Avaliamos o novo Volkswagen Tiguan

Uma volta na versão de cinco lugares que, infelizmente, não virá ao Brasil. Por aqui, ficaremos apenas com a de sete

Fotos: Divulgação | Texto: Luiz Guerrero

O Tiguan de segunda geração ficou maior, ganhou o refinamento técnico que faltava na geração anterior e agora se apresenta com acabamento interno equivalente ao de carros mais caros. É a boa nova. A notícia que pode deixar você desapontado é que a versão avaliada por nós da C/D na Alemanha não é a mesma que chegará ao Brasil nos próximos meses: o que teremos será uma variação quase 22 cm maior, com maior capacidade de porta-malas, uma fileira extra de bancos, o mesmo refinamento técnico e de acabamento, e obviamente mais cara chamada AllSpace. As impressões sobre o novo Tiguan que você verá aqui, portanto, só valem para este carro que, vamos reforçar, não está nos planos da marca para o Brasil.

CINTURA ALTA

O que se destaca no desenho do Tiguan não são os faróis, agora maiores, unidos pela grade cromada de três frisos e adornados pelo colar de LEDs, composição comum aos novos Volkswagen e que formam o que a indústria chama de identidade visual de uma marca. O que se destaca é a acentuada linha de cintura que nasce como um prolongamento dos faróis, definem a curvatura do para-lama dianteiro e contorna a carroceria para destacar as lanternas traseiras que simulam efeito tridimensional.

“É o que define o caráter do carro”, explica Marco Pavone, responsável pelo projeto. Marco, paulistano e irmão gêmeo de José Carlos Pavone, atual chefe de designer da VW brasileira, é hoje o mais prestigiado designer da VW alemã – seus trabalhos incluem o Up e o novo Polo, entre outros. “É um desenho que ressalta a solidez e a precisão do Tiguan.” Ele também chama atenção para o curto balanço (a distância entre o centro da roda e as extremidades do veículo) nos dois eixos, solução que destaca as proporções do carro.

Volkswagen Tiguan

Dirigimos a versão Highline, a mais completa, equipada com todos os opcionais (estamos falando do cluster virtual, o Active Info Display, o pacote de assistência ao motorista, o head-up display, o projetor de informações no para-brisa e também os bancos anatômicos com ajuste lombar e massageador, entre outros equipamentos). Das onze opções de motor, a VW nos cedeu duas para avaliação – as 2.0 TSI de 180 cv e a de 220 cv com transmissão automatizada de sete marchas e tração integral.

Como em todo VW, a arquitetura interna segue o mesmo padrão de sobriedade. Mas nota-se que a qualidade dos materiais de revestimento é de primeira qualidade, da forração dos bancos ao acabamento das portas. Há recurso de ajustes de altura e de profundidade da coluna de direção, mas o volante só se mantém em duas delas – elevado e mais elevado, característica herdada da geração anterior.

Com essas qualidades, esperava-se que a novidade tivesse rodar mais silencioso. Os ruídos do vento a partir dos 100 km/h e do atrito dos pneus no excelente asfalto alemão invadem a cabine e com o tempo se tornam incômodos.

BASE MODULAR

O Tiguan é o primeiro SUV do Grupo VW construído sobre a plataforma modular MQB, criada em 2012 e que serviu de base para 28 modelos do Grupo até o momento, no total de 4,6 milhões de veículos em 32 fábricas. No Brasil, por enquanto apenas Golf e Audi A3 Sedan são erguidos na MQB. A versão de sete lugares AllSpace usa a mesma plataforma alongada. A redução de peso (cerca de 50 kg no caso do Tiguan), a rigidez do conjunto e o centro de gravidade mais baixo são alguns dos benefícios gerados pela base.

Por fora, o Tiguan cresceu 6 cm no comprimento e 7,7 cm no entre-eixos em comparação ao antigo. Na prática, o espaço interno foi ampliado e o maior benefício disso é notado no banco traseiro. O conjunto é montado sobre trilhos e pode ser deslocado em até 18 cm para abrir espaço para bagagem e o encosto pode ser reclinado em três posições. A capacidade do porta-malas é de 520 litros com o banco na posição recuada e pode chegar a 1.655 litros com os encostos rebatidos. Opcionalmente, o modelo pode contar com o sistema de abertura da tampa do porta-malas por sensores, acionados pelo pé.

Volkswagen Tiguan

CURVAS

O motor de 180 cv deixa a desejar para quem busca desempenho – o que não deve ser o caso dos compradores do Tiguan. A dinâmica do carro, contudo, é impecável. Apoiado em conjunto de suspensão independente, calçado com rodas de 17 polegadas (de série na Highline) e monitorado por sensores de estabilidade, o novo Tiguan tem comportamento surpreendente em curvas.

Um dos opcionais presentes no carro que dirigimos é a direção progressiva, sistema comandado eletronicamente que, entre outras características, reduz o número de voltas no volante em manobras de baixa velocidade e torna a relação mais direta em velocidade. O sistema de tração integral tem quatro modos acionados por roldana no console – de piso escorregadio a terrenos acidentados.

Se pelo menos parte dessas características se mantiveram na versão alongada que chegará ao Brasil – um Tiguan maior e mais pesado, embora com motor mais forte –, você terá a opção de um SUV com dinâmica de automóvel. Torça apenas para não ter de pagar uma fortuna pelo melhor dos dois mundos.

Volkswagen Tiguan

O TIGUAN “BRASILEIRO”

Volkswagen Tiguan Allspace

Na Europa ele ganhará o complemento AllSpace no nome e será vendido junto com o Tiguan que acabamos de mostrar acima. Nos Estados Unidos e no Brasil, a versão de sete lugares do SUV perderá o sobrenome: será apenas Tiguan. O AllSpace, mostrado no último Salão de Detroit, EUA, começa a ser fabricado na Alemanha e no México e chegará ao Brasil nos próximos meses, importado do México, na versão mais forte, a de 240 cv com transmissão automática de oito marchas e tração integral 4 Motion. Para abrigar a terceira fileira de bancos, o modelo cresceu 21,5 cm (ficou com 4,69 m)no comprimento e 11 cm no entre-eixos em relação ao novo Tiguan. As portas traseiras são maiores para facilitar o acesso aos dois bancos extras e a capacidade do porta-malas, com a terceira fileira rebatida é de 760 litros.

A C/D andou com a novidade, ainda camuflada, no deserto de Kalahari, África do Sul, e elogiou os acertos de suspensão, que pode se adaptar ao terreno, e de direção do modelo. Também destacou o conforto dos passageiros da segunda fileira – o banco pode deslizar em até 17 cm longitudinalmente e seu encosto bipartido é reclinável. “Embora haja boa área para as pernas nos bancos extras, falta espaço para a cabeça, além do acesso difícil”, observou. O AllSpace começa a ser vendido em setembro na Europa.

Volkswagen Tiguan Space