Fiat Mobi Drive GSR: evolução da espécie

Nascido como patinho feio há um ano, Mobi mostra que nunca é cedo demais para evoluir

Por Marcelo Moura // Fotos: Divulgação

O Mobi surgiu em abril do ano passado com timing mais errado que piada em velório. Mas como uma mãe que percebe tardiamente que errou na criação do filho, a Fiat, aos poucos, vai corrigindo os pontos fracos do seu caçula. Primeiro veio o motor tricilíndrico 1.0 Firefly (apenas na versão mais cara Drive, é bom lembrar), que não ficou pronto na época do lançamento e foi substituído pelo Fire, de quatro cilindros. Agora é a vez do câmbio automatizado. Sim, estamos diante da maneira mais barata de aposentar o pedal da embreagem no Brasil. Basta ter R$ 44.780 na carteira. Fora isso, o mais próximo em valor que você vai encontrar é o Up Move i-Motion, que sai por R$ 48.365.

Antes de falar como o Mobi reage com o novo câmbio, é preciso entender seu nome de batismo: GSR, sigla para Gear Smart Ride. Sentiu falta do sobrenome Dualogic? O GSR é basicamente uma evolução do Dualogic. A Fiat diz que o sistema sofreu tantas alterações para tabelar com o motor Firefly, que merece se distanciar do seu antecessor com uma nova alcunha. Em bom português: câmbio automatizado trabalhando em conjunto com o Firefly é GSR. Câmbio automatizado acoplado ao antigo Fire é Dualogic.  O novo batismo também será levado para outros modelos, como o Uno.


RELACIONAMENTO ESTÁVEL

Apesar da mudança o GSR traz herança forte do Dualogic. O acionamento é feito por botões no console central, os atuadores também são hidráulicos e algumas funções como a creeping – que simula a aceleração leve dos automáticos quando se tira o pé do freio – e a auto-up shift abort (que aborta a subida de marcha caso o sistema identifique a necessidade rápida de uma retomada) continuam ali. Parece ser apenas mais uma boa jogada de marketing da Fiat, especialistas nessa área, certo? Não é! O GSR é realmente superior ao seu antecessor. 

O sistema ganhou sensor de inclinação, que permite identificar o grau de dificuldade de uma ladeira e assim escolher melhor entre segurar ou mudar a marcha. Em relação ao Dualogic, o GSR também é mais afinado, rápido e suave nas trocas, agora um pouco mais parecidas com as de uma transmissão automática convencional.  Tudo isso diminui os trancos e, finalmente, faz com que você abandone o ojigi, aquela reverência curvada usada pelos orientais, a cada retomada.

Mas não há milagre. Em algumas situações específicas as imperfeições e solavancos aparecem. No anda e para do trânsito pesado e na hora de usar a função creeping o Mobi automatizado se torna mais indócil. Em resumo, o relacionamento entre motor Fire e câmbio Dualogic era como um casamento desgastado. Já a união entre o 1.0 Firefly, de 77 cv e 10,9 mkgf de torque, e o GSR é como aquele na fase pós lua de mel: algumas coisas irritam, mas no geral vale a pena.

Há também borboletas atrás do volante e uma opção de modo esportivo, acionada através do botão S no console. Use e abuse da primeira sempre que quiser. Esqueça a segunda sempre que puder. Nela os giros sobem demais e não combinam muito com o trânsito carregado das cidades.

 A Fiat diz que o Mobi Drive GSR é o 1.0 mais econômico do Brasil. Segundo o Inmetro, o consumo com gasolina fica em 14 km/l na cidade e 15,9 km/l na estrada. O consumo médio (14,9 km/l) é idêntico ao do Volkswagen Up TSi (13,8 km/l e 16,1 km/l, respectivamente).

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