Avaliação: Jeep Compass Limited

Jeep Compass Limited explica porque pode ser o SUV flex dos seus sonhos

Por Marcelo Moura // Fotos: Divulgação

Você quer um Jeep Flex? O Renegade 1.8 é aquele que, no geral, você pode ter. Custando R$ 72.990, ele é o carro mais em conta da marca por aqui e o que melhor cabe no bolso do brasileiro. Mas sejamos sinceros, com desempenho aquém do esperado, ele não é o Jeep bebedor de etanol que você deseja ter. Se o irmão menor decepciona, toda a responsabilidade cai sobre o Compass. Será que a versão topo de linha Limited é merecedora do título de Jeep Flex dos seus sonhos?

Aqui vale um adendo: a versão em questão sai por R$ 129.900 e é a mais cara da linha Flex da Jeep no Brasil. Com preço mais alto do que isso você só vai encontrar as configurações a diesel.

TUBARÃO-TIGRE

Compass e Renegade são como gêmeos bivitelinos. Apesar de dividirem plataforma e componentes, existem alguns detalhes que o diferenciam como água e azeite. O mais importante deles é o motor. Enquanto o Renegade usa o apático 1.8 flex de 139 cv e 19,3 mkgf de torque da Fiat, o Compass conta com o 2.0 Tigershark que honra o nome inspirador do assustador tubarão-tigre. Ainda moderno apesar de ser usado há alguns anos pelo Grupo FCA no exterior, o bloco recebeu mais de 20 modificações, entre novos componentes e aumento da taxa de compressão, para funcionar com etanol e estrear no Brasil.

São 166 cv e 20,5 mkgf. Pode parecer uma melhora pequena em relação ao Renegade, ainda mais para levar quase 100 kg extras – 1.541 kg ao todo. Mas saiba que 86% do torque já está disponível a 2.000 rpm e algumas tecnologias, como o duplo variador de fase independente que muda o curso de atuação em até 60 graus, ajudaram a melhorar o desempenho.  O Tigershark também combina melhor com o câmbio Aisin de seis marchas: arrancada razoável (0 a 100 km/h em 10,6 s, de acordo com a marca), reduções rápidas e o motor responde de prontidão sem aquele vácuo de alguns segundos que parece durar uma eternidade quando você afunda o pé.

 

Porém não se anime e espere o desempenho e atuação impecável do câmbio ZF de nove marchas do Compass Diesel no Compass Flex. Isso seria impossível. A questão aqui é que apesar da distância você consegue ver uma semelhança natural entre os dois, como humanos e chimpanzés. Já no caso do Renegade a comparação entre flex e diesel segue a lógica de homens e camundongos: apesar dos roedores compartilharem mais de 97 % do nosso genoma, seu cérebro sabe que existe um abismo entre eles.  

RIVALIDADE APAGADA

A posição de dirigir é confortável e um pouco elevada, mas nada que não se espere de um SUV médio com 4,41 m de comprimento e 1,82 m de largura. O acerto da direção e o trabalho da suspensão também lembram muito o Renegade, o que pode mostrar certa falta de personalidade para um carro mais caro. Mas pela competência do acerto, não pode ser considerado algo ruim. Some isso ao desempenho e você terá um carro gostoso de dirigir.

O grande problema fica no consumo. A Jeep fala em médias de 5,5 km/l rodando na cidade e 7,2 km/l na estrada quando abastecido com etanol. A sorte é que os maiores rivais Hyundai ix35 e Kia Sportage também decepcionam e mantêm médias tão baixas quanto. Segundo os dados do Inmetro o primeiro crava 6 km/l na cidade e 7 km/l na estrada, enquanto o segundo sofre um pouco menos e marca 6,3 km/l e 7,7 km/l, respectivamente.

Parte por méritos próprios, parte pela concorrência mole dentro e fora de casa. Ele é o Jeep Flex dos seus sonhos.

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