Avaliação: Renault Captur 1.6

Com motor 1.6 e câmbio manual, SUV prova que não é só um rostinho bonito

Por Raphael Panaro // Fotos: Divulgação

“Que bicho bonito é esse?”. A inusitada pergunta vem de um desconhecido quando estaciono o Renault Captur em um posto de gasolina. E segue. “Quanta custa um desse?”. Respondo que perto dos R$ 79 mil, pois se trata de uma versão de entrada. Mas antes que eu pudesse me explicar, o nobre admirador do SUV solta um “tá de parabéns, hein!” e vai embora. Você viu aqui que o design do recém-lançado utilitário na versão topo de linha Intense é unânime, já o trem-de-força... Será que com o motor 1.6 e câmbio manual as coisas melhoram? A resposta é sim!

Quem se deparar com um Captur na rua vai ser difícil distinguir se é a configuração Zen ou Intense. As luzes diurnas de LED em formato de “C” – fator marcante na estética – estão lá. Se ligue na diferença: na Zen, as rodas de liga leve de 17” não são diamantadas e não há faróis de neblina. Por dentro, as distinções são mais notáveis. A começar pela transmissão mecânica e o ar-condicionado – que deixa de mostrar a temperatura. E não há o opcional dos bancos de couro.

Ainda sim o ponto de partida da lista de equipamentos é bem vasto: air bags dianteiros e laterais, controles eletrônicos de tração e estabilidade, assistente de partida em rampa, chave-cartão e piloto automático. Se você quiser a central multimídia terá que desembolsar R$ 1.990 extras. Pintura dois tons? Mais R$ 1.400. Ela vem com câmera de ré, mas fica devendo integração com Apple e Android. O acabamento é praticamente igual. Ou seja, muito plástico duro, um leve tecido nas portas e uma parte em preto brilhante onde vai a tela de 7” do Media Nav.


BELEZA

Outra mudança entre as versões não pode ser vista por fora. O Captur Zen traz o novo motor 1.6 16V da família SCe, que estreou em Logan e Sandero. E ele surpreende no SUV. Claro que não é nenhuma usina de potência e adrenalina. Mas os 120 cv – 2 cv a mais que no hatch e sedã – são suficientes para movimentar bem o modelo de 1.273 kg – principalmente na cidade. As três primeiras marchas – com bons engates, diga-se – são curtas e exploram bem o torque de 16,2 mkgf etanol/gasolina – 90% dele já está disponível a 2 mil rpm. Na estrada o motor vivencia uma falta de fôlego. Em quinta marcha, qualquer relevo mais íngreme faz o ponteiro do velocímetro descer mesmo com o pé no fundo do acelerador.

As retomadas são iguais aos números de consumo: apenas satisfatórias. O Captur Zen 1.6 faz 7,6 km/l (cidade) e 8,0 km/l (rodovia) com caldo de cana e 10,9 km/l (urbano) e 11,3 km/l (estrada) com gasolina. A direção eletro-hidráulica é mais um ponto a melhorar no Captur. Além de pesada para o dia a dia, ela trepida, não transmite muita precisão e também repassa ao motorista qualquer ondulação ou buraco na pista.     

O objetivo do Captur Zen é apelar para o lado racional da coisa. O custo/benefício é o grande trunfo para aqueles que querem entrar no mundo dos SUV, mas não tem ou não está afim de gastar R$ 90 mil ou R$ 100 mil em uma versão mais equipada. Em termos mercadológicos, o Captur Zen pode ser um fiasco por um detalhe simples: a transmissão manual. Quem busca um utilitário compacto quer, entre outros, conforto. E o câmbio automático é um desses itens. Mas para fugir da transmissão de quatro marchas (ou da manual), espere até junho. Lá será lançada o Captur com esse motor 1.6 SCe e câmbio automático do tipo CVT. Essa pode ser a configuração que alia beleza e um conjunto mecânico requisitado.


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