Avaliação: Toyota Hilux SRV

Versão flex da picape da Toyota levou nove meses para chegar ao mercado

Por João Anacleto // Fotos: Divulgação

Imagine percorrer 35,9 km de picapes Hilux enfileiradas? Essa é a vantagem em vendas que ela impôs à Chevrolet S10 nos primeiros sete meses do ano. São 6.739 unidades vendidas a mais, ou 962 por mês. Talvez essa folga tenha permitido com que os japoneses tivessem calma para aplicar o motor flex na nova geração, que por enquanto era vendido sob o capô da antecessor, sem as melhorias de agora. Com ela a marca espera incrementar em 15% às vendas do best-seller.

A novidade chegou com três opções de cabine dupla. A SR, com tração 4x2, que custa R$ 111.700, a SRV 4x2, de R$ 120.800 e a SRV 4x4, avaliada nesta reportagem que sai por R$ 131.200. Todas têm câmbio automático de seis marchas, uma melhoria e tanto se compararmos o antecessor, que tinha só quatro marchas e era pouco para os seus 1.970 kg de peso.


BALÃO APAGADO

A bem da verdade os 9 meses de espera entre o lançamento da nova geração, em 18 de novembro de 2015, e a versão flex, em 3 de agosto último, se devem ao fato de o mesmo 2.7 flex da geração anterior ter passado por uma reformulação detalhada de alguns componentes. O quatro cilindros teve o formato da câmara de combustão, e da entrada de combustível, refeitos para melhorar a eficiência. As peças agora são mais leves, diminuindo o atrito e a energia de funcionamento. O comando de válvulas duplo VVTi agora é variável tanto na admissão quanto no escape, e há injeção direta de combustível. Tudo visando aplacar sua sede, ponto nevrálgico que explica a diferença de aceitação entre as versões flex e diesel.

Segundo a Toyota, há economia de 7% no consumo, mas na prática quem se irrita por ver o combustível baixar como um balão apagado, não se acalmará. O teste do Inmetro aponta médias de 4,8 km/l na cidade e 5,6 km/l na estrada com álcool. Com gasolina faz 6,9 km/l em trechos urbanos e 8,1 km/l na estrada. Você se sentirá como se estivesse escolhendo entre morrer queimado ou afogado.  


METRÔ

Se o consumo desanima, pelo menos o desempenho melhorou. A Toyota parece ter se preocupado com a atmosfera de quem vai usar a picape no dia-a-dia. É a primeira vez que se ouve algum ronco de motor a bordo da versão flex. Ao girar a chave ela parece copiar as sensações de quem vai dirigir a versão a diesel. Barulho e trepidação são bem semelhantes.

O motor é o mesmo da antecessora, a principal diferença de comportamento está no câmbio, com duas marchas a mais. Agora se pode desfrutar de acelerações honestas, e não parecer que você está saindo com o metrô do semáforo como sempre foi. A tração 4x4 entra eletrônicamente, o que também ajuda na tração para cavoucar o asfalto. No entanto, sentimos uma certa ansiedade da transmissão, em especial na hora de reduzir as marchas em retomadas.

Com um bom pacote de série, munida de sistema multimídia com tela de 7”, TV digital e até computador de bordo em TFT, essa Hilux nasceu, sim, para roubar clientes da S10. Mas mirando também na Fiat Toro Volcano, que por R$ 122.710 queima o diesel que os donos de picape tanto querem. Uma vida dura para alguém que acabou de nascer...  

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