Volkswagen SpaceCross: legado em xeque

Aventureiro é sinônimo de carro de família. Mas com preço de SUV

Por João Anacleto // Fotos: Divulgação

Eis o símbolo de um tempo em que o consumidor estava em busca de diferenciação. Para-choques, estribos, estepe na tampa traseira, pneus de uso misto... Valia tudo na hora de criar um carro que fugisse da normalidade. Se viesse com um bom espaço interno, melhor ainda. Mas aí vieram os SUVs e versões derivadas de carros de passeio e descobriram que não eram bem as fantasias aventureiras que o consumidor queria. Hoje os kits Way, Adventure, Cross, Activ e X não vendem 5% do que emplacam os SUVs compactos.

SONORO NÃO

A pergunta é: ainda vale a pena ter um? E nessa pergunta, que pode resultar em um organograma tão grande quanto a ficha corrida de um político corrupto, há mais não do que sim. O primeiro entrave da SpaceCross aparece quando você enxerga os R$ 81.100 pedidos pela versão manual. Afinal, com essa grana dá para sair com um SUV da moda. Um Renegade Sport, com câmbio manual e kit multimídia, custa R$ 81.840. Com R$ 79.990 você sai de HR-V básico, que vem até com calotas. Já um HR-V com câmbio CVT sai por R$ 86.800, só R$ 2.200 a mais que este VW com o câmbio automatizado I-Motion.

Se a questão do preço é um sonoro não, a próxima etapa da sua vida com SpaceCross também. Segundo a FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), a desvalorização da versão manual chega a 17,8% no primeiro ano. São R$ 14.435 perdidos quer você faça uma viagem até o México com ele, ou rode apenas no seu bairro. Comparando-o com o mesmo Renegade, a perda é de 9% no período. Já a manutenção até os 60 mil quilômetros é quase irrisória, saindo por R$ 2.723, mas até você completar tal quilometragem, a desvalorização já corroeu qualquer vantagem sobre os rivais.


Ao volante a vida é boa, especialmente na versão de câmbio manual. Além de um acabamento no mesmo nível dos SUVs concorrentes citados, é um dos poucos carros com seis marchas em que você pode sair em primeira marcha sem que ela pareça uma reduzida de trator. O motor 1.6 MSI trabalha com suavidade, silêncio e eficiência. Além do bom torque em baixas rotações, algo incomum para um 16V, mantém força até acima dos 4.000 rpm. Sua suspensão 3 cm mais alta que a da versão civil não provoca danos à estabilidade e ainda passa por buracos como se ele fossem cascalho. O espaço interno é justo como sempre, ainda que a ancoragem dos bancos, dianteiros e traseiros, esteja um pouco acima do que se encontra até nos SUVs.

Contudo, analisando o portfólio completo, o SpaceCross mostra que parou no tempo. Pelo valor pedido, poderia vir com o atrativo de um sistema multimídia moderno, não? Não. O Discovery Media, que é o equipamento mais avançado da linha nacional, sai por R$ 5.579 e só pode vir junto do teto solar elétrico. E por sua alma aventureira, deveria ter algum atrativo dinâmico extra, certo? Não. O controle de estabilidade e o assistente de partida em rampas é opcional, e custa R$ 1.428. Com mais essas negativas, não será surpresa se não nos vermos mais em 2018.

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