Honda Fit 1.5 EXL Mais espaço, mais conforto, mais estilo, mais caro
LUCAS LITVAY / FOTOS JOÃO MANTOVANI
Ele mudou? Sim, e muito. O DNA foi preservado, mas o desenho ficou mais arrojado
Prepare-se: sua vida vai piorar. Mesmo que você não seja banqueiro finlandês ou vendedor de produtos importados. Sua vida não será a mesma, mesmo que você não seja torcedor da Portuguesa ou do Vasco. Não é pessimismo, mas um palpite: sua vida vai piorar assim que você botar os olhos no novo Honda Fit no Salão do Automóvel. Uma mistura de cobiça e inveja tomará conta de você neste momento e, pior!, a sensação de depressão pode ser mais profunda que o sofrimento causado por um desses superesportivos que costumam freqüentar muitas de nossas páginas e algumas poucas garagens. É que, diante do novo Fit, a chance de a cobiça se transformar em um cheque assinado é infinitamente mais alta. Sua mão vai coçar.
CIVIQUISTAR
Ao ver o carro estático, você provavelmente terá a mesma impressão que eu - a de que o novo Fit é apenas uma versão mais moderna do atual. O desenho, mesmo com o evidente DNA, está mais antenado com a moda automotiva com seus ângulos retos, lanternas e faróis espichados e vidros em profusão. Em outras palavras, a Honda "civiquistou" o monovolume, ou seja, o deixou com aparência mais jovem como o Civic e, por tabela, menos feminino. A fabricante espera que a participação masculina nas vendas cresça dos atuais 44% para mais de 50%.
Mas o novo Fit (New Fit, na língua do pessoal de marketing) não é novo apenas na estética. Ele está maior, bem maior. Repare nas fotos da atual versão e compare-as com as do novo modelo. O Fit engordou, ou melhor, encorpou. Cresceu para cima (10 milímetros), para os lados (20 milímetros), para trás (70 milímetros) e no entre-eixos (50 milímetros). Alguém com 1,80 metro viajará tranqüilamente em qualquer parte do carro e, caso seja no banco traseiro, pode contar com o recurso de inclinar o encosto em até 15 graus. Porém, algo que não devia ter crescido, cresceu - a altura do túnel central, agora 4 centímetros mais alta (a engenharia da fábrica não soube explicar, mas acreditamos que os centímetros extras sejam decorrência do novo sistema de escape, ou ainda dos reforços estruturais da carroceria).
Já que estamos dentro do carro, cabe falar que é aqui que surge a maior evolução visível do Honda. O painel é totalmente novo. Está mais funcional, ergonômico e, convenhamos, menos careta que o anterior. Na parte superior dois vincos passam a sensação de que a peça é feita em camadas sobrepostas e o centro, onde estão os sistemas de som e de ar-condicionado, é pintado em um tom mais claro de cinza.
No banco do motorista, contei nove porta-objetos à minha mão (dois deles, junto à alavanca do freio de estacionamento, inúteis), mas em compensação, a Honda se esqueceu de colocar luz de cortesia do pára-sol até mesmo na versão EXL - a topo de linha, que é a única que tem bancos de couro (mais macio que a média) e opção de transmissão automática com trocas manuais feitas por meio de aletas colocadas atrás do volante. Ah! O volante é o mesmo - excelente - do Civic em todas as versões. Agora, com ajuste de profundidade. Escolha que reduz o custo de produção e aumenta o prazer na direção.
I-VTEC
Como no Civic, o Fit passa a contar com motores com tecnologia i-VTEC, com comandos de válvulas variáveis. Mas ele funciona de forma distinta no motor 1.4 e 1.5. No mais fraco, ele prioriza a economia de consumo, enquanto no mais forte o que importa é o desempenho. Portanto no motor 1.4, as válvulas de admissão trabalham de forma distinta. Em baixa rotação ou em baixa carga, ele funciona em três válvulas por cilindro. Quando se pisa no acelerador, as quatro válvulas entram em ação. Já no 1.5 o que muda é o tempo de abertura da válvula de admissão. Quanto mais se exige do motor, maior o tempo de abertura. Neste caso, o motor trabalha o tempo todo com as quatro válvulas.