Avaliação: Fiat Argo 1.3 GSR

Ele custa R$ 58.900 e alivia o seu pé esquerdo. Já o pescoço...

Fotos: Divulgação | Texto: João Anacleto

Câmbio automático nas suas mais variadas formas é quase uma condição de sobrevivência no mercado brasileiro, até entre os compactos. Em alguns modelos menores eles representam mais de 30% das vendas no País. Por isso, as marcas encontram diversas soluções para, digamos, descansar seu pé esquerdo. Na Fiat a escolha para os carros pequenos ainda se concentra na versão automatizada, com apenas uma embreagem, que trocou o nome de Dualogic para GSR, codinome de Gear Smart Ride, ou rodagem de engrenagem esperta. Faltou modéstia.

De fato, perto do que era o catastrófico conjunto Dualogic, a 1.3 GSR que custa R$ 58.900 evoluiu tanto na questão de praticidade, quanto nas sensações a bordo. O creeping (aquela saída leve quando você tira o pé do freio) é bem semelhante ao de carros com conversor de torque, ele consegue entender que não precisa segurar demais a marcha só porque você está em uma descida e as trocas de marchas estão mais ágeis. Mas só isso não basta.

Fiat Argo 1.3 GSR

EMENDA E SONETO

Seus rivais diretos, como Chevrolet Onix e Hyundai HB20, têm transmissões com conversor de torque de 6 marchas, com funcionamento mais linear e natural. Quem se acostuma com eles sente como é legal descansar o pé esquerdo no trânsito pesado. No Argo GSR também, mas a cada acelerada você se lembra que tem muitos músculos no pescoço para segurar a cabeça nas trocas de marchas.

Outras evoluções da GSR frente ao Dualogic estão na percepção dos momentos. Você não ouve mais as marchas se pegando dentro da caixa e quando o carro nota que você está em uma subida, e ativa o Hill Holder Control, que é parte integrante dos controles de tração e estabilidade, ele automaticamente sobe o giro da marcha lenta para 1.600 rpm. Assim que você colocoa na função sport ele também percebe suas más intenções e meio que “queima” embreagem a cada troca de marchas. Isso para diminuir um pouco o sempre perceptível tranco que ele dá. Sem efeito. Agora o Argo mostra duas coisas: que dá tranco e que patina quando se está à plena força.

O motor 1.3 Fire Fly não consegue mostrar a sua força com a mesma astúcia que faz na versão com câmbio manual. Aqui você só sente a aspereza natural do conjunto. Seus 109 cv também reverberam com vontade no interior. Ele é bem mais ruidoso que as versões 1.8 Precision e 1.8 HGT com câmbio automático de verdade. Outra diferença entre eles está na interface. Enquanto as versões mais caras usam uma manopla, o GSR vem só com botões, como no Alfa 4C, algo que requer um certo tempo para se acostumar.

Fiat Argo 1.3 GSR

OTIMISTAS

Segundo a Fiat ele acelera de 0 a 100 km/h em apenas 10,6 s, um número que na prática parece um tanto otimista, uma vez que em nosso último teste o Argo 1.3 com câmbio manual (normalmente mais rápido nas acelerações) levou 11,3 s. A Fiat diz, ainda, que ele consome 8,9 km/l de etanol na cidade e 10 km/l na estrada e este sim é um número mais realista. A pequena diferença de consumo entre percurso urbano e rodoviário também tem explicação no câmbio do Argo. Ele é curto demais mesmo nas marchas mais altas. Em velocidade constante, a 120 km/h, o conta-giros fica na casa das 3.700 rpm. E isso é muita rotação para essa velocidade.

A lista de equipamentos de série traz, como dissemos lá atrás, os controles de tração e estabilidade, ar-condicionado, vidros elétricos nas quatro portas, regulagem de altura do volante  (regulagem de distância, só a partir da versão Precision 1.8) e do banco do motorista, além da direção elétrica e, claro, da central multimídia – a cereja do bolo no interior dos Argo.

Entre os opcionais há o Kit Stile, que melhora a aparência do carro com rodas de liga-leve de 15”, mais os faróis de neblina por R$ 1.900. Apesar da modernidade da central multimídia, o Argo não traz câmera de ré nem sensor de estacionamento de série. Falha grave que lhe custa R$ 1.400 extras no preço final.

 Com revisões até 60.000 km saindo por R$ 3.060 o Argo parece um bom negócio para o seu bolso. Se viesse com um câmbio melhor, certamente, já teria decolado em vendas. 

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