Avaliação: Peugeot 2008

Agora com câmbio automático de seis marchas. Mas só para o aspirado

Fotos: Divulgação | Texto: Luiz Guerrero

 

Primeiro, a boa notícia: a Peugeot substitui a caixa automática de quatro marchas pela de seis no 208 e no 2008. E nisso, o fabricante de origem francesa seguiu os mesmos passos de sua parceira de Grupo (o PSA), a Citroën que há dois meses aposentou a transmissão de quatro marchas no C3 e no Aircross. Seis, na aritmética do consumo e do conforto de rodagem, é melhor que quatro.

A notícia que não foi bem recebida é que a melhor versão do 2008, a Griffe 1.6 THP, com motor turbo de 173 cv de origem BMW, continuará sendo oferecida apenas com a caixa manual de seis marchas. Para quem gosta de dirigir, é uma excelente opção, mas para o comprador desse tipo de veículo, pisar na embreagem é um incômodo. Assim, a caixa sem embreagem ficou restrita às versões com motor EC5 1.6 aspirado, menos potente (118 cv com etanol) e com menor valor de torque (16,1 mkgf).

MÉDIAS

Cruzamento de perua com SUV – ou, se preferir, crossover –, o 2008 agrada pelo bom acabamento, pelo porte compacto, oferta de equipamentos e também pelo desenho no limite do ousado. Mas nem tanto pela disposição do motor. A versão que avaliamos, a Griffe com todos os opcionais, pesa 1.248 kg e isso significa que cada cavalo do EC5 tem de dar conta de 10,5 kg, equivalente à relação peso-potência do Nissan Kicks. E isso tende a piorar com o carro com ocupação completa e mais a bagagem de férias.

O câmbio com conversor de torque fornecido pela Aisin não contribui para deixar o 2008 mais esperto, mas, a exemplo da aplicação nos modelos Citroën, foi calibrado para proporcionar melhores índices de consumo. A Peugeot fala em médias com etanol de 7,5 km/l na cidade e de 9,2 km/l na estrada (e de respectivos 10,7 km/l e 13 km/l com gasolina). Não levamos o carro para a pista de teste, mas durante nossa convivência urbana, rodando vazio e abastecido com etanol, as médias mostradas no computador de bordo não chegaram a 7 km/l.

Peugeot 2008

As relações de marcha são um pouco mais curtas que a fórmula adotada pela Citroën no C3 (equipado com pneus com perfil mais baixo que o do 2008), mas seguem o mesmo princípio de quinta longa (0,93:1) e sexta funcionando como sobremarcha (0,73:1) para favorecer o consumo na estrada. E como nos Citroën, a caixa tem os modos normal, eco e sport, além de trocas sequenciais pela alavanca.

ERGONOMIE

A atmosfera do 2008 é agradável. E se torna melhor com o amplo teto panorâmico de 0,60 m2 de área, de série na versão Griffe, um carro de R$ 85.190. Outra virtude, cada vez mais valorizada nos automóveis, é a central multimídia chamada de i-Cockpit, com conexão para celular e tela flutuante sensível ao toque de boa resolução.

Demorou, mas os franceses acabaram aprendendo com os alemães o sentido da palavra ergonomia e isso se reflete no 2008 – os comandos estão onde devem estar e a posição ao volante, embora alta, é confortável. Um carro com muitas qualidades, afinal. E que passa a ser apoiado por um programa que promete a recompra do carro usado com até 85% do valor da tabela Fipe na troca por um novo – atitude para tentar derrubar a crença de que um Peugeot acaba sendo mico.

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