Renault Sandero Stepway 1.6 16V Fantasia de aventureiro para festa urbana
CARLOS CEREIJO FOTOS CLAUDIO TEIXEIRA
Pára-choque com barra de impulsão, grade com frisos exclusivos e carroceria nas alturas
O Renault Sandero Stepway chega às lojas como aquele camarada que chega atrasado para a festa à fantasia. Das duas uma: ou ele decepciona por repetir a roupa dos outros ou impressiona pela originalidade. No caso do Sandero, a Renault repetiu a fórmula já conhecida. O carro tem pára-choques (com barra de impulsão integrada) e molduras de pára-lamas em plástico preto, suspensão elevada, pneus mistos, rack e, é claro, adesivos. O estepe fixado na tampa traseira chegou a ser cogitado - o problema é que a instalação do recurso exigiria reforços estruturais específicos, custaria caro e consumiria mais tempo de projeto. E a Renault tinha pressa em colocar o carro nas ruas para aproveitar o modismo. A idéia foi abandonada.
Como veio, e comparado com os demais aventureiros, ficou bom. Dá para notar uma harmonia nas linhas comedidas dos pára-lamas, nas máscaras negras dos faróis, nas rodas e nas discretas saias laterais.
PARA ANIMAR A FESTA
Para se divertir com o Sandero nesta festa do faz-de-conta, a única opção de motor é o 1.6 16V Hi- Flex de 112 cavalos (5.750 rpm com álcool). Mudam as relações de marcha: o diferencial foi encurtado, a primeira também ficou mais curta e a quarta e quinta marchas foram alongadas. A providência deixou o conjunto mais uniforme. Uma boa solução foi a eliminação da trava para engate da ré. Mas a Renault precisa rever o curso da alavanca, longo, e melhorar a precisão dos engates.
A altura livre do solo subiu em 5 centímetros para 18,5 centímetros (só com os pneus 195/60 em rodas de 16 polegadas a altura aumentou 1 centímetro). Como o centro de gravidade subiu, os amortecedores foram recalibrados. O eixo traseiro foi reforçado e foram mudados coxins e suportes do motor. A Renault mira diretamente no público feminino com estes atributos.
Por dentro da fantasia, o modelo esbanja espaço. Ninguém vai reclamar que o teto está amassando a cartola da roupa de mágico, a menos que se posicione o banco do motorista no nível mais elevado. Os instrumentos do painel ganharam aros brancos e novo grafismo, mas o interior ainda fica devendo em qualidade do acabamento: os plásticos não combinam com a robustez que carro quer transmitir. As portas ganharam filete imitando alumínio com o logotipo da versão. Não precisava.