Chuva de água fria O Duratec 2.0 Flex chega para intimidar as vendas do Ford Ecosport 1.6
WILSON TOUME | FOTOS CLAÚDIO TEIXEIRA
Se você está de olho em um Ford EcoSport, leia esta reportagem até o fim: é provável que, depois disso, você chegue à mesma conclusão que nós – a versão 2.0 Flex, que acaba de ser lançada, pode ser melhor negócio que o 1.6. O motor Duratec 2.0, que recebe tanto gasolina quanto álcool, faz sua estréia no jipinho antes de ir para o Focus, operação que deve ocorrer em 2009. E, fora o fato de poder consumir álcool, o Eco 2.0 Flex tem outro atrativo: o preço.
O 4WD que nos foi cedido para testes custa R$ 62.150, um preço atraente para um modelo com tração integral. Ele se torna ainda mais interessante ao se lembrar que esse valor é apenas R$ 4.000 maior que o do FreeStyle 1.6. Perguntamos à Ford se essa estratégia não poderia matar as vendas do motor menor. E, surpresa: Antonio Baltar, gerente de marketing, respondeu que essa é justamente a intenção. “A nossa fábrica de motores 1.6, em Taubaté (SP), opera no limite. Porém, podemos aumentar a produção dos Duratec 2.0 Flex no México.”
No elevador
Não perca tempo procurando mudanças no desenho do jipe, pois o Eco não mudou por fora. A novidade está escondida sob a tampa dianteira: sobre o cabeçote, existe uma cobertura que aloja também o filtro de ar. Junto do motor, a outra mudança perceptível é o reservatório de gasolina para partida a frio. Mas se você quiser conferir mais detalhes, terá de suspender o carro com um elevador ou deitar-se no chão. O escapamento é feito de aço inoxidável, para resistir à corrosão, e o catalisador está mais próximo do coletor de escape.
As demais alterações são menos visíveis ainda. O cabeçote é novo, com alto fluxo de ar – uma solução chamada de high flow – e as saias dos pistões contam com um revestimento antiaderente para reduzir o atrito, mesmo com o motor frio. Além disso, os assentos de válvulas receberam tratamento para trabalhar com álcool. Bicos injetores, velas e bomba de combustível também foram trocados. A taxa de compressão foi mantida em 10,1:1. “O Duratec apresentou bom desempenho com essa taxa”, diz o engenheiro Klaus Mello, da Ford.