Ferrari California Versátil, quase um carro de família. E maravilhosa!
NICOLAS BRIOUZE
É de se perguntar se a Ferrari não tem, no momento, um projeto de minivan em suas pranchetas. A California não só pode dispor de dois bancos para crianças atrás, como também de presilhas Isofix para fixar uma cadeirinha de bebê. Mais: a nova Ferrari é a primeira na história a oferecer encostos traseiros rebatíveis como um gentil e inofensivo carro de família e, assim, permitir a acomodação de bagagens compridas, como um saco de golfe ou uma árvore de Natal. Resumidamente, para este modelo que surgiu de uma folha de papel em branco, a palavra-chave foi versatilidade. Como resume Michael Schumacher, que participou ativamente do projeto, "a California foi pensada para uso diário e viagens de fim de semana, sempre garantindo as sensações que só uma Ferrari pode oferecer."
O comendador deve estar dando duplos mortais carpados em seu túmulo, mas o fato é que novos ventos estão soprando em Maranello.
Dois em um
Além da modularidade, a Ferrari vende dois carros pelo preço de um, pois se trata do primeiro cupê-cabriolé da marca. Moldado em alumínio, como toda a carroceria, o teto rígido se recolhe em apenas 14 segundos graças a acionadores hidráulicos que se tornam mais rápidos a partir do meio de seu curso de trabalho. Uma vez executada a tarefa, é preciso ter mais 18 segundos de paciência para sair com o carro. Mas que importa o tempo de atuação dos acionadores quando temos o tempo da mecânica? Desse lado, os números anunciados não parecem irreais: 310 km/h de final, 1.000 metros em 22,1 segundos e, de acordo com a aderência disponível, menos de quatro segundos para acelerar até 100 km/h. São os mesmos números de um Porsche 911 Turbo.
O V8 de 4,3 litros é derivado do motor da F430, mas dele só usa o virabrequim. Ele adota notavelmente uma injeção direta na câmara de combustão com benefícios inegáveis no rendimento. A Ferrari anuncia uma redução de consumo de 26%, ou seja, uma média de 7,63 km/litro com a gasolina européia sem álcool, um número impressionante para um carro de alto desempenho.
Percorra uma breve distância para ficar convencido de que a adesão da marca ao "ecologicamente correto" não foi feita ao custo do temperamento do motor, ainda bravo. Afundar o pé no acelerador o transporta a uma outra dimensão onde as leis da gravidade parecem ser aplicadas ao contrário. A presteza e os quase 50 quilos de torque do V8 (número inédito para um motor aspirado dessa capacidade cúbica) zombam dos 1.630 quilos do conjunto, como se o peso não existisse.
A totalmente nova caixa de câmbio automatizada com dupla embreagem engrena eletronicamente as sete marchas com um discreto som mecânico e com a mesma delicadeza de uma limusine britânica em um cortejo real. Uma suavidade igual à da direção precisa e da suspensão com amortecedores de enrijecimento magnético computadorizado, um dos opcionais do carro, e dos excelentes bancos envolventes. É só andar de nariz ao vento sem se preocupar com qualquer questão terrena, como se você estivesse em qualquer conversível de grande produção.
1. O "manetino" altera os parâmetros do chassi. E pode levar o motorista a uma dimensão jamais imaginada 2. As palhetas de mudança de marcha atrás do volante parecem orelhas de coelho 3.Os comandos do câmbio em três botões no console: "launch" para as arrancadas, R de marcha à ré e automático