Volta Rápida: Chevrolet Cruze Sport6

Em sua segunda temporada, hatch quer deixar de ser coadjuvante

Por Raphael Panaro // Fotos: Bruno Guerreiro

Lançado em 2008, o Chevrolet Cruze Sport6 entrou no meio da novela brasileira “Hatches Médios”. A produção estrelada por Ford Focus e Volkswagen Golf, ganhou novas cenas com o antagonismo dos utilitários esportivos. Mas, como um bom ator coadjuvante, o Cruze Sport6 estudou, observou e evoluiu. Nessa segunda temporada, o hatch se repagina, ganha motor turbo e um repertório de modernidades. O objetivo é claro: ganhar um Oscar.

Para ser um bom ator precisa ter boa apresentação. E o design já defasado de antes dá lugar a mesma identidade que já vimos (e gostamos) no sedã. Os para-choques são inspirados na versão esportiva RS, vendida nos Estados Unidos. A grade estreita, a “bocarra” abaixo e os faróis de neblina com molduras cromadas completam a embalagem dianteira. Já a traseira está mais curta e as grandes e bonitas lanternas são os principais fatores da personalidade forte do modelo.

Outro ponto em comum com o sedã é o trem de força. A Chevrolet salienta o aspecto esportivo que o carro ganhou. Sim, o acerto de suspensão é mais rígido que o do sedã, o que contribui para o um maior controle do carro. Em trechos sinuosos, a dinâmica do hatch merece elogios e a carroceria não rola tanto. A direção elétrica é bem calibra da e dá o feeling do que está se passando nas rodas. O motor turboflex 1.4 de 153 cv complementa essa sensação de esportividade.  Mas dois fatores depõem contra o Cruze Sport6. Ao andar você percebe que ele é pesado. E é mesmo: são 1.336 kg – quase 120 kg a mais que o VW Golf. Outro ponto é o câmbio automático de seis marchas. Mesmo em sua terceira atualização, a transmissão GF6 ainda fica pensativa quando você necessita de mais força e pressiona o pedal do acelerador com mais ênfase. Em outros momentos o câmbio segura a marcha, deixa a rotação elevada e o ruído no interior não pede permissão para entrar.


ESTRELA

Com tudo que o Cruze Sport6 oferece, a Chevrolet pede um cachê alto. Nada muito absurdo dos valores hoje praticados. Lançado em dezembro do ano passado, o Cruze Sport6 ficou mais caro na virada de 2017. O pacote LTZ, que custava iniciais R$ 99.890, agora parte de R$ 103.290. Por esse preço você tem à disposição inúmeros gadgets: chave presencial, botão de partida, seis air bags,controles de tração e estabilidade, ar-condicionado digital, assistente de partida em rampa, além de retrovisor interno eletrocrômico, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros e câmera de ré. A versão agrega ainda o multimídia My Link 2. A central é ótima de manusear. Intuitiva, tem GPS integrado e a tela de 8” ainda espelha smartphones por meio do Android Auto e Apple CarPlay.

E não é só isso. Andamos na modelo mais oneroso que você pode comprar: são R$ 113.090. Os R$ 9.800 a mais em relação ao LTZ 1 se traduzem em mais equipamentos: alertas de colisão frontal e ponto cego, assistente de permanência na faixa (que tenciona o volante se você muda a faixa de rolagem sem acionar a seta), banco do motorista com regulagem elétrica, farol alto adaptativo, sistema autônomo de estacionamento e até carregador wireless para celular. Tudo bem que ele não funciona na maioria dos aparelhos. É preciso adquirir um adaptador na concessionária, caso o seu celular seja um iPhone. Mas está lá.

Apesar da recheada lista de itens, o Cruze Sport6 tem algumas falhas. A primeira é o raso porta-malas: que saiu de 402 litros para 290 litros – o menor frente aos concorrentes.  Pormenores  como ar-condicionado duas zonas,  freio de estacionamento eletrônico (o Golf perdeu com a nacionalização), repetidores de seta nos retrovisores e aletas atrás do volante também faltam. Quem vai pagar quase R$ 115 mil, no entanto, quer ter esses itens. A evolução do hatch é notória, mas será que ele vira a estrela da vez?


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