Avaliação: Mercedes SLC 300

A nova sigla do SLK é uma fina obra de engenharia

Por Luiz Guerrero // Fotos: Divulgação

O Mercedes-Benz SLC pode ser o terceiro ou quarto carro da família. Ou a única arma de caça (e não estamos falando de caça ao Pokémon) do cinquentão que se livrou do pagamento de pensão da ex-mulher. Visto por este ângulo, o roadster é artigo tão supérfluo como um jogo de carpetes Wilson em uma Towner. Há carros igualmente sedutores por metade dos R$ 293 mil pedidos pela versão 300 avaliada. Do ponto de vista técnico, no entanto, o SLC é uma fina obra de engenharia.

Lançado há um ano na Europa, o SLC nada mais é que o SLK (de 1996) com o C no lugar do K e com desenho revisto – especialmente na dianteira, agora mais elegante e mais bem-resolvida. O roadster compartilha a plataforma MRA (sigla em inglês para arquitetura modular para carros com tração traseira) com o Classe C. Chega ao Brasil em duas versões – a outra é a AMG 43 com motor V6 biturbo de 367 cv e R$ 399.900 na etiqueta. O 300 vem com o quatro cilindros turbo de 245 cv. O V6 acelera em 4,7 s no 0 a 100, segundo a fábrica; o 300 é 1,1 s mais lento.

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Os valores de desempenho, no entanto, são o que menos importa no SLC. O que deve ser considerado é 1- a maneira como o carro roda; 2- o conforto que oferece; e 3- as sensações que provoca. Vejamos:

1- A combinação de alumínio e aço de ultra resistência na estrutura não conseguiu reduzir o peso do conjunto, mas em contrapartida tornou a carroceria rígida a ponto de você não se dar conta que está dirigindo um conversível. Na próxima geração, espera-se por um roadster mais leve com o emprego de fibra de carbono;

2- Quem não está acostumado com esportivos pode se incomodar com a suspensão firme. Mas é ela que garante a excelente estabilidade do SLC;

3- O acabamento e os materiais usados na terceira e última geração do SLK chegaram a nível de extremo requinte. O couro dos bancos, costurados manualmente, é macio e perfumado, todas as superfícies são agradáveis ao tato e a ergonomia – à exceção da confusa operação do sistema multimídia Comand – segue a melhor escola alemã de praticidade.

Sim, é supérfluo. Mas tem gente que paga quase R$ 20 mil em uma bolsinha Twist MM da Louis Vuitton e acha que fez ótimo negócio.

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