Avaliação: Toyota Corolla GLi

Versão de entrada do sedã ganha equipamentos e fica, claro, mais cara.

Fotos: Bruno Guerreiro | Texto: João Anacleto

Ele nunca foi muito querido, e quase não era respeitado pelos compradores recorrentes do sedã mais vendido do mundo. A versão mais barata do Corolla, que responde pelo sobrenome GLi, sempre teve consigo a responsabilidade de oferecer o mínimo possível em equipamentos, mas ser a porta de entrada para o mundo Corolla. Bancos de tecido, calotas e um sistema de som MP3 player simples como um guardanapo estavam entre os seus “mimos”.

 

Mas nesta reestilização de meio ciclo a Toyota não trouxe como novidade apenas as mudanças estéticas e o ESP de série em todas as versões, inclusive na GLi. Houve também uma surpresa agradável no portfólio. É a primeira vez que o Corolla básico aparece com um espectro que passa longe do carro pé-de-boi que você se acostumou a ver e, possivelmente, e sonhar mesmo sem muita decência.

Agora o GLi se apresenta com bancos de couro, luzes de posição nos retrovisores e rodas de liga-leva aro 16”, herdadas da versão XEi 2016, pré-reestilização. Nunca foi possível ter um Corolla básico assim, com cara de carro caro. Só essas diferenças já tiram do seu caminho aquele dedo apontando e a frase “olha um Corolla de pobre!”.

Tudo bem, ele perdeu o jeitão de carro pelado, mas também ficou mais caro. Não se anda com o sedã da Toyota 0km por aí sem desembolsar, pelo menos, R$ 91.990 (preço que subiu R$ 1 mil desde o lançamento há um mês, e que pode chegar a R$ 93.440 na escolha de alguma cor metálica na carroceria). A diferença de preços para a versão XEi (que também subiu de R$ 99.990 para R$ 103.990 em um mês) que sempre andou na casa dos 14%, baixou para 11,4%. Eles diferem no desenho das rodas (no XEi, Altis e XRS são aro 17”), a falta de faróis de neblina e dos LEDs no farol dianteiro.

MOTOR 1.8

Mas é sob o capô que mora a principal diferença técnica entre eles. O GLi conserva o motor 1.8 que acompanha o Corolla por aqui há três gerações. Ele foi levemente atualizado em 2011 quando a sua potência subiu de 136 cv para 144 cv. Na prática, a sua diferença para o 2.0 é pouco perceptível em desempenho. A bem da verdade, o excelente trabalho do câmbio CVT que acompanha as duas versões, garante o mesmo nível de sensações quando você pisa fundo no pedal da direita. Muda um pouco em altas rotações, em que o 2.0 16V de 154 cv, e com 2,1 mkgf a mais, se sobressai frente ao 1.8.

Lá dentro as alterações também são sensíveis aos mais atentos. O painel de instrumentos não conta com o cluster de LCD das versões 2.0 e que são uma novidade da linha 2018. O ar-condicionado é acionado por botões giratórios e não tem comandos digitais. Já a central de entretenimento é o único porém do sedã. Nesse quesito, ficou simples demais para um carro de R$ 91 mil. É só um rádio com entrada USB, nas versões XEi em diante você conta com uma central de entretenimento propriamente dita, com monitor digital de 7” e munida de GPS e TV digital.