Avaliação: Volkswagen Cross Up 2018

Aventureiro muda o mínimo possível para continuar sendo o carro ideal de muita gente

Fotos: Divulgação | Texto: João Anacleto

O Cross Up é a prova máxima de que a Volkswagen havia entendido o recado do público antes de todas as outras marcas. Marketing e engenharia perceberam que um carro que recebe um sobrenome aventureiro não precisa, efetivamente, estar pronto para andar sobre o cascalho a 140 km/h nas planícies do Atacama, ou ir encarar as estradas rumo ao Jalapão.

Ele só deve parecer que consegue isso, mas sem que seja necessário gastar rios de dinheiro com um desenvolvimento que, normalmente, deixa o carro com uma aparência, no mínimo, duvidosa. Sem penduricalhos demais e com um exercício fino de design ele chega em sua reestilização de meia vida tão sóbrio e atraente quanto sempre foi. E é isso que nos deixa uma pontinha de certeza de que ele continuará gozando de relativo sucesso.

Oferecido como a versão intermediária da linha e com um preço inicial de R$ 55.600 (o High Up parte de R$ 57.100), o Cross Up recebeu retoques na grade dianteira, pintada de preto brilhante, na moldura do brasão dianteiro e no para-choque traseiro, além da nova identidade das lanternas. Os faróis de neblina agora têm função connering light que permite o facho de luz acompanhar o caminho do carro em curvas e manobras no escuro. O ESP continua sendo de série em toda a linha TSi, e como todo Cross Up vem com o 1.0 turbo de 105 cv, ele está ali ativo como sempre.

O que ainda falta ao Cross Up, como falta a toda a linha que usa o motor 1.0 três-cilindros sobrealimentado, é a opção de cambo automático. A VW ainda não se decidiu por equipá-lo com a transmissão I-Motion – que definitivamente agrada pouco ao consumidor brasileiro, como todos os outros automatizados de embreagem simples – nem por encaixar ali uma transmissão automática convencional, com conversor de torque. Em alguns meses o câmbio Tiptronic equipará a linha 1.6 MSI (motor 1.6 16V de 120 cv), mas ainda não há notícia de seu emprego nos modelos 1.0. O que é uma pena. Disponível apenas com câmbio manual, ele é uma prova de que há como ter prazer ao volante sem gastar muito. Mas o prazer aliado a mais conforto, é mais prazer.

Volkswagen Cross Up

EFICIÊNCIA

Esperar refinamento de um carro de entrada, mesmo com esse preço, seria como querer leveza de um machado. Mas o Up é bem construído. Além do novo painel de instrumentos, presente em toda a linha, a versão Cross ganhou textura de bom gosto no revestimento plástico do painel, que o diferencia do restante da linha. Soleiras das portas, revestimento trançado dos bancos e inscrição Cross Up nos encostos são outros detalhes. Se você quiser banco com couro sintético, terá de pagar R$ 830 pelo opcional. Que também vem grafado com a inscrição “Cross” no encosto dos bancos

Por mais R$ 1.400 você leva o Composition Phone, equipamento que transforma seu celular na central multimídia do carro, desde que você baixe o aplicativo Maps & More, uma solução mais barata de conectividade entre carro, motorista e telefone. O único incoveninete desse sistema é a exposição demasiada do seu aparelho no console do carro. Por questões de segurança, mesmo. Afinal, o celular é o item número um em roubos e assaltos no trânsito. Uma central multimídia fixa ali, ainda que mais cara que o valor pedido pelo opcional, seria mais segura. 

Volkswagen Cross Up

Só faltou repensar a posição das saídas de ar-condicionado. A principal, instalada no topo do painel, não consegue a eficiência e o refinamento que o Cross Up potencializou na linha 2018. Leva mais tempo para refrigerar o ambiente e, especialmente o motorista. O fluxo de ar só vem diretamente no corpo dos que sentam à frente pelas pequenas saídas colocadas nas laterais do painel o que, dependendo da temperatura, também é ineficiente. Em dias muito quentes ela também faz com que uma parte do para-brisa fique um pouco embaçado, em virtude do contraste do ar gelado com o vidro mais quente.

Gostamos das rodas exclusivas para esta versão e da manutenção dos retrovisores com função tilt-down para manobras, ainda que não seja necessário muito esforço para estacionar um carro tão prático assim. Sua direção direta e seu conjunto bem construído também permanecem intactos, assim como a vontade de o motorista acelerar a cada vez que sente os 16,8 mkgf de torque fazendo efeito e dando um banho de eficiência em muitos carros maiores por aí.

Volkswagen Cross Up

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