Levamos o Captur CVT para a pista de testes

Renault aposta na nova versão automática 1.6 para dobrar as vendas do modelo

Fotos: Divulgação | Texto: Luiz Guerrero

O nome é extenso como o de algumas motos – Renault Captur 1.6 SCe X-Tronic CVT. Mas se você se sentiu atraído pelo desenho e está considerando a compra de um Captur, só precisa decorar as três últimas letras: CVT. E saber que o Captur CVT é a versão que melhor equilibra conforto e consumo dentro da linha. O Captur CVT foi lançado nas últimas semanas e a Renault espera que a novidade, oferecida nos padrões de acabamento Zen, de R$ 84.900, e Intense, de R$ 88.400, sempre com motor 1.6 de até 120 cv com etanol, dê o impulso que faltava nas vendas do modelo. A marca acha que as duas versões CVT irão representar mais da metade das vendas do Captur. As demais ofertas são a 1.6 Zen com câmbio manual de cinco marchas (R$ 78.900) e a Intense 2.0 com a não tão eficiente caixa automática de quatro marchas (R$ 91.900).

Durante a apresentação do Captur CVT, os técnicos da Renault procuraram ressaltar as vantagens do câmbio continuamente variável fornecido pela Jatco, empresa da Aliança Renault-Nissan, em comparação com os demais CVTs. Disseram que a caixa é 10% mais compacta e 13 kg mais leve por ter sistema de lubrificação das correias das polias por bomba e não por imersão. “Isso significa menor atrito e, em consequência, maior suavidade nas passagens das marchas, além de  o sistema de lubrificação por bomba permitir uma caixa de menores dimensões”, diz Dimitri Castiglia, o homem encarregado do marketing do Captur. O peso total da caixa CVT, com sua carcaça de alumínio, é de 77 kg. Como comparação, o câmbio CVT do Fluence, cujas correias são lubrificadas por imersão, pesa 91 kg.

O problema é o peso do carro. Com 1.286 kg, o Captur CVT é 144 kg mais pesado que o Nissan Kicks (que usa o mesmo motor 1.6, mas com denominação HR e com calibração diferente para render 114 cv com gasolina ou etanol, e a mesma transmissão). A diferença de peso aparece com mais clareza nos números de desempenho: apenas como referência, em nosso teste o Captur CVT levou 13,6 s na aferição de 0 a 100 km/h, dois segundos mais lento que o primo de origem japonesa. As retomadas do Kicks também foram mais rápidas. Ambos os carros foram testados vazios, apenas com o motorista. A relação entre peso e potência do Kicks é de 10,02 kg/cv; a do Captur é de 10,72 kg/cv.

Renault Captur

AVANÇO DO CVT

Comparado ao Captur 2.0, no entanto, a versão 1.6 se mostra mais vantajosa: tem praticamente o mesmo desempenho na aceleração (o 2.0 fez o 0 a 100 km/h em 13,0 s) e consumo equivalente. Mas roda com menos aspereza e com mais suavidade na troca das marchas. A Renault diz que o 2.0 é “para quem busca desempenho” e que a substituição do câmbio de quatro marchas pelo de seis – tendência entre a maioria dos fabricantes – está, por enquanto, descartada.

A aplicação de um CVT no 2.0 também está fora de questão, segundo a Renault, embora a empresa afirme, citando pesquisa da consultoria IHS Automotive, que a transmissão continuamente variável equipará 12% dos veículos vendidos até 2020, o dobro em relação a 2010. O Duster 1.6 também acaba de receber a caixa CVT.

As trocas de marcha no Captur CVT podem ser feitas pelas aletas na coluna de direção, recurso não oferecido pelo Kicks. Com isso, você pode simular a troca de seis marchas, como em um câmbio manual. Não ajuda muito na disposição do carro: o melhor é manter a alavanca em drive e rodar sem pressa no trânsito urbano. Com torque de 16,2 mkgf (com etanol ou gasolina) a 4.000 rpm, o carro arranca com suavidade e se mantém dessa forma desde que você não exija muito do acelerador. Em trechos de subida, com três adultos a bordo, percebe-se o esforço do motor para movimentar o conjunto. Ainda assim, por R$ 3.500 a menos, é melhor negócio que o Captur 2.0 com caixa automática.

DOIS TONS

A versão 1.6 Intense cedida para o teste é bem equipada. Vem de série com quatro airbags, chave-cartão presencial, ar, direção elétrica, sensor de estacionamento e de chuva, faróis de neblina com função cornering (que acompanha o movimento da direção em curvas), rodas 17 exclusivas, além dos controles de estabilidade e de tração. Outro item de série, opcional de R$ 2.500 na versão Zen, é a central multimídia Media NAV com tela de 7” integrada ao painel e com câmera de ré integrada – um dispositivo sensível ao toque e de operação intuitiva. A coluna de direção tem regulagem de altura, mas não de profundidade, item que melhoraria a ergonomia do carro. Bancos de couro são opcionais de R$ 1.500 e a pintura metálica em dois tons (segundo a Renault, preferência de 85% dos compradores) sai por R$ 2.900 extras.

Renault Captur

O acabamento interno ainda tem muito a evoluir: um SUV reconhecido pelo belo desenho da carroceria merecia maior capricho e materiais com maior sensação de qualidade percebida. O espaço, em contrapartida, é generoso para quatro adultos e o porta-malas de 437 litros de capacidade é um dos maiores da categoria, empatado com o do Honda HR-V.

CAPTUR x DUSTER

O conjunto de suspensão agrada quem busca rodar confortável e não gosta de ousar nas tomadas de curva. Com eixo de torção na traseira, o Captur tem comportamento mais agradável que o HR-V que não filtra com a mesma eficiência os desníveis do asfalto. A direção, com assistência eletro-hidráulica, poderia ser mais precisa. Os freios (discos dianteiros/tambor traseiros) têm boa modulação e param o carro dentro da distância média dos concorrentes.

Erguido na mesma base do Duster, o Captur, no entanto, tem isolamento acústico mais bem apurado, qualidade que melhora o conforto a bordo. Os bancos são bem desenhados, apoiam bem o corpo, mas o banco do motorista exige que você dirija em posição elevada.

A Renault diz que o Captur tem atraído novos compradores para a marca e não vê possibilidade de o modelo tirar vendas do Duster. Pesquisa da marca apontou que 5% dos compradores do Duster trocaram o modelo pelo Captur. Com a chegada do 1.6 CVT talvez este índice aumente.

Renault Captur

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