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Volkswagen Golf GTI DSG
Morra de raiva: este carro não chegará ao Brasil
PIERRE LEFEBVRE

LAURENT LACOSTE

Se, quando criança, você se divertia imitando o ruído dos carros e ainda hoje presta atenção em um belo som de escapamento, não perca a chance de dirigir o novo Golf GTI. E registre o som. A sonoridade deste 2 litros turbo com injeção direta compara-se, por um lado, àquela de um nervoso zangão e, por outro, à melodia de um quarteto de baixos. Certo, não é nada extraordinário e nada que se possa comparar à sinfonia de um V12 Ferrari. Mas não deixa de ser um belo rumor que revela o temperamento – às vezes afável, mas sempre atlético – do quatro cilindros 2.0 TSI do GTI. É um motor de grande coração, não há dúvida.

Golpes
Potência avassaladora parecia não ser a meta da Volkswagen ao revisar o centro nevrálgico do 2.0 TSI. O trabalho dos engenheiros concentrou-se muito mais na eficiência em consumo (média de 11 km/l entre cidade e estrada) que na potência (foram apenas 10 cv extras que agora somam 210 cv). Mas nem por isso o GTI deixa de ser um carro potente e de excelente manejo. Seu segredo: um torque abundante em baixas rotações e que, em muitas situações, lembra o de um motor diesel. São 28,55 mkgf a 1700 rpm que permanecem constantes até 5200 rpm. Dirija o carro tranquilamente em qualquer marcha e, como não quer nada, afunde o pé no acelerador. O GTI é lançado como um projétil. A caixa DSG de seis marchas conta com sistema de dupla embreagem que encadeia as marchas da mesma maneira que um velocista dá ritmo aos seus passos. Nenhuma ruptura de carga interfere nas acelerações. Apenas para aumentar nosso prazer ao volante – e nos lembrar que estamos no comando de um esportivo de tradição – cada troca de marcha, da primeira à última, é acompanhada de um golpe de gás que faz as duas saídas de escapamento resmungarem. E graças ao modo manual da transmissão, com trocas feitas por palhetas atrás do volante, nos sentimos como maestros de uma belíssima sinfonia.

LAURENT LACOSTE

O chassi veio, naturalmente, do Golf de sexta geração, um conjunto que serve como referência para a categoria. Mas o GTI recebeu significativas mudanças na suspensão que deixaram a carroceria 22 milímetros mais baixa na dianteira e 15 milímetros na traseira, além de ganhar barra estabilizadora traseira mais rígida. Some-se isso aos pneus Bridgestone Potenza 225/40 R18 e teremos um carro que roda agarrado ao asfalto. Não que tivéssemos duvidado da capacidade dos engenheiros de chassi da VW, mas fomos conferir o resultado do trabalho nos exigentes trechos do Rally du Var, no sul da França. Não é preciso ser um prêmio Nobel de pilotagem, muito menos ter carteira de piloto profissional de rali para se sentir o máximo ao volante. Domina-se o GTI em apenas dois minutos. Grandes curvas abertas e fechadas, asfalto liso ou rugoso, longos trechos de reta pontilhados por sucessão de S... qualquer que seja o tipo de estrada, o Golf GTI se garante graças ao seu comportamento tão neutro quanto previsível e a um conjunto de freios impressionante.

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Edição 23
 

 

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