaçosas, e também bastante desejáveis, flutua nessa faixa, do Citroën C4 hatch ao Honda Fit 1.5 VTEC, passando pela Palio Adventure Locker. A diferença é que o ocupante de um Fit, C4 ou Adventure é só mais um anônimo no trânsito, enquanto o motorista de um smart torna-se um pop star instantâneo. Circule com um fortwo cabriolet e você será apontado como celebridade.

O posicionamento que a Mercedes quer dar à marca smart no Brasil deixa bem claro que o fortwo é uma espécie de iPod ou iPhone sobre rodas: bem mais caro e não necessariamente mais capaz que seus concorrentes, mas com design, e consequentemente status, amplamente superior. Em suma, um item de luxo – algo que, no universo automotivo, costuma custar bem mais do que R$ 57.900. Portanto, se para você um carro deve conter esses atributos, o fortwo torna-se uma compra bastante atraente

Fotos João mantovani

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Edição 23
 

 

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