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Motiva Raptor 416R
Andamos na divertida recriação do Lotus Seven
Arnaldo Keller

 Fotos Paulo Keller

Pouco peso, boa potência, chassi cientificamente estruturado, suspensão refinada, baixíssimo centro de gravidade, ótima distribuição de peso, excelente ergonomia. Quem tem bagagem para saborear a fundo um primoroso esportivo ficará maluco ao dirigir esta recriação do Lotus Seven. Ainda mais se o sujeito estiver com o circuito de Interlagos à sua inteira disposição. A diversão se chama Motiva Raptor e foi criada pelo ex-piloto e engenheiro mecânico e químico Eduardo Polati. É o primeiro protótipo de uma linha que incluirá três versões – a de competição, moderna e vintage, esta uma réplica exata do carro original da década de 50.

Peso-pluma
O Raptor de competição que dirigimos em Interlagos é uma deliciosa pluma agarrada ao solo. Faz o 0 a 100 km/h em 4,9 segundos (medidos com cronômetro manual). Nas arrancadas, ao soltarmos rapidamente o pedal da embreagem, esta gruda sem esforço, os pneus (195/55 na dianteira e 205/55 na traseira) colam no asfalto e ele parte feito um tiro. Carro leve força pouco a embreagem e pneus, pois há pouca massa a deslocar, há pouca inércia. São apenas 540 quilos. O bichinho sai como que catapultado por uma mola. E aí vem marcha atrás de marcha, os 100 km/h são atingidos em segunda, no esgoelar das 7.000 rpm do motor Ford Zetec Rocam 1,6 litro de 140 cv. E aí nos aproximamos da Curva do Lago. Pedal do freio de curso curto, sem servofreio, já que o carro é leve e não precisa disso, e ele freia alinhado, sem travar rodas, com boa distribuição entre os eixos.

 Fotos Paulo Keller
O Caterhan original, na versão de rua, pode ser equipado com motor Sigma de até 250 cv

O conjunto dos pedais é um refinamento à parte. Como o banco é fixo, o conjunto tem regulagem de distância. Seu desenho foi bem estudado, o pedal do acelerador é curvo para que, freando, baste uma levantada à direita do calcanhar para fazermos o punta-tacco com precisão. E assim, freando e reduzindo com rapidez, de quinta marcha baixamos para terceira e trazemos o nariz do carro para dentro da Curva do Lago. Sentado recuado, quase em cima do eixo traseiro, vejo a frente lá adiante. Os pneus para fora da carroceria são cobertos por para-lamas que sobem e descem junto com as rodas, o que dá a deliciosa sensação de vê-los trabalhando, refletindo as irregularidades do solo e se agarrando a ele. Isso é muito bom, porque assim visualizamos o que sentimos nas mãos e temos uma integração completa da relação entre o carro e o solo. Nossa participação é maior, há mais sentidos trabalhando em conjunto. Não é à toa que o pentacampeão Fangio gostava de carros assim, com as rodas para fora, pois, observando os pneus, ele podia colocá-los exatamente onde queria.

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Edição 23
 

 

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