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Fiat Toro 2.4: irmã do meio

Picape ganha versão intermediária com motor 2.4. A missão? Mostrar que há espaço para um terceiro caminho

Por Marcelo Moura // Fotos: Divulgação

Em uma família há o senso comum de que o primogênito é o mais responsável e destacado, o caçula é o mimado protegido pelos pais e o filho do meio é quem sobra nessa relação. Na família Toro o primeiro papel fica nas mãos do poderoso 2.0 turbodiesel, de 170 cv e 35,7 mkgf de torque, que fez a picape se destacar no segmento. O filho mais novo é representado pelo insosso 1.8 flex, com 139 cv, 19,3 mkgf e desempenho que deixa a desejar para uma picape de 1.704 kg. Para preencher o espaço entre eles a marca oferece agora o 2.4 Tigershark flex de 186 cv e 24,9 mkgf. A questão é: ele tem personalidade suficiente para se destacar entre os dois ou vai sofrer com o esquecimento da síndrome do irmão do meio?

FIAT + CHRYSLER

Com tração 4x2, potência maior que o 2.0 e torque superior ao do 1.8, a Toro 2.4 tem a missão de preencher o enorme buraco que havia entre as duas versões pré-existentes. Ou seja, fazer a cabeça de quem acha o flex fraco, mas considera o turbodiesel exagerado demais para rodar na cidade. Exatamente por isso, a versão intermediária chega na configuração única Freedom por R$ 98.730, o mesmo preço da 2.0 Freedom com tração 4x4, mas câmbio manual.

A Toro 2.4 é um resumo do que é o conglomerado Fiat Chrysler. O motor Tigershark da Chrysler, produzido no México e que equipa o Renegade nos Estados Unidos, traz o cabeçote MultiAir2, sistema eletrônico que controla  a abertura das válvulas de admissão e ajuda na queima de combustível e na redução das emissões. Na luta para diminuir esses números o motor também traz bloco de alumínio, pistões de altura reduzida e revestidos para menor atrito, sistema de partida que dispensa o tanquinho e Start/Stop Segundo a Fiat, as mudanças reduzem o consumo em até 20%. Mesmo com isso e o câmbio automático de nove marchas os números não empolgam: o Inmetro fala em médias com etanol de 5,9 km/l na cidade e 7,9 km/l na estrada.


SONO LEVE

Esqueça aquela picape modorrenta, que chegava ao limite nas acelerações e se arrastava nas saídas com o motor 1.8. O 2.4 deu vida nova à Toro em baixa rotação, em parte graças ao sistema MultiAir que libera 91% do torque logo a 2 mil rpm. Apesar do apetite extra e da boa relação com o câmbio automático de nove marchas (7ª, 8ª e 9ª funcionam apenas como overdrive) o desempenho ainda não é espetacular: os 1.700 kg fazem com que a picape sofra e peça mais pé no assoalho em ladeiras e ultrapassagens. Nada fora do comum, tanto que a Toro 2.4 é a mais rápida da família no 0 a 100 km/h: 9,9 s, segundo a Fiat.

A situação melhora com o novo modo Sport acionado. Ao toque de um botão no painel o mapeamento muda, o acelerador fica mais sensível e a troca de marchas acontece em giros mais altos. Outra novidade positiva é o sistema Start/Stop, que desliga em paradas rápidas. Sem ser intrusivo e com atuação sutil, ele não te incentiva a xingar e desligar o sistema no primeiro sinal de trânsito pesado como boa parte dos seus semelhantes.

Nem a agressividade do irmão mais velho. Nem a lentidão do irmão mais novo. Às vezes o equilíbrio é a melhor virtude para se sobressair.

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