Avaliação: Fiat Toro Volcano 4x4

Versão topo de linha tem comodidade de carro de passeio, se comporta como tal, mas não nega que é uma picape

Por Raphael Panaro // Fotos: Renato Durães

Se na música do cantor Wesley Safadão ele diz que é 99% anjo-perfeito e só 1% vagabundo, com a Toro não tem essa: 50% são carro de passeio e outros 50% são picape mesmo! O inédito modelo da Fiat, na topo de linha Volcano, tem requinte, tecnologias, design moderníssimo, motor a diesel, tração 4x4 e por aí vai. Resumindo: quase tudo que uma picape média traz atualmente. A diferença é que a embalagem é um pingo menor. E é nessa estratégia que o modelo quer namorar todo mundo: compradores de S10, Ranger, Hilux, L200, Frontier e Renault Oroch.

Mas não se deixe levar por isso. Os outros 50% são importantes. A Toro é uma pi-ca-pe! Vá tentar comprar um hambúrguer no estreito drive-thru. Veja o trabalho que dá para manobrar na rua do seu restaurante favorito. E entrar nos cada vez menores estacionamentos? Lembre-se que o modelo é apenas 39 cm menor e 1 cm menos larga que a nova Hilux, por exemplo.

Só que a Fiat fez de tudo para deixá-la o mais próximo possível de um automóvel. Conseguiu. A suspensão traseira independente não me deixa mentir – as picapes médias, geralmente, usam o robusto eixo rígido. Garante um rodar mais suave e confortável em comparação às picapes tradicionais. Se você não quer quicar em demasia ao passar no buraco, a Toro é a sua escolha. Mas se apresse. Lançada em fevereiro, já passou por reajustes no preço: a Volcano subiu de R$ 116.500 para R$ 118.490.


Ô LOUCO!

Na estrada, o modelo é equilibrado e não aderna perigosamente nas curvas. No trajeto urbano, a convivência é normal. A não ser pelo barulho e tremedeira no interior, que denunciam o motor turbodiesel. Ainda figurinha rara nas ruas, a picape chama atenção pelo design – principalmente a dianteira com as luzes diurnas de LED em formato fora do lugar-comum no segmento. Porém, o que intrigou um motoboy na rua foi a quantidade de marchas da picape – inscrita na tampa da caçamba. Ele parou a moto e mandou: “Essa picape tem nove marchas!?” Digo que sim e ele brada “ô louco!” antes de seguir seu caminho.

Faltou dizer a ele que o trabalho desse câmbio com motor de 170 cv é competente. Só que, apesar dos 35,7 mkgf de torque a 1.750 rpm, a Toro não tem a vitalidade do Renegade nas retomadas e nem arranca como o SUV – os dois compartilham parte da plataforma e o conjunto mecânico.

O motivo é o peso (são mais de 1.800 kg) e o diferencial da transmissão mais alongado. Mesmo assim, não falta força. Em nossos testes, fez de 0 a 100 km/h em 11,7 s – o Renegade faz 10,8 s. Por outro lado, o consumo combinado da picape é de 16,4 km/l. Obrigado, diesel!


INTERVALO MAIOR

Por dentro a Toro também se destaca. O acabamento é refinado como no Renegade e os detalhes na cor ocre dão o tom descolado da cabine. A modernidade fica por conta do cluster com tela TFT, ar-condicionado digital e o sistema Uconnect Touch NAV, que poderia ter tela maior que a oferecida, de 5”. Faltam mais porta-objetos. Há um pequeno em frente a alavanca de câmbio, mas não cabe muita coisa. E os porta-mapas são rasos.

Na manutenção, assim como o SUV, a versão diesel tem revisões a cada 20 mil km. Ou seja, menos visitas à revenda. Mas espere gastar R$ 3.108 pelas três primeiras idas a concessionária. 

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