Renault Koleos: resgate de prestígio

Aceleramos o Koleos, o rival do Hyundai Santa Fe, que você verá no Salão. Quando chega? Depende do dólar

Por Rodrigo Mora // Fotos: Divulgação

No começo de agosto o CEO da Aliança Renault-Nissan, Carlos Ghosn reuniu alguns jornalistas em São José dos Pinhais, Paraná, sede da fábrica Renault, para anunciar a produção do hatch Kwid – que, no Brasil será vendido como SUV compacto – e do Captur, este sim um SUV erguido na mesma plataforma do Duster. Ghosn também apresentou um terceiro utilitário-esportivo, mas foi reticente quanto sua chegada ao País: a única garantia é que o Koleos, um modelo fabricado na Coréia do Sul e cotado em quase R$ 200 mil, estará no Salão para dar mais prestígio à Renault. Depois? Tudo vai depende da cotação do dólar.

Pelo porte – são 4,67 m de comprimento, entre-eixos de 2,70 m e porta-malas de 550 litros – , equipamentos e pelo acabamento caprichado, o Koleos é rival de Hyundai Santa Fe, Kia Sorento e ainda pode seduzir compradores de Honda CR-V e de Toyota RAV4. Mas, como se verá nesta avaliação, feita nos arredores de Paris, França, o SUV tem alguns recursos mais interessantes que o dos concorrentes. Sua apresentação no Salão do Automóvel de São Paulo (10 a 20 de novembro) servirá para a Renault medir a reação do público. Depois, a economia terá de se manter estável, sem disparadas do dólar, já que o Koleos é importado da Coreia da Sul – ele também é fabricado na Rússia. Vale lembrar que a alta do dólar impediu a Renault de trazer o Megane RS.


HOLANDA

A primeira boa impressão que o Koleos passa é seu desenho. O SUV foi lançado em 2009, como o primeiro crossover 4x4 da marca francesa, foi reestilizado em 2012 e em 2014. Mas só a passagem para a segunda geração, que estreou durante o Salão de Pequim deste ano, em abril, conseguiu resolver a aparência polêmica da primeira fase.

Desenhado pelo holandês Laurens van den Acker, vice-presidente sênior mundial de design da marca, o Koleos terá como principal virtude o estilo ousado e as linhas em harmonia.

Mesmo o parisiense, acostumado com a atual identidade da Renault e com outros automóveis bem dotados esteticamente, torcia a cabeça para acompanhar o Koleos no trânsito durante nossa avaliação na capital francesa.

Lá dentro, o SUV se defende dos rivais com ótimo espaço, principalmente na fileira de trás, posição de guiar que não se parece tanto com a de um microônibus como a de alguns rivais e sistema multimídia fácil de operar e que se destaca na cabine.

É o sistema R-Link 2, que lembra um tablet e tem funções táteis, como usar os dois dedos para o zoom, rolagem de página e arrastar e soltar um ícone. Por essa tela de 8,7” controlam-se rádio, navegação (em 3D), smartphones e configurações do veículo. O sistema vai além do que os concorrentes oferecem por também permitir a customização das telas iniciais e pela oferta de aplicativos disponíveis na loja R-Link Store.


COMMODITIES

Equipamentos como abertura do porta-malas passando o pé sob o para-choque traseiro, teto-solar panorâmico, ar-condicionado bizona com saída para o banco traseiro, bancos dianteiros elétricos, monitoramento de troca involuntária de faixa, alerta de ponto cego, assistente de estacionamento e seis airbags já são commodities neste segmento. E o Koleos conta com todos eles.

O acabamento não decepciona, mas há mais partes de plástico (no painel das portas, por exemplo) do que esperávamos. O isolamento acústico também merecia um pouco mais de capricho.

2.5 E CVT

O motor é o 2.5 que a Nissan usa no Altima, mas com 170 cv de potência e 23,7 mkgf de torque. O câmbio é do tipo CVT, com sete marchas simuladas. É uma combinação mais interessante do que o 2.0 de Honda CR-V (150/155 cv) e Toyota RAV4 (145 cv), embora não empolgue tanto quanto o eficiente 3.3 V6 de 270 cv de Kia Sorento e Hyundai Santa Fe. O CVT funciona a contento, sem interagir com o motorista como  um automático convencional. Mas, na prática, embala bem o SUV de 1.607 kg.

O Koleos tem a direção bem calibrada, menos anestesiada do que a do Santa Fe (embora o Hyundai tenha ajuste do peso da direção, equipamento ausente no Renault). Nas curvas, rola menos do que os concorrentes coreanos.

O preço estimado, entre R$ 150 mil e R$ 200 mil, seria maior que o cobrado pelo CR-V e pelo RAV4, mas o Koleos entrega mais em todos os sentidos. Difícil será encarar os coreanos se o Renault esbarrar nos R$ 200 mil. O Kia Sorento sai por R$ 189.990, enquanto o Santa Fe mais caro, com sete lugares, custa por R$ 192.990.

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