Nissan Livina 1.8 SL Quase uma Diversão O primeiro Nissan de passeio fabricado no Brasil tem espaço, preço e bom motor. Mas não emociona
Eduardo Hiroshi Fotos João Mantovani
A escolha do cenário para as fotos desta reportagem foi proposital: o contraste entre a cor da Livina e o colorido vibrante dos brinquedos do Playcenter (que cedeu seu espaço para esta produção), revela um pouco do caráter do carro. O primeiro modelo de passeio fabricado pela Nissan no Brasil é, na essência, conservador. Mas equipada com o bom motor 1.8 bicombustível de 126 cv, a minivan tem desenvoltura próxima do divertido. É a primeira vez que a marca usa motor flexível. A Livina não tem desempenho de tirar o fôlego, mas apresentou bons números. Apesar da vivacidade, a Livina não é vibrante quanto um Honda Fit. Ainda assim, deve agradar solteiros e casados. Acompanhe, primeiro, a apresentação do novo Nissan. E, em seguida, veja como ele se sai diante dos rivais - o Fit e a Chevrolet Meriva.
Contato a distância
A Nissan diz que o nome Livina não significa nada, uma injustiça para com os 120 moradores de Livina, na Eslováquia (veja abaixo). A minivan começou a ser fabricada em São José dos Pinhais, no Paraná, em dezembro do ano passado. Mas só agora começa a chegar às lojas.
Até a metade do ano sairá da mesma linha a Grand Livina, com distância entre-eixos idêntica e plataforma 24 centímetros mais longa para receber uma terceira fileira de bancos e levar até sete passageiros. Para muitos interessados, a Livina será conhecida apenas por estas páginas, pois a rede Nissan se resume a 66 lojas em todo o País. A Honda tem 145 lojas; a Fiat, 520; e a Chevrolet, 557. As três marcas vendem, respectivamente, Fit, Idea e Meriva, os principais rivais da minivan Nissan.
Bem-vindo a livina
A população de Livina, uma cidade encravada no distrito de Partizánske, na Eslováquia, caberia em 24 Livina (a minivan), junto com todas as batatas cultivadas no lugar. Tentamos entrar em contato com um nativo, mas desistimos depois de ouvir um "nerozumiem", seguido do que nos pareceu um palavrão.
Para compensar a desvantagem, a Nissan oferece preço. A partir de R$ 46.690 compra-se a versão mais simples com motor 1.6. Uma minivan compacta igual à que testamos, a 1.8 SL automática, custa R$ 56.690. Ar-condicionado, direção com assistência elétrica, air bag para o motorista e trio elétrico são itens de série para todos os modelos.
A versão 1.6 terá somente câmbio manual e a 1.8 virá somente com transmissão automática. Além dos equipamentos de série, nosso carro veio com rodas de 15 polegadas em liga leve, freios ABS, air bag duplo, banco traseiro bipartido, faróis de neblina e alarme. O Fit mais próximo disso, o EX 1.5 automático, sai por R$ 62.065 - bem mais caro, porém mais equipado; e a Meriva topo de linha custa R$ 51.968 com todos os opcionais, mas fica devendo vários itens.
Guardanapos de papel
A Livina tem as vantagens e os contras das minivans: espaço para quatro adultos, porta-objetos nas portas e quatro porta-copos (um deles, atrás do freio de mão, pode ser retirado para formar um quarto nicho para latas), bom acabamento, ergonomia adequada e visibilidade só prejudicada na altura da coluna dianteira. O porta-malas de 449 litros é o maior entre as concorrentes.
A Nissan serviu um jantar requintado, mas ofereceu guardanapos de papel aos convidados: o banco do motorista não tem regulagem de altura, os cintos dianteiros são fixos e a tampa do porta-malas não tem puxador interno. Uma economia injustificável para um carro desta categoria (e, afinal, para o primeiro carro de passeio de uma fábrica mais conhecida no Brasil pelos seus modelos 4x4).
O estilo é conservador e parece ter sido inspirado no Honda Fit de primeira geração, embora a marca tenha trabalhado em alguns detalhes - a identidade familiar está concentrada na grade, que lembra a do Murano. Mas pode procurar que não há nenhum ponto que chame a atenção.
Fôlego, disposição, mas...
A Livina é montada sobre a plataforma B da Aliança Renault-Nissan, que é usada - com várias adaptações, diga-se - por vários modelos do grupo, do Logan ao Cube, um caixote vendido no Japão. Mecanicamente, o modelo mais próximo da Livina é o Tiida, que também empresta o motor, a suspensão e o câmbio, dentre outros itens mecânicos.
O motor MR18DE mexicano é um dos pontos altos do carro. Construído em alumínio, tem 16V e rende até 126 cv com álcool. É uma sinalização de que o Tiida também contará com a opção flex. O tanque de partida a frio foi instalado no espaço entre a base do para-brisa e a extremidade do capô e é um exemplo de improvisação: o bocal é oculto por uma frágil tampa plástica.
O quatro cilindros tem fôlego e disposição que, em parte, são contidos pela transmissão automática de quatro marchas e definitivamente são impossíveis com o acerto de suspensão que visa ao conforto. A aceleração lateral, de 0,77 g, comprova que não é um carro nascido para fazer curvas com o pé embaixo - compreensível para esse tipo de veículo. Neste terreno, o Fit com melhor acerto de chassi tolera os abusos com mais firmeza.