Avaliamos o novo Nissan Sentra

Sedã se atualiza para não perder de vista concorrentes que, em breve, chegarão renovados

Por Mário Venditti // Fotos: Bruno Guerreiro

Uma das brigas mais ferrenhas no mundo capitalista é a da indústria de bebidas. Veja o caso de Coca-Cola x Pepsi. Uma está sempre atenta aos passos da outra. Quando a Coca lançou seu famoso refrigerante com zero caloria, a Pepsi contra-atacou com o de... três. Sim, ela assumia que o seu tinha algumas pitadas de teor calórico que, afinal, não fariam mal a ninguém. Em qualquer segmento de atividade é assim: quem observa a movimentação da concorrência sem fazer nada para melhorar seus produtos assina atestado de óbito.

Para mostrar que está bem viva entre os sedãs-médios, a Nissan se prepara para as chegadas dos novos Honda Civic (agosto ou setembro), Chevrolet Cruze (julho) e Toyota Corolla (em 2017) e faz a reestilização do Sentra com objetivo claro de seguir forte como coadjuvante. Você há de concordar: a chance de o Sentra superar as vendas de Corolla e Civic é igual à do Tiririca se tornar presidente da República.

Enquanto os eleitores não são acometidos por essa insanidade coletiva, manter o terceiro lugar já é bom negócio. A reforma no Sentra não foi tão drástica quanto a mudança de fórmula da Coca-Cola, mas deixa o carro mais moderno. Na dianteira, o belo capô cheio de vincos que desce até a grade em V. Os faróis foram redesenhados e a versão topo de linha SL tem o contorno de LEDs em formato de bumerangue. A intervenção na traseira resume-se a lanternas com novos grafismos internos.


CULPA DO DÓLAR

Se você conhece o Sentra anterior, vai perceber a diferença logo ao entrar na cabine. O volante é inspirado no do cupê 370Z e as informações da central multimídia são exibidas na tela de 5 polegadas. O sedã mantém o conforto para cinco ocupantes graças ao entre-eixos de 2,70 m e o motorista passa a ter um bônus na versão SL: o banco com seis posições de ajuste elétrico.

A Nissan não altera as nomenclaturas das versões e nem incorpora alguma nova. Continuam S, SV e SL (a série Unique parou na linha 2016), mas a novidade é que a de entrada aposenta o câmbio manual de 6 marchas em prol da transmissão CVT. Porém, prepare-se para pagar por isso. A versão S passa de R$ 69.590 para R$ 79.990.

Segundo a Nissan, a cotação do dólar é a principal vilã do aumento de preço do carro que vem do México. A intermediária SV custava R$ 76.990 e agora está R$ 79.990. Já a SL, que era vendida a R$ 86.290, salta para R$ 95.990.

CARA A CARA MELHOR

O motor não sofreu modificações. É o mesmo 2.0 de 140 cv e torque de 20 mkgf alcançados só a 4.800 rpm para as três versões. Não decepciona na hora de levar os 1.360 kg do sedã – só não espere fortes emoções. O Sentra te dá conforto, mas não está em seu DNA o dom da empolgação. É aquele refrigerante que satisfaz o paladar, mas não mata a sede.

A estreia do Sentra reestilizado nas concessionárias da marca já causa impacto imediato no antecessor, que pode ser comprado com bons descontos. Por telefone, conseguimos a versão SL antiga por R$ 81.900, seguida pela habitual frase “passe aqui para ver o que a gente consegue melhorar”. Ou seja, pessoalmente, o preço cai ainda mais. Basta você não se importar com o design pouco defasado, mas que não compromete.

Se o preço chega a assustar, os valores de manutenção não são extorsivos dentro de sua categoria. Você vai gastar R$ 3.014 nas revisões até 60 mil km, pouco mais que Corolla (R$ 2.965) e bem menos que Civic (R$ 3.660) e VW Jetta (R$ 3.900).

O seguro também não é abusivo: R$ 2.539. Até porque ele será muito útil se você se envolver numa batida frontal. Afinal, só o farol direito do Sentra custa R$ 950 e o para-choque dianteiro, R$ 1.039. É o preço que se paga para não perder a concorrência de vista.


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