Ford Fusion Hybrid: o preço da tecnologia

A combinação de motor a gasolina + elétrico por R$ 160 mil

Por Rodrigo Mora // Fotos: Divulgação

Passaram-se sete anos desde que o primeiro Fusion Hybrid chegou ao Brasil, e até agora cerca de 1.800 carros com motor a gasolina auxiliado por outro elétrico foram vendidos, segundo números da Ford. Não é uma quantidade expressiva, mas a marca não abre mão de manter a tecnologia híbrida no portifólio do principal mercado da América do Sul. Questão de princípios, reforço da imagem e, principalmente, um olho no futuro cada vez mais próximo.

Com o Fusion Hybrid a Ford consegue se inserir no radar de quem quer provar o gosto da próxima década. O sedã, que se mantém como o único de seu porte disponível com a mixagem entre combustão e eletricidade, sai por R$ 159.500 o que não é exatamente uma pechincha. No entanto, seu raciocínio não pode apenas se escorar no peso das notas de dinheiro e sim na seguinte pergunta: quanto valeria uma viagem para o futuro?

Nela, o dono deste sedã desfrutará de baixíssimo consumo, que pode chegar a 18 km/l na estrada, uma bem nutrida lista de equipamentos que inclui controle de velocidade adaptativo, alerta de colisão com frenagem automática até 40 km/h, detector de pedestres e de objetos que se deslocam lateralmente e alerta de mudança involuntária de faixa. Isso tudo combinado com o Sync 3, um dos sistemas multimídia mais completos e de fácil manipulação que a Ford dispõe.


SILÊNCIO

Aliado a esse caminhão de benesses o Fusion se mostra extremamente silencioso, por fora e por dentro. Já na partida há uma dúvida se ele está realmente pronto – o começo da experiência se dá apenas com o modo elétrico ativado. Como nada acontece, você só percebe que está em condições de partir quando vê o painel com a indicação EV (de Eletric Vehicle).

Quando o motor 2.0 se vale do uso combinado com o elétrico o ruído sobe um pouco, muito porque o 2.0 em ciclo Atkinson é ruidoso por natureza. Com cinco estágios, o ciclo aumenta a eficiência em detrimento do desempenho, aumentando a fase de expansão das câmaras e diminuindo a fase de compressão, que dá mais força ao conjunto. Mas se você maneirar na força do pé direito conseguirá mantê-lo apenas no modo elétrico, até os 60 km/h. E isso é igual a não gastar uma gota sequer de gasolina durante alguns bons quilômetros percorridos.

A versão também traz microfones instalados em pontos estratégicos no interior que captam ruídos e os reduzem ou os anulam, conforme a intensidade. Combinados, o motor elétrico e o 2.0 a gasolina somam 190 cv. O câmbio é um CVT com função de marcha reduzida e sem trocas virtuais.


 Embora os híbridos e elétricos tenham o benefício de isenção de rodízio, para os paulistanos, as vantagens tributárias, como o desconto de 40% no valor do IPVA não vale para o Fusion. As benesses se limitam ao modelos de até R$ 150 mil. Outra ressalva é o portas-malas, que abriga as grandes baterias e cuja capacidade cai de 514 para 392 litros. Duas questões, além do preço elevado, que o afastam um pouco do público comum. Afinal, com menos dinheiro (R$ 142 mil) você entra em um Fusion Ecoboost completíssimo, carro que rasga as retas com a velocidade de um esportivo.

Só que a história do híbrido existe para justamente demover você da ideia de que ir mais rápido é melhor. O Fusion funciona como embaixador da tecnologia da Ford, que prega ir gastando o mínimo possível e poluindo cada vez menos. Sua existência não depende de boas vendas, mas para mostrar que a empresa está empenhada em mostrar-se politicamente correta. Quem compra reforça esse compromisso, que é muito mais sério do que apenas economizar combustível.


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