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Competição
Repórter na pista
Nosso repórter acelera o Stock Jr., a categoria que faz a alegria da garotada, dos pilotos tardios e dos jornalistas
CASSIO SPORLEDER /FOTOS JOÃO MANTOVANI

João Marcelo Carvalho, 35 anos de idade, é um empresário bem-sucedido. Começou a trabalhar logo cedo, ainda na adolescência, assumindo os negócios da família após a morte prematura do pai. A perda interrompeu, ainda, uma carreira que se iniciava promissora no kart. Hoje, o João Marcelo empresário está entre os dez melhores no Campeonato Brasileiro de Stock Jr. Um feito e tanto para o João Marcelo piloto, que retorna às pistas quase duas décadas após trocar o macacão pelo terno e gravata.

O empresário de Piracicaba, no interior paulista, é exemplo de uma classe em crescimento no automobilismo nacional - a dos "pilotos tardios". São geralmente trintões que, depois de se dar bem na carreira profissional, têm chance de realizar o sonho de freqüentar as pistas e fazer da adrenalina sua rotina. Como bônus, usufruem da condição de "piloto de corrida" nas inevitáveis baladas, profissão menos entediante que as de "diretor de marketing", "empresário" ou "CEO"...

"Além da Stock Jr., estou disputando o Paulista de Marcas com um Gol e a Mitsubishi Cup. Minha mulher reclama que vou acabar me separando dela para casar com os carros", sorri João. A classe dos "tardios" também está representada pelo atual líder da Jr., o empresário baiano Patrick Gonçalves, que retornou ao automobilismo ano passado após longa parada. Dos 18 inscritos nesta temporada da Jr., dez disputam a categoria Master - ou dos "tardios", como queira.

SENTE E ACELERE
É um fenômeno? Bem, não vamos exagerar. Digamos que há muito dinheiro em questão nessa história. A recente profissionalização da Stock Car resultou no que parecia impossível até o fim dos anos 90: ganhar, e bem, para pilotar um carro de corrida em pistas brasileiras. Nomes como Cacá Bueno, Thiago Camilo e Giuliano Losacco, que estão entre os mais valorizados da categoria, podem faturar mais de R$ 1 milhão anuais entre salário, premiações e contratos de patrocínio pessoal. Mesmo entre pilotos de escuderias menores, ganhos na casa dos seis dígitos anuais são mais regra do que exceção.

Assim, pilotos como João e Patrick juntam- se na Jr. à molecada recém-saída do kart e que, pragmaticamente, opta pelo sonho possível da Stock. Hoje, já não se fala tanto em fazer as malas para a Europa para tentar carreira no automobilismo - estrada exponencialmente mais cara e com possibilidades de sucesso bastante inferiores.

Nesse cenário, o principal trunfo da Jr. é seu formato arrive-and-drive: nele, a própria categoria é dona e mantenedora dos carros, ou seja, o piloto não precisa preocupar-se com contratação de engenheiros e mecânicos, ou com o transporte do carro para as corridas, por exemplo. Graças a essa "economia de escala", o custo de uma temporada gira em torno de R$ 200 mil, incluindo as despesas "extrapista", como passagens aéreas e estadias de hotel. Um número bastante acessível dentro da (cara) realidade do esporte a motor.

"O piloto nos paga R$ 13.900 por fim de semana de corrida e não precisa se preocupar com mais nada. E o equipamento é idêntico para todos, portanto a tendência é sempre o talento vir à tona", explica Felipe Giaffone, atual campeão da Fórmula Truck e sócio da JL Racing, empresa que organiza a Stock Jr.

Acima, nosso repórter amarrado dentro da casca de fibra para testar seu talento nas pistas. Menor que um Ford Ka, o Stock Jr. tem as mesmas reações nervosas de um fórmula: tração traseira, direção direta, freios que travam facilmente... Simples. Mas uma bela escola

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Edição 23
 

 

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