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Clássicos
Fiat 509 A
A incrível história de uma preciosidade que, aos 82 anos, volta às ruas em estado de 0 km
Arnaldo keller Fotos Paulo keller

Você já dirigiu um carro com 82 anos que rodou apenas 2.860 quilômetros? Eu dirigi. E, melhor, segundo o restaurador Ricardo Oppi, eu devo ter sido um dos poucos felizardos a dirigir este Fiat 509A, carroceria Torpedo, de 1927!

A história do carro é saborosa - embora tenha duas versões: o leitor Matheus Gouveia Villas Bôas diz que o carro foi comprado em Pelotas (RS) pelo seu bisavô, José Fernandes de França. Com a crise de 1929, França mudou-se para Sousas, distrito de Campinas, no interior de São Paulo, trazendo o carro de navio. Rodava pouco - daí a baixa quilometragem. Em 1950, o 509A foi vendido para um dos irmãos Tozo, também de Souzas. Daí, foi comprado por alguém de São Paulo. Outra versão diz que França comprou o carro, mas achou que era menor do que esperava. E teria mandado que o guardassem em um barracão e o esqueceu por lá, no meio da sacaria de café. Qualquer que seja a versão, a raridade encontra-se intacta. E se havia algo que tivesse desagradado tanto França como Tozo, na época era, como se diria, "o molejo durinho" do Fiat Torpedo - um incômodo naqueles tempos de estradas mais precárias.

Cintura dura

O problema deste incômodo pode estar nos amortecedores de cinta - uma cinta enrolada ao redor de uma mola em espiral, igual às molas de relógio. O sistema atua como as trenas, cuja fita métrica é forçada ao ser distendida e, ao ser solta volta rapidamente a se enrolar. São amortecedores de uma só ação, ou seja, eles reprimem a distensão do feixe de molas (quando há um buraco e o eixo desce), mas impulsionam o retorno do feixe, em vez de reprimir a ação. O resultado é que a coisa fica meio atrapalhada, principalmente no banco traseiro, sobre o saltitante eixo.

Não basta sentar e dirigir. É preciso aprender a lidar com este carro, já que os comandos são diferentes do que estamos acostumados. Direção do lado direito, acelerador entre os pedais do freio e da embreagem, câmbio de três marchas do tipo universal, só que invertido (comparando a caixa com a do Fusca, a primeira do Fiat está à direita e abaixo, no lugar onde fica a quarta; a segunda onde fica a primeira e a terceira marcha no lugar da segunda).

Mudar marchas com as posições invertidas não é problema, pois o câmbio é seco, sem sincronizador. As trocas são pausadas, feitas com calma e com tempo para pensar à vontade. Já as posições dos pedais é que nos deixa um pouco ressabiados, pois numa reação impensada poderemos acelerar em vez de frear. Se você tiver a chance de guiar um carro assim, dirija descalço para ficar mais ligado no movimento e na sensibilidade dos pés.

Globalização

O velocímetro original funciona direitinho. O levamos aos 50 km/h, ponteiro na vertical, metade da velocidade máxima indicada (a máxima real é de 87 km/h). Neste ritmo, e nem sempre alinhado com a faixa de rolagem por causa da folga da direção, respondo com uma buzinada à provocação de um motoboy - buzina original, sadia aos 82 anos de idade, da Magnetti-Marelli.

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Edição 45
 

 
 

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